Olga Teixeira
Olga Teixeira
13 Set, 2019 - 09:59

Consumismo: como evitar exageros e dar o exemplo aos mais novos

Olga Teixeira

Todos gostamos de fazer compras, mas o consumismo exagerado pode ter graves consequências, sobretudo com crianças por perto.

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A palavra consumismo tem, desde logo uma conotação negativa, que remete para o exagero nos gastos e para o ato de comprar o que não precisa. E a verdade é que consumir demais só tem desvantagens.

Todos gostamos de fazer compras: seja um novo par de sapatos, um automóvel, um telemóvel ou até encher o carrinho no supermercado. Se consumir é necessário, consumir em excesso pode trazer sérios problemas.

Comprar é bom, mas comprar o que não se precisa e de uma forma compulsiva é, muitas vezes, motivo de problemas familiares, levando a discussões, afastamentos e, no caso dos casais, até ao divórcio.

O consumismo é, no fundo, uma expressão das melhorias no nível de vida, mas pode ter justamente o efeito contrário. No fundo, tudo se resume à matemática mais básica: se gasta mais do que aquilo que tem, o resultado é sempre negativo.

Gastar um pouco mais nas férias ou no Natal é normal, mas se o consumismo se manifesta no seu dia-a-dia, pode prejudicar, para além da sua saúde financeira, as relações com família e amigos.

E, numa altura em que as preocupações com a sustentabilidade estão tão presentes no nosso quotidiano, há que pensar no impacto ambiental das nossas compras.

Mas nem tudo se resolve com sacos reutilizáveis. Já pensou no que acontece à roupa que deitou fora porque se estragou depois de a vestir três ou quatro vezes? E no impacto que tem para o ambiente comprar um telemóvel novo todos os anos?

4 passos para evitar o consumismo

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Nem sempre é fácil de resistir à tentação de entrar na loja e comprar aquela camisola que anda a namorar há dias ou de clicar e encomendar mais umas almofadas naquela loja online de decoração que tem novidades todas as semanas.

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E as compras de maior dimensão e que maior peso têm na sua carteira (uma televisão ou um carro novo de três em três anos), será que são evitáveis?

Há pequenas coisas que pode fazer no seu dia-a-dia para evitar o consumismo e que vão fazer grandes diferenças na sua bolsa, na sua relação com os outros e até no meio ambiente.

1. Recicle

Uma camisa pode ganhar nova vida com botões diferentes. Uma jarra antiga pode ser pintada e passa a combinar lindamente com a decoração da sala.

Envolva as crianças nestas atividades, aguçando-lhes a criatividade e fazendo-as perceber que os objetos antigos podem ganhar uma nova vida e não têm que acabar no lixo. Reciclar também é uma forma de poupar.

2. Repare em vez de comprar um novo

A máquina de lavar roupa tem mesmo de ser substituída? Se partiu o vidro do telemóvel, é mesmo necessário adquirir outro aparelho? As botas que usou no inverno passado vão ficar como novas depois de as levar ao sapateiro.

A ideia é pensar sempre duas vezes antes de comprar. Será que não vale a pena mandar reparar?

3. Reflita

É quase um cliché, mas a verdade é que, muitos dos gastos supérfluos acontecem com roupa. E muitos são realmente evitáveis, até porque muitas peças acabam no fundo do armário sem nunca terem sido usadas.

Uma dica que pode usar da próxima vez que estiver quase a cair em tentação é perguntar: com que roupa vou combinar esta peça? Se não conseguir pensar em pelo menos quatro outfits diferentes em que a possa usar, mais vale desistir.

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A roupa barata pode ser tentadora, mas a verdade é que não vai durar muito e deve acabar no lixo em menos de um ano. Por isso, pense se, em vez de cinco t-shirts de 4.99€, não será melhor comprar uma peça um pouco mais cara, com mais qualidade e que vai durar mais tempo.

4. Reutilize

De acordo com a Pordata, em 2018, 91.2% dos gastos das famílias foram em bens não duradouros, como produtos alimentares. E a verdade é que também neste campo há consumismo excessivo.

As promoções podem ser tentadoras, mas vai mesmo gastar cinco quilos de maçãs? E se sobrou comida, já pensou que pode aproveitar para usar as sobras para fazer um novo prato?

Quando o consumismo é doença

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O consumismo exagerado pode ser uma perturbação e até tem um nome: oniomania, que o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define como “impulso patológico para comprar muita coisa ainda que seja desnecessário”.

No entanto, não se assuste. Nem todas as pessoas com tendência para o consumismo têm esta doença, que afeta cerca de 6% da população mundial.

Existem sintomas que podem ajudar a detetar esta doença, como uma ansiedade crescente que só termina depois de feita a compra, mas que é seguida de sentimentos de culpa e de angústia.

Esta perturbação leva, muitas vezes, a que a situação financeira fique descontrolada, acumulando, por exemplo, grandes dívidas em cartões de crédito.

A boa notícia é que, com acompanhamento médico, é possível reverter este quadro.

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A importância de dar o exemplo

O consumismo pode ser maior quando há crianças, mas a existência de filhos, irmãos ou outros familiares próximos é a melhor razão para evitar compras desnecessárias.

E, para que as crianças possam, no futuro, evitar gastos supérfluos, nada como dar o exemplo e pensar duas vezes antes de comprar todos os brinquedos que pedem no Natal ou as mochilas mais caras no regresso às aulas.

Ensine-as a poupar o dinheiro e a ter cuidado com a roupa, telemóveis e com os eletrodomésticos lá de casa. Não compre tudo o que eles pedem, seja um gelado ou uma consola.

Aprender a ouvir “não” fará com que se tornem mais responsáveis e possam lidar mais facilmente com todas as frustrações que, inevitavelmente, terão de enfrentar.

Incentivar a poupança, seja através de um mealheiro ou de uma conta no banco, é também uma forma de impedir que venham a ser vítimas do consumismo exagerado quando puderem gastar o dinheiro.

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