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Olga Teixeira
Olga Teixeira
27 Nov, 2019 - 15:29

Investir em ouro: será que a tradição ainda é o que era?

Olga Teixeira

Investir em ouro continua a parecer uma opção segura, mas será que é mesmo assim? E como pode aplicar poupanças neste metal? Saiba mais.

investir em ouro

Geração após geração, investir em ouro é encarado como uma forma segura de aplicar dinheiro. Das libras e joias que passam de pais para filhos, às barras de ouro guardadas em cofres ou, até, a fundos e ações de empresas mineiras, são várias as formas de investimento.

Ouro sempre foi sinónimo de riqueza e a História está recheada de episódios em que este metal fez prosperar nações, mas também de momentos em que a febre do ouro e a ganância levaram à morte, guerra e exploração. Em pleno século XXI, como se explica que a “quimera do ouro” ainda não se tenha esgotado? Investir em ouro continua a ser uma boa ideia?

Aparentemente, e a julgar pelos valores atingidos em 2020, sim. A pandemia levou o preço para valores máximos históricos, acima dos dois mil dólares por onça.

Em tempos incertos, investir em ouro parece ter-se tornado uma opção sólida e confiável. E quem já tinha investido viu esse investimento valorizado. Foi o que aconteceu por exemplo, com as reservas de ouro do Banco de Portugal.

Mas será que é mesmo assim?

INVESTIR EM OURO: PRÓS E CONTRAS

Embora possa parecer um investimento mais ou menos consensual, a verdade é que nem todos estão de acordo quanto às suas vantagens. No entanto, há quem tenha acabado por se render, pelo menos em parte.

multimilionário Warren Buffett, por exemplo, não era adepto deste metal precioso. Argumentava que era um investimento que não gerava rendimentos (como dividendos) e sempre optou por investir em ativos com preços mais baixos.

Mas no verão, a sua empresa, a Berkshire Hathaway, surpreendeu o mundo financeiro ao investir na Barrick Gold – uma empresa ligada à mineração de ouro, o que não é bem a mesma coisa do que comprar ouro.

O que prova desde logo duas coisas: que há várias formas de investir em ouro; e que é sempre importante diversificar a carteira de investimentos, mesmo que esta tenha ações de empresas como a Apple e a Coca Cola.

Entre os argumentos contra o investimento em ouro está, por exemplo, o facto de, numa situação de emergência, não poder ser facilmente trocado por bens de primeira necessidade.

Apesar de, como veremos, ser um ativo que, em princípio, não desvaloriza, a verdade é que também não tem um valor constante. Daqui a umas horas pode valer mais ou menos do que quando o comprou. E esse é um risco que deve ter em conta.

valor do ouro

Investir em ouro como reserva de valor

O ouro é, como já vimos uma reserva de valor clássica: tanto serve para as pequenas poupanças de um particular como constitui uma reserva nos cofres de nações de todo o mundo.

Além disso, a política dos bancos centrais tem sido reforçar as suas reservas de ouro, em vez de venderem as que têm. E só isso parece ser um indicador de que é uma opção segura.

Investimento anti-crise

A verdade é que o ouro é, desde há muito, encarado como uma proteção contra a recessão e a inflação.

Daí o seu papel de “investimento de confiança”, uma ideia que parece sair reforçada sempre que existe uma queda na bolsa ou um colapso no imobiliário.

Como vimos, a pandemia trouxe uma nova “febre do ouro”, o que comprova essa perceção.

Tendência permanente de valorização

O ouro é um metal que existe em quantidades finitas. A escassez deste recurso, que tem uma prospeção limitada, tende a valorizar ainda mais o ouro que já está em circulação no mercado.

Ou seja, a oferta é menor do que a procura, o que é sempre uma boa referência para um bom investimento.

O ouro é de aceitação universal

Pode ser vendido em qualquer momento e em qualquer lugar do planeta e isto é visto como uma vantagem, mas também pode significar o contrário.

Numa situação limite, e ao precisar de trocar ouro por um bem de primeira necessidade, vai perder certamente muito do que investiu. Basta ver o que acontece num momento de aflição financeira em precisa de vender ouro para obter liquidez.

