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Olga Teixeira
Olga Teixeira
21 Nov, 2019 - 12:17

3 histórias sobre a origem da Black que provavelmente desconhece

Olga Teixeira

Se há algo que novembro nos traz, além dos preparativos para o Natal, é a sexta-feira de descontos. Mas, será que conhece a origem da Black Friday?

origem da black friday

O fenómeno começa a instalar-se em Portugal, embora poucos saibam a origem da Black Friday (que pode ser literalmente traduzida como sexta-feira negra). Nasceu nos EUA, mas como e porquê?

Até há pouco tempo, o único contacto que os portugueses tinham com a Black Friday era através de imagens que mostravam multidões em correria desenfreada a entrarem em lojas cujas portas tinham acabado de abrir.

Carrinhos a abarrotar, famílias inteiras a açambarcar produtos e, não raras vezes, cenas de pugilato e até ferimentos acabaram por ficar associados à sexta-feira depois do Dia de Ação de Graças.

Este não é um feriado celebrado em Portugal e, talvez por isso, a Black Friday, que em 2019 se celebra a 29 de novembro, até aqui não tinha grande expressão.

Mas aos poucos, a moda foi pegando, sobretudo porque as lojas e marcas viram nesse momento um enorme potencial de aumentar a faturação.

E se hoje em dia a Black Friday já entrou nos hábitos de consumo dos portugueses, poucos sabem como surgiu.

Afinal, qual é a origem da Black Friday? A verdade é que não há uma história oficial, mas várias teorias.

A origem da Black Friday: as várias versões  

Telemovel com publicidade da Black Friday

Um dia negro na bolsa, uma referência à cor da tinta usada nos documentos contabilísticos ou o desabafo desesperado de polícias à beira de um ataque de nervos?

Há várias histórias e o único ponto em comum parece ser só um: é mesmo uma sexta-feira.

Um dia mau na Bolsa

A primeira referência à Black Friday aconteceu nos EUA em 1869 e não foi em novembro, muito menos depois do Dia de Ação de Graças. Foi numa sexta-feira, mas a 24 de setembro desse ano que dois investidores da Bolsa, Jay Gould e Jim Fisk tentaram inflacionar o preço do ouro.

Decidiram comprar todo o ouro que lhes foi possível, para provocarem escassez deste metal precioso e depois poderem vender com grande lucro o que tinham armazenado.

O plano parece digno de um thriller sobre Wall Street e o final foi igualmente inesperado, pelo menos para os dois especuladores. Foram descobertos, a cotação do ouro teve uma enorme queda e o mercado bolsista entrou em pânico.

Investidores falidos, caos na bolsa e muitos prejuízos. Uma verdadeira sexta-feira negra ou, como se diz nos EUA, uma Black Friday.

Mais tarde, em 1929, tornou-se famosa outra sexta-feira, a de 25 de outubro, com uma queda dramática na Bolsa de Nova Iorque. No entanto, os problemas tinham já começado na quinta, dia 24, que ficou para a História como a Black Thursday, a quinta-feira negra.  

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A origem da Black Friday esteve nas tintas?

Outra teoria sobre a origem da Black Friday diz que a designação foi dada pelos comerciantes que, no dia seguinte à Ação de Graças começavam um período de grande faturação, que se prolongava até ao Natal.

A explicação é que, até esse dia, as contas estavam “no vermelho”, ou seja, os comerciantes tinham prejuízos, sendo os valores negativos assinalados com tinta vermelha nas contas das empresas.

No entanto, a partir desta sexta-feira, que se seguia a um dos principais feriados dos Estados Unidos, as empresas viam finalmente dinheiro a entrar, muito devido aos saldos e promoções.

As boas vendas continuavam até ao Natal, mas esta sexta-feira, por ser o dia em que os números deixavam de ser vermelhos e passavam a ser positivos (e escritos a negro), passou a ser conhecida como Black Friday.

Dia negro para a polícia

Nos últimos anos, uma teoria sobre a origem da Black Friday parece vir a tornar-se mais credível do que todas as outras. A de que tudo terá começado em Filadélfia, nos anos 50.

Nessa altura, a sexta-feira depois do Dia de Ação de Graças era já famosa por ser um dia de muitas compras e, por isso, um dia de grande movimento nesta histórica cidade do Estado da Pensilvânia.

Mas tudo se tornava ainda mais complicado porque, no sábado, tinha lugar o jogo de futebol-americano entre os Army Black Knights e os Navy Midshipmen, ou seja, entre os jovens das academias do Exército e da Marinha dos EUA.

Este jogo atraía à cidade ainda mais gente, que aproveitava a sexta-feira para fazer compras. Mais gente, trânsito muito intenso, mais confusão, mais roubos e distúrbios em lojas.

Ou seja, um dia de muito trabalho para a polícia local, cujos membros estavam ainda proibidos de folgar nestes dias e não podiam, assim, juntar-se às suas famílias. Não admira que tivessem batizado este dia como Black Friday.  

Nos anos 60, os lojistas, a quem este nome desagradava, tentaram que passasse a ser conhecido como Big Friday, mas o termo acabou por não ter grande sucesso.

A Black Friday é, agora, muito mais do que um dia, que começa logo a seguir ao jantar do Dia de Ação de Graças e se prolonga até à Cyber Monday, na segunda-feira seguinte, em que os grandes descontos estão nas compras online.  

No mesmo dia em que milhões de pessoas se deixam contagiar Black Friday, outras procuram alertar para os excessos consumistas desta data e proclamaram este como o Dia de Não Comprar Nada.

Quanto vale a Black Friday em Portugal?

A tradição da Black Friday é recente em Portugal, mas este é já um dos dias mais animados do ano em termos de compras, apesar de não ser o principal.

Dados da SIBS relativos ao ano de 2018 indicam que o Natal continua a ser a época preferida pelos portugueses para fazer compras.

O dia 21 de dezembro teve o maior número de transações processadas (11,5 milhões) e 22, o último sábado antes do Natal, foi o dia com mais compras (5,2 milhões). A Black Friday ficou em segundo lugar, com quatro milhões de compras.

A plataforma Black-Friday Global, que recolhe dados de todo o mundo, revela que, em 2018, as vendas no período da Black Friday em Portugal aumentaram 792% em comparação com um dia normal. 

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