Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
20 Ago, 2026 - 10:00

Mosquito-tigre chegou a Portugal: quanto custa proteger-se

Cláudia Pereira

O mosquito-tigre já está em 28 concelhos portugueses. No Dia Mundial do Mosquito, veja o que vale a pena comprar para se proteger e o que é dinheiro deitado fora.

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Dia 20 de agosto assinala-se o Dia Mundial do Mosquito. Esta data recorda a descoberta, em 1897, de que a fêmea do mosquito Anopheles transmite a malária. Em Portugal, a efeméride ganhou um significado mais prático nos últimos anos: o mosquito-tigre (Aedes albopictus), capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya, já está identificado em 28 concelhos portugueses, mais dez do que em 2024, segundo o mais recente relatório REVIVE do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

No entanto, Portugal continua sem surtos confirmados destas doenças, pois, a esmagadora maioria dos casos de dengue registados no país teve origem em viagens ao estrangeiro. Mas a presença crescente do inseto levanta uma pergunta prática e sazonal: vale a pena gastar dinheiro em proteção, e onde é que esse dinheiro é mesmo bem gasto?

A resposta divide-se em dois grupos: produtos com eficácia comprovada em laboratório, que custam poucos euros, e produtos populares que a DECO PROteste garante não funcionarem, seja qual for o preço pago por eles.

Mosquito-tigre já está presente em quase 30 concelhos

O relatório REVIVE (Rede de Vigilância de Vetores), coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge, analisou 44.123 mosquitos de 22 espécies em 243 concelhos durante 2025. O mosquito-tigre, identificado pela primeira vez em Portugal em 2017, alargou-se nesse ano a Lisboa, Oeiras, Almada e Sesimbra, e em agosto de 2026 foi ainda confirmado em Guimarães. Nenhuma das amostras recolhidas nestes novos focos transportava o vírus da dengue, zika ou chikungunya.

Isto não significa risco zero: em 2025, foram notificados 37 casos de dengue em Portugal continental entre janeiro e outubro, mas 35 desses casos foram contraídos fora do país por viajantes. Quem sofre reações mais fortes às picadas pode consultar o artigo sobre alergia a insetos para saber quando procurar apoio médico.

Quanto custa um repelente que realmente funciona

A DECO PROteste testou 11 repelentes de mosquitos em laboratório e recomenda apenas produtos com substâncias ativas comprovadas: DEET, icaridina, IR3535 ou PMD. Os três melhores classificados custam entre 8€ e 13€ por embalagem, o suficiente para várias semanas de aplicação diária em contexto de férias ou vida ao ar livre. Concentrações abaixo de 10% do princípio ativo oferecem proteção mais curta (uma a duas horas), pelo que vale a pena verificar o rótulo antes de decidir pelo produto mais barato da prateleira.

Verifique o rótulo antes de comprar: só produtos com DEET, icaridina, IR3535 ou PMD têm eficácia comprovada em laboratório.

Consoante o contexto, a proteção pode vir de três formas complementares: repelente para aplicação direta na pele, rede mosquiteira impregnada para dormir sem interrupções, ou difusor elétrico para manter um espaço fechado protegido durante a noite.

O que é dinheiro deitado fora

Nem tudo o que promete afastar mosquitos cumpre o prometido. A DECO PROteste é direta quanto a isto: pulseiras repelentes e aparelhos de ultrassons não têm eficácia comprovada e devem ser evitados, independentemente do preço. O mesmo vale para apps de smartphone que alegam repelir insetos através de sons.

A medida mais eficaz de todas, aliás, não custa nada: eliminar água parada em casa (pratos de vasos, baldes, brinquedos no exterior) impede o mosquito de completar o ciclo de reprodução, que pode demorar apenas dois dias em condições favoráveis.

Quem tiver jardim ou varanda pode ainda consultar a lista de plantas que atraem mosquitos para saber o que evitar cultivar perto de zonas de estar. Quem já foi picado pode consultar as dicas para tratar picadas de mosquito ou melga e a lista de pomadas indicadas para picadas de insetos.

Elimine água parada em casa: é a medida mais eficaz de prevenção e não tem qualquer custo.

O custo da inação

Um repelente eficaz custa menos de 15€ e uma tarde a esvaziar recipientes com água parada não custa nada. Adiar estas duas medidas ou gastar esse dinheiro em pulseiras e aparelhos sem eficácia comprovada, não poupa despesa nenhuma: só adia o desconforto das picadas para a semana seguinte, com o dinheiro já gasto em produtos que não protegem de nada.

Mantenha-se protegido sem gastar em vão. Subscreva a Newsletter Ekonomista e receba todas as semanas, dicas de poupança e consumo consciente para o dia a dia, dos produtos que realmente funcionam aos que são dinheiro deitado fora.

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