O QUE FAZ VARIAR O PREÇO DO OURO?

O valor do ouro varia ao longo do dia e é indicado em dólares por onça troy (31,3 gramas). Por isso, sempre que a moeda norte-americana sobre uma variação positiva ou negativa, o preço do ouro oscila.

Além disso, é cotado numa espécie de bolsa, sediada em Londres e que estabelece os preços dos metais preciosos, como ouro, prata ou platina. Tal como na bolsa, na LBMA há um preço de abertura, às 10h30 (GMT) e um de fecho, às 15h00.

O valor é definido por 15 entidades financeiras: Bank of China, Bank of Communications, Citibank N.A. London Branch, Coins ‘N’Things, Goldman Sachs, HSBC Bank USA NA, Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), StoneX Financial Ltd, Jane Street Global Trading LLC, JP Morgan Chase Bank N.A. London Branch, Koch Supply and Trading LP, Marex Financial Limited, Morgan Stanley, Standard Chartered Bank e The Toronto Dominion Bank.

Depois, a oferta e a procura, que são também condicionadas por fatores sociais, económicos e políticos, determinam qual o valor do ouro em determinado dia.

A médio e longo prazo o preço do ouro é também influenciado por fatores como as taxas de juro. Se estas estiverem baixas – como têm estado – muitos particulares podem optar por comprar ouro em vez de o depositarem no banco. Ao aumentar a procura, o preço do ouro sobe.

barras de ouro

INVESTIR EM OURO: QUAIS OS IMPOSTOS?

Do ponto de vista fiscal, investir em ouro é vantajoso em relação a outras formas de aplicar o seu dinheiro.

A compra de ouro para investimento, isto é, de barras de ouro e de algum tipo de moedas, está isenta de IVA. O mesmo não acontece se optar por comprar joias e outros artefactos, que têm o imposto à taxa máxima.

Se decidir vender, não fica sujeito ao pagamento de mais-valias.

COMO INVESTIR EM OURO?

Barras de ouro

Adquirir barras de ouro ou moedas é a forma mais simples e direta de investir em ouro. Tem contudo alguns inconvenientes, nomeadamente os custos associados à compra e ao armazenamento destes valores.

Guardá-los em casa não é de todo é aconselhável, por poder ser mais facilmente alvo de roubo. E para guardá-los num banco, a opção definitivamente mais segura, terá sempre que contar com a comissão de aluguer do cofre.

Joias

As joias podem ser uma boa opção se as pretende usar, mas se pretende fazer desta aquisição uma forma de investimento já não compensa muito. A não ser que seja uma peça rara ou com valor histórico, que valorize com o passar do tempo.

Caso contrário, o valor que paga na compra e que inclui o IVA, vai ser menor do que quando vender, porque só deverá ser considerado o peso do artigo.

Fundos e ETF

Este tipo de investimento exige algum conhecimento sobre o funcionamento dos mercados. No entanto, como a gestão é feita a nível profissional, a sua intervenção é mínima. Basta aplicar o dinheiro e esperar para ver como se comporta o mercado.

Os fundos que investem em empresas ligadas ao ouro – como de mineração – são uma forma de aplicar o seu dinheiro sem ter de adquirir barras ou joias. Mas, tal como acontece com o ouro físico, fica a ganhar sempre que a cotação deste metal sobe. Isto porque as empresas valorizam e, por isso, quem investiu nelas é beneficiado.

Os ETF são negociados em bolsa como as ações e incluem produtos especializados em ouro. Os ganhos aumentam quando a cotação sobe.

Adquirir contratos de futuro

Os contratos de futuros, também conhecidos por contratos forward, são um instrumento financeiro derivado que permite acordar hoje o preço de uma mercadoria numa data futura.

O investidor ganha consoante o preço efetivamente verificado na data futura seja maior ou menor do que o que foi fixado no contrato para determinada quantidade de ouro. Se o preço do ouro subir, o investidor recebe a diferença, se descer deverá depositar o remanescente de modo a manter a mesma quantidade.

Fonte

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