Miguel Pinto
Miguel Pinto
10 Ago, 2026 - 13:00

MySpace vai renascer sem algoritmos e tem o Facebook na mira

Miguel Pinto

O histórico MySpace vai regressar, longe da ditadura do algoritmo de do scroll infinito. A ideia é voltar à origens de uma verdadeira rede social.

logo do myspace

Vinte anos depois de ter sido o rei incontestado das redes sociais, o MySpace pode estar prestes a regressar. Os atuais proprietários da plataforma, os irmãos norte-americanos Tim e Chris Vanderhook, confirmaram que estão a preparar um relançamento, ainda sem data marcada, mas com a promessa de fugir à lógica dos algoritmos que domina as redes sociais atuais.

A notícia reacendeu a nostalgia de quem cresceu a personalizar perfis, a escolher a música que tocava automaticamente na página e a montar cuidadosamente a lista de “Top 8” amigos.

Mas por detrás do entusiasmo nostálgico está também uma pergunta legítima: será que há espaço, em 2026, para um MySpace renovado?

MySpace: quem está por detrás do projeto

O MySpace nunca desapareceu por completo, apesar de ter perdido praticamente toda a relevância desde que o Facebook o ultrapassou, no final da década de 2000.

A plataforma continua ativa, ainda que residual, sob a alçada da Viant Technology, empresa fundada pelos irmãos Vanderhook, que compraram o MySpace em 2011.

Ao longo dos últimos quinze anos, os dois empresários já tentaram, por mais do que uma vez, reinventar a marca, nomeadamente através de um reposicionamento como plataforma dedicada à música e à cultura, sem grande sucesso.

“Tentámos mesmo modernizá-lo, mas já era uma empresa diferente naquela altura. Já não era o mesmo MySpace”, admitiu Tim Vanderhook, citado pela imprensa norte-americana.

O irmão, Chris, acrescentou que, nessa altura, a empresa já tinha passado por quatro equipas de gestão diferentes, o que dificultou qualquer tentativa séria de recomeço.

Desta vez, a intenção parece ser a de um projeto pensado de raiz, sem pressa e sem data anunciada.

“Somos guardiões da marca MySpace neste momento e vamos relançar o MySpace. Estamos apenas à espera do momento certo para o fazer”, afirmou Tim Vanderhook. E, caso a primeira tentativa não resulte, garantiu que voltarão a tentar.

Documentário que trouxe o tema de volta

Logótipo do myspace

Parte do renovado interesse à volta do MySpace deve-se a um documentário, simplesmente intitulado “Myspace”, realizado por Tommy Avallone, conhecido por outros trabalhos ligados à cultura pop e à nostalgia digital.

A obra estreou-se em abril de 2026 no festival canadiano Hot Docs e reúne testemunhos de antigos responsáveis da plataforma, bem como de figuras que se tornaram conhecidas graças a ela, casos de Dane Cook, Tila Tequila ou Jeffree Star.

Segundo o próprio realizador, o documentário procura sobretudo contar a origem de um fenómeno que “normalizou a ideia de falar com desconhecidos” online, numa altura em que a internet ainda estava a dar os primeiros passos enquanto espaço social.

Foi precisamente nesse contexto que os atuais proprietários decidiram tornar pública a intenção de relançar a plataforma.

Uma alternativa aos algoritmos

Se há um argumento que os Vanderhook repetem com insistência, é o de que o novo MySpace não vai seguir o mesmo caminho das redes sociais dominantes.

A ideia é criar um espaço menos dependente de algoritmos de recomendação e menos orientado para o scroll infinito, um modelo que tem sido criticado por especialistas em saúde mental e bem-estar digital, sobretudo no que toca ao impacto junto dos mais jovens.

Esta promessa surge num momento em que cresce o debate público sobre os efeitos das redes sociais tradicionais, com processos judiciais em curso nos Estados Unidos contra grandes plataformas, acusadas de fomentar comportamentos aditivos entre adolescentes.

Um eventual MySpace mais simples, mais pessoal e menos viciante poderia, à partida, apelar tanto a quem procura escapar a esse modelo como a quem simplesmente sente saudades da estética e da liberdade criativa que caracterizavam os perfis da plataforma nos anos 2000.

Porque é que o MySpace ainda é relevante?

jovem casa a navegar das redes sociais

Antes de o Facebook se tornar dominante, o MySpace foi, durante vários anos, o site mais visitado dos Estados Unidos, chegando a somar centenas de milhares de novos registos por dia.

Mais do que uma rede social, funcionou como uma verdadeira montra de identidade. O código HTML personalizado, a música do perfil e a lista de amigos favoritos tornaram-se símbolos de uma forma de estar online que, para muitos, ainda não foi replicada por nenhuma outra plataforma.

É também por isso que este anúncio tem gerado tanta conversa. Não se trata apenas do regresso de um produto tecnológico, mas de uma tentativa de recuperar uma certa forma de sociabilidade digital, mais artesanal e menos pautada por métricas de envolvimento.

Curiosamente, este interesse renovado por estéticas e dinâmicas do passado coincide com uma tendência mais ampla nas redes sociais atuais, em que utilizadores mais jovens têm vindo a partilhar conteúdos nostálgicos associados à cultura digital de meados da década de 2010.

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Há data para o MySpace voltar?

Para já, ainda não há data. Os proprietários da plataforma têm sido claros quanto a isso: preferem esperar pelo momento certo do que precipitar um novo lançamento, com receio de repetir erros do passado.

Não foram ainda avançados detalhes sobre funcionalidades, modelo de negócio ou plataformas de acesso, pelo que qualquer relançamento continua, por enquanto, envolto em expectativa.

Resta saber se, desta vez, o MySpace conseguirá conquistar um lugar relevante num mercado digital muito mais competitivo e fragmentado do que aquele em que nasceu, em 2003.

Mas, a julgar pela reação de nostalgia coletiva que o simples anúncio já provocou, o interesse do público parece continuar bem vivo.

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