Ekonomista
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18 Ago, 2026 - 10:00

Economia circular pode poupar centenas de euros por ano

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Planear as compras, reparar equipamentos ou comprar em segunda mão pode poupar centenas de euros por ano. Descubra como aplicar a economia circular no dia a dia.

Planear melhor as compras, reparar um equipamento antes de o substituir ou escolher um produto em segunda mão são decisões simples que aliviam o orçamento familiar. Segundo a Associação Smart Waste Portugal, a economia circular está presente em muitas escolhas do quotidiano e pode traduzir-se numa poupança de centenas de euros por ano.

O desperdício alimentar é a área onde essa relação é mais evidente. Em 2023 o ano mais recente com dados oficiais consolidados do INE, foram desperdiçadas em Portugal 1,93 milhões de toneladas de alimentos, o equivalente a 182,7 kg por habitante. Segundo a Smart Waste Portugal, cerca de 65% desse desperdício tem origem no consumo doméstico.

Esse desperdício tem tradução direta na carteira. Uma estimativa da Too Good To Go, divulgada em 2024 com base em dados do Eurostat, aponta para cerca de 350 euros por pessoa, por ano, gastos em comida que acaba por não ser consumida. Num agregado de três pessoas, o valor aproxima-se dos mil euros anuais.

Como reduzir o desperdício alimentar em casa

Os valores variam consoante a dimensão do agregado familiar e os hábitos de consumo, não há uma poupança garantida igual para todos. Ainda assim, algumas mudanças simples fazem diferença.

Deve planear as refeições da semana antes de ir às compras e confirmar o que já existe em casa. Conservar corretamente os alimentos e reaproveitar sobras evita que produtos ainda bons acabem no caixote do lixo.

Vale também a pena ler os rótulos com atenção. A “data-limite de consumo” indica um risco real para a saúde a partir desse dia; já a indicação “consumir de preferência antes de” é apenas uma referência de qualidade, muitos alimentos continuam próprios para consumo depois dessa data.

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Reparar antes de substituir

Quando um equipamento avaria, a primeira opção nem sempre devia ser comprá-lo novo. Segundo o Parlamento Europeu, os consumidores da União Europeia perdem, em conjunto, cerca de 12 mil milhões de euros por ano ao optarem por substituir bens em vez de os reparar.

Peça um orçamento de reparação antes de decidir. Comparar o custo do conserto com o de um produto novo pode evitar uma despesa elevada e prolonga a vida útil de eletrodomésticos, roupa ou mobiliário — muitas vezes por uma fração do preço de um artigo novo.

Segunda mão, aluguer e partilha

Quando a compra é mesmo necessária, os artigos em segunda mão ou recondicionados costumam ser mais económicos, desde roupa a mobiliário e equipamentos eletrónicos.

Para objetos usados apenas ocasionalmente, como ferramentas ou material de lazer, alugar, pedir emprestado ou partilhar substitui a compra e evita um investimento que só será usado poucas vezes. Vender, trocar ou doar o que já não é utilizado prolonga a vida útil dos produtos, em vez de os deixar parados num armário.

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Porque é que esta mudança é urgente

A pressão sobre os recursos naturais reforça a importância destas escolhas. Se toda a humanidade consumisse ao ritmo de Portugal, seriam necessários 2,9 planetas para responder à procura, segundo a Global Footprint Network.

Em 2026, o Dia da Sobrecarga da Terra de Portugal foi assinalado a 7 de maio, a partir dessa data, o país passou a “viver a crédito ambiental”, consumindo antecipadamente os recursos que só deveriam ser usados no ano seguinte.

A mudança não depende só das famílias. A Smart Waste Portugal defende que as empresas devem oferecer produtos mais duráveis e reparáveis, com peças e serviços de reparação disponíveis, enquanto as políticas públicas devem tornar a reutilização, a partilha e a compra em segunda mão opções acessíveis a todos.

O que estas escolhas valem ao fim do ano

Reduzir para metade o desperdício alimentar de uma família de três pessoas já aproxima a poupança dos 500 euros por ano. Somar a isso uma reparação em vez de uma compra nova, ou uma peça de roupa em segunda mão em vez de nova, empurra facilmente o total para as centenas de euros. Nenhuma destas mudanças exige grandes sacrifícios, exige, sobretudo, olhar duas vezes antes de deitar fora ou comprar.

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Fontes

Associação Smart Waste Portugal. (2026). Economia circular pode ajudar famílias portuguesas a poupar centenas de euros por ano [comunicado de imprensa].

Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar. (2025). INE disponibiliza novos dados sobre o desperdício alimentar em Portugal – ano 2023. https://www.cncda.gov.pt/index.php/noticias/ine-disponibiliza-novos-dados-sobre-o-desperdicio-alimentar-em-portugal-ano-2023

Parlamento Europeu. (2023, novembro 17). Novas regras da UE incentivam reparação em vez da substituição de equipamentos. https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20231117IPR12211/novas-regras-da-ue-incentivam-reparacao-em-vez-da-substituicao-de-equipamentos

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