Share the post "Estudantes deslocados podem ficar alojados nas Pousadas da Juventude"
Para os estudantes deslocados, as Pousadas da Juventude podem ser uma alternativa de alojamento em 2026/2027, com estadias entre setembro e julho. O primeiro passo é contactar os Serviços de Ação Social ou o gabinete de apoio da instituição de ensino superior, que informam sobre as vagas e os procedimentos.
Em 2024, os representantes dos estudantes indicavam rendas médias de 386 euros no Porto e de 480 euros em Lisboa. É neste contexto que as pousadas de juventude entram na conversa. Estas estruturas são geridas pela Movijovem, uma cooperativa pública. Foram pensadas para turismo jovem, mas, desde meados de 2020, participam no Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.
A experiência começou pequena. No ano letivo 2020/2021, viveram nas pousadas 66 estudantes, distribuídos por oito unidades. Depois cresceu. O programa Alojamento Estudantil Já criou 709 alojamentos, em 22 Pousadas da Juventude e em quatro unidades do INATEL, envolvendo 25 instituições de ensino superior.
Pousadas da Juventude: como funciona na prática?

Os estudantes não reservam diretamente como qualquer turista. As camas são distribuídas por várias instituições de ensino superior e os Serviços de Ação Social de cada uma colocam os estudantes nas vagas disponíveis.
A candidatura faz-se em cada ano letivo, porque fora desse período as pousadas continuam a receber turistas e peregrinos do Caminho de Santiago.
Quanto ao espaço, as camas ficam em quartos duplos e múltiplos, com casa de banho privada ou partilhada, consoante a unidade.
O que está incluído e quanto custa
Segundo a informação de 2026/2027, a estadia inclui pequeno-almoço, Wi-Fi, limpeza diária, troca semanal de roupa de cama e atoalhados e, nas unidades onde exista, cozinha comum.
Sobre o preço, convém ter cuidado. Para 2026/2027, a informação disponível fala em diárias a partir de 18 a 20 euros, conforme a localidade. Já em 2023, o valor mensal por pessoa variava entre 200 e 300 euros, em quartos duplos ou múltiplos.
Como o modelo de cobrança pode diferir entre edições, o mais seguro é perguntar aos Serviços de Ação Social qual o valor e a forma de pagamento aplicáveis à instituição.
Em edições anteriores, o Cartão Jovem Europeu dava desconto de 10% em quarto duplo e de 20% em quarto múltiplo. Também vale a pena perguntar se ainda se aplica.
Pousadas da Juventude: como aceder a uma vaga?
- Contactar os Serviços de Ação Social ou o gabinete de apoio da instituição.
- Perguntar se há camas atribuídas e em que pousada.
- Confirmar as condições: valor, tipo de quarto, casa de banho, cozinha e distância à faculdade.
- Verificar as datas de entrada e saída, para que coincidam com o calendário letivo.
- Manter uma alternativa em aberto até a vaga estar confirmada por escrito.
Vantagens e limites
Do lado positivo, os estudantes de 2020/2021 destacaram a higiene e a segurança dos espaços e a simpatia dos trabalhadores. Ter serviços incluídos também ajuda quem vive fora de casa pela primeira vez.
Há, porém, relatos menos simpáticos. Em novembro de 2024, apenas 249 estudantes viviam em pousadas ao abrigo do programa, apesar das 673 camas disponibilizadas.
Na pousada de Picoas, em Lisboa, os residentes queixaram-se de infiltrações, percevejos e da cozinha.
A Movijovem respondeu que a maior parte das unidades está vocacionada para estadias de curta duração e que estava a melhorar as condições, com meios de confeção, arrumos e espaços de estudo.
O Ministério descreveu as pousadas como uma solução de emergência, e não como alojamento definitivo.
Onde existem pousadas com programa estudantil?

Em 2024/2025, o programa esteve disponível em 22 unidades: Aveiro, Abrantes, Almada, Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Guimarães, Lisboa Centro, Lisboa Parque das Nações, Oeiras, Portimão, Portalegre, Porto, Santa Cruz, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila do Conde e Vila Nova de Cerveira.
A lista de 2026/2027 pode ser diferente e a instituição de ensino confirma-a.
E se não houver vaga numa pousada?
Existem outros caminhos que podem ajudar:
- Residências universitárias – os Serviços de Ação Social informam sobre preços, candidaturas, critérios de prioridade e listas de espera.
- Observatório do Alojamento Estudantil – permite consultar a oferta privada, as rendas praticadas e a evolução das vagas nas residências públicas.
- Protocolos com hotéis, pousadas e hostels – vale a pena perguntar se a instituição tem algum.
O panorama está a mudar. O Governo terminou o apoio que alojava estudantes em residências privadas, mas a Movijovem garante que continua a disponibilizar camas em 2026/2027.
Em paralelo, as obras em curso deveriam ficar concluídas até agosto de 2026, com o objetivo de chegar a cerca de 26 mil camas. Só que, como alertam as universidades, as novas camas públicas ainda não chegam.