Share the post "Lisboa quer acabar com as trotinetes partilhadas na cidade"
A Câmara Municipal de Lisboa quer suspender o serviço de trotinetes elétricas partilhadas na capital, invocando problemas de segurança rodoviária, estacionamento indevido e ocupação dos passeios. A proposta deverá ser discutida ainda esta semana e a autarquia prevê retirar estes veículos da cidade até janeiro de 2027.
A justificação avançada pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas, é de que as medidas aplicadas nos últimos anos não foram suficientes para resolver os problemas associados à utilização destes veículos. A decisão poderá representar uma mudança significativa na mobilidade urbana da capital, onde as trotinetes se tornaram uma alternativa para deslocações curtas.
A proposta não diz respeito às trotinetes particulares, mas ao serviço de aluguer disponibilizado por operadores privados.
Trotinetes partilhadas: quais são os grandes problemas
A autarquia aponta como problemas principais a segurança rodoviária e a falta de condições de circulação pedonal provocada pelo estacionamento irregular.
Segundo Carlos Moedas, são frequentes os casos de trotinetes a circular em contramão, a serem utilizadas de forma perigosa ou a transportarem duas pessoas em simultâneo.
O presidente da Câmara alerta ainda para a utilização destes veículos por menores e para o aumento dos acidentes registados nos últimos anos.
O estacionamento é outra das principais preocupações. As trotinetes deixadas no meio dos passeios podem dificultar a passagem de peões, sobretudo de pessoas cegas, idosos, cidadãos com mobilidade reduzida e famílias com carrinhos de bebé.
De acordo com os dados divulgados pela autarquia, os serviços municipais recolhem mais de 1200 trotinetes mal estacionadas por mês.
Entre 2024 e 2026, o número de remoções aumentou 40%, apesar das medidas adotadas para disciplinar o funcionamento do serviço.
Para a Câmara, os resultados demonstram que o modelo atual não está a funcionar e que a fiscalização não consegue acompanhar todos os comportamentos irregulares.
Regras já existem, mas não foram suficientes

A decisão surge depois de várias tentativas para regular a circulação e o estacionamento das trotinetes partilhadas.
Em janeiro de 2023, a Câmara Municipal de Lisboa celebrou um acordo com os operadores para estabelecer limites à utilização destes veículos e reduzir os conflitos no espaço público.
Entre as medidas previstas estavam um limite de velocidade de 20 km/h, a definição de zonas específicas de estacionamento, a criação de áreas onde a circulação ou o estacionamento são proibidos e a limitação do número de trotinetes disponíveis. Algumas destas restrições são aplicadas através das aplicações utilizadas para alugar os veículos.
Em junho de 2025, o acordo foi complementado com novas medidas. Ainda assim, a Câmara considera que a cooperação com as empresas não produziu os resultados esperados.
A autarquia entende que não pode continuar a mobilizar recursos para recolher veículos mal estacionados nem depender de uma fiscalização permanente para garantir o cumprimento das regras.
Trotinetes: quais as restrições e proibições em Portugal
Lisboa não é a primeira cidade portuguesa a querer retirar as trotinetes elétricas partilhadas das ruas. Em 2026, Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho também avançaram com medidas para acabar com estes serviços, num movimento que reflete as crescentes preocupações com a segurança rodoviária e a utilização do espaço público.
Em Braga, a Câmara Municipal aprovou, a 29 de junho, a revogação dos acordos de colaboração com os operadores, determinando a suspensão do serviço e concedendo às empresas um prazo de 60 dias para retirar os equipamentos
A decisão foi justificada pelo aumento dos acidentes, pelos riscos para os utilizadores e pelos problemas de circulação e estacionamento.
Em Espinho, o município decidiu, no final de julho, suspender os serviços de bicicletas e trotinetes partilhadas.
A medida surgiu após o fim do protocolo de colaboração com a empresa responsável pelo serviço e foi justificada pelos problemas de desorganização do espaço público e de segurança.
Gaia acaba com o serviço, Porto estuda

Em Vila Nova de Gaia, a autarquia optou por cancelar um concurso destinado à disponibilização deste serviço, travando a expansão das trotinetes partilhadas no concelho.
O Porto também entrou no debate, depois de um acidente mortal envolvendo uma trotinete ter levado a Câmara a aprovar uma proposta para estudar a utilização destes veículos e a sinistralidade associada.
Em Coimbra, por sua vez, a autarquia tem defendido a necessidade de criar regras específicas para enquadrar a operação dos serviços partilhados.
A intenção de Lisboa insere-se, assim, numa discussão nacional sobre o equilíbrio entre mobilidade sustentável, segurança e acessibilidade.
A diferença é que, na capital, o anúncio aponta para uma suspensão definitiva, com a autarquia a prever que as trotinetes partilhadas deixem de circular na cidade até janeiro de 2027.