Catarina Gonçalves
Catarina Gonçalves
27 Nov, 2019 - 15:29
Investir em ouro

Investir em ouro: será que ainda vale a pena?

Catarina Gonçalves

O ouro é considerado um ativo de refúgio para onde os investidores correm em tempos de recessão. Mas será que continua a fazer sentido investir em ouro?

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Porque vale a pena investir em ouro? A resposta é simples: porque o ouro é um metal precioso que é cotado em bolsa. É uma das commodities (mercadorias) mais importantes e mais valiosas.

O ouro desempenhou também um papel central no sistema monetário mundial, funcionando como indexante. Mas esta não é a única característica distintiva deste metal precioso. É um importante ativo de refúgio em tempos de crise porque resiste à inflação e à perda de valor.

4 motivos para investir em ouro

barras de ouro

Embora o ouro seja considerado um investimento “da velha guarda” e um dos preferidos pelos nossos avós, por ser um ativo conservador e de baixo risco, existem, pelo menos, 4 bons motivos para apostar nesta matéria-prima.

1. Investir em ouro proporciona um refúgio em situações de crise

Um dos motivos pelos quais deve incluir exposição ao ouro na sua carteira é a sua imunidade a recessões.

Além disso o ouro é perene, o que o torna uma reserva de valor clássica. Por esse motivo é uma boa opção para salvaguardar o risco sistémico, se considerarmos que este ativo funciona como um escudo protetor face a crises financeiras ou ao efeito da inflação.

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2. Investir em ouro é uma reserva de valor

Consequentemente, o ouro preserva o património e compensa o risco de outras aplicações financeiras tradicionais como depósitos e ações.

Esta característica conferiu ao ouro um importante papel no sistema monetário internacional no século XIX, em que cada país era obrigado a manter parte relevante das suas reservas internacionais sob a forma de ouro.

E embora o padrão-ouro já não seja a referência internacional desde a Primeira Guerra Mundial, ainda hoje, os Bancos Centrais têm reservas de ouro que têm vindo inclusivamente a reforçar em anos recentes.

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3. O ouro tem uma tendência permanente de valorização

O ouro é um metal que existe em quantidades finitas. A escassez deste recurso, cuja prospeção é também ela limitada, tende a valorizar ainda mais o ouro que já está em circulação no mercado.

Este é um dos motivos pelo qual investir em ouro lhe pode conferir rendibilidade a longo prazo.

4. O ouro é de aceitação universal

O ouro tem também a característica de ser universal. Ou seja, pode ser vendido em qualquer momento e em qualquer lugar do planeta. Por isso, de entre as muitas designações do ouro, uma delas é a de “dinheiro real”.

Fatores que influenciam o preço do ouro

O preço do ouro é determinado, em primeiro lugar, pela lei da oferta e da procura.

Na base dessa relação estão, porém, vários fatores macroeconómicos que influenciam e contribuem para aumentar ou diminuir a atratividade da matéria-prima. Entre eles a cotação do dólar, a inflação e a taxa de juro.

Por regra, a tendência é a seguinte: quanto mais a bolsa cai e o dólar se desvaloriza, mais a cotação do ouro aumenta. O mesmo se passa em momentos de deflação.

Cotação do dólar

A procura de ouro tende a variar inversamente com a cotação do dólar. O dólar é uma moeda forte e é utilizada como referência para outras moedas de valor inferior. Além disso, há instrumentos financeiros derivados, como contratos, que se encontram expressos nesta moeda.

Assim, quando o dólar desvaloriza esses ativos também desvalorizam, sendo por isso de esperar um aumento da procura de ouro como forma de salvaguardar o património.

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Inflação

A procura por ouro tende a ser beneficiada em situações de deflação, em que se se assiste a uma descida generalizada dos preços.

Essa descida generalizada afeta também o preço do dinheiro, ou seja, a taxa de juro e os títulos financeiros. Já o ouro está imune a estas tensões deflacionistas e consegue manter o seu valor.

Taxa de juro

A taxa de juro também é outro fator que influencia o apetite por investir em ouro. Atualmente, porque as taxas de juro estão genericamente baixas, os investidores tendem a refugiar-se num ativo que garanta uma remuneração adequada e não perca valor.

Pelo contrário, se as taxas de juro forem elevadas, aumenta o custo de oportunidade de investir neste metal precioso.

Como investir em ouro?

Se ficou convencido e quer investir nesta matéria-prima, seja para se proteger ou diversificar a sua carteira, pode fazê-lo de forma direta, isto é, comprando ouro físico, ou indireta, através de contratos de futuros ou fundos de investimento.

Adquirir contratos de futuros

Os contratos de futuros, também conhecidos por contratos forward, são um instrumento financeiro derivado que permite acordar hoje o preço de uma mercadoria numa data futura.

O investidor ganha consoante o preço efetivamente verificado na data futura seja maior ou menor do que o que foi fixado no contrato para determinada quantidade de ouro.

Se o preço do ouro subir, o investidor recebe a diferença, se descer deverá depositar o remanescente de modo a manter a mesma quantidade.

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Subscrever unidades de participação de fundos de investimento

Apostar em fundos de investimento que compram ações de empresas que operam no setor do ouro é outra forma de investir neste metal precioso lhe proporciona. Esta modalidade tem a vantagem de ter uma gestão profissional do seu património e não precisar de grandes conhecimentos financeiros para fazer os seus investimentos.

Comprar ouro físico

Adquirir barras de ouro ou jóias é a forma mais simples e direta de investir em ouro. Tem contudo um inconveniente: o armazenamento destes valores.

Guardá-los em casa não é de todo é aconselhável, por poder ser mais facilmente alvo de roubo. E para guardá-los num banco, a opção definitivamente mais segura, terá sempre que contar com a comissão de aluguer do cofre.

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