Share the post "Praia do Silêncio: a jóia selvagem das Astúrias que vale a pena descobrir"
Poucos lugares na costa cantábrica conseguem cumprir tão bem aquilo que prometem. A Praia do Silêncio, situada no concelho de Cudillero, nas Astúrias, é um desses casos raros.
Entre falésias verticais, ilhéus rochosos e águas de um turquesa quase irreal, este recanto tornou-se um dos destinos mais desejados por quem procura natureza selvagem no norte de Espanha.
A praia, também conhecida por Praia de El Gavieiro ou O Gavieiru, localiza-se junto à aldeia de Castañeras, na paróquia de Novellana, dentro do concelho de Cudillero, na costa ocidental das Astúrias.
Fica integrada na Paisagem Protegida da Costa Ocidental de Astúrias, uma