Share the post "Óculos de sol não chegam para ver o eclipse solar de agosto"
Portugal Continental vai assistir, esta quarta-feira, dia 12 de agosto, a um eclipse solar visível em todo o território, com uma ocultação quase total apenas numa pequena zona do distrito de Bragança. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa alerta para um erro comum: olhar diretamente para o Sol sem proteção certificada pode causar lesões graves e irreversíveis na visão, mesmo com óculos de sol escuros.
A explicação está na própria natureza do fenómeno. A diminuição da luminosidade durante o eclipse cria a ilusão de que é seguro olhar diretamente para o Sol, porque o desconforto que normalmente obriga a desviar o olhar diminui. A radiação, porém, continua a atingir a retina da mesma forma.
O problema é que as lesões não doem de imediato. Os primeiros sinais, como manchas escuras, zonas desfocadas ou perda parcial de visão, só costumam surgir no dia seguinte. Por isso, garantir uns óculos certificados antes do dia 12 é a única forma de acompanhar o fenómeno sem correr esse risco, e continua a compensar depois: há eclipses parciais previstos para Portugal em 2027 e 2028.
Porque é que os óculos de sol não chegam
Nem os óculos de sol mais escuros filtram a radiação necessária para observar o Sol em segurança. Vidros fumados, radiografias antigas ou películas escurecidas improvisadas também não protegem, apesar de continuarem a circular como “soluções caseiras”. No caso dos vidros de soldador, apenas os de densidade 14 oferecem proteção adequada, as densidades mais comuns no mercado ficam muito aquém do necessário.
A única forma segura é usar óculos certificados especificamente para observação solar, com a norma EN ISO 12312-2 e a marcação CE, ou filtros solares próprios para telescópios e binóculos. Confirme sempre estas duas indicações na embalagem antes de comprar, a certificação é o que distingue óculos protetores de um mero acessório escuro.
Quanto custam os óculos certificados e onde comprar
Os óculos distribuídos gratuitamente por óticas, farmácias e centros Ciência Viva já esgotaram na maioria dos pontos, à medida que a procura disparou nos últimos dias. Ainda assim, continuam disponíveis para compra em farmácias, supermercados e plataformas online, a preços que rondam os 3 euros por unidade. Quem precisar de vários pares, para toda a família, por exemplo, encontra pacotes online que reduzem o custo unitário para valores próximos de 0,75 euros.
Antes de fechar a compra, confirme se o produto exibe a certificação ISO 12312-2, a marcação CE e a referência ao Regulamento (UE) 2016/425, além de instruções de utilização. Faltando alguma destas indicações, o mais prudente é procurar outra opção, pois, nem todos os produtos anunciados como “óculos de eclipse” oferecem, de facto, proteção suficiente.
Um investimento que serve para os próximos eclipses
Comprar uns óculos certificados compensa mesmo além do dia 12. Segundo Rui Agostinho, astrofísico e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, “teremos eclipses do Sol com elevada percentagem de ocultação visíveis em Portugal em 2026, 2027 e 2028“, e os óculos “poderão voltar a ser utilizados” se forem bem conservados. Na prática, o gasto de poucos euros neste momento pode servir três eventos astronómicos ao longo dos próximos anos, desde que os óculos fiquem guardados sem riscos, dobras ou perfurações na película.
Crianças e praia exigem cuidados redobrados
Dois cenários merecem atenção especial. As crianças correm mais risco porque a retina dos mais novos deixa passar mais luz do que a dos adultos, e nem sempre é fácil garantir que mantêm os óculos colocados durante toda a observação, por isso devem observar sempre acompanhadas por um adulto, com equipamento certificado.
A praia, por sua vez, é apontada como o cenário mais perigoso, apesar de parecer o mais convidativo. Com o horizonte desimpedido e o Sol sobre o mar, é mais fácil olhar diretamente para o fenómeno sem pensar duas vezes. Este ano, o eclipse acontece ainda em período de férias, longe das ações de sensibilização que normalmente decorrem nas escolas, o que torna a informação prévia ainda mais importante.
O risco não compensa a poupança
Arriscar a visão para poupar 3 euros não é um bom negócio. Confirme a certificação antes de comprar, guarde os óculos em bom estado depois do dia 12 e volte a usá-los nos próximos eclipses parciais, em 2027 e 2028.
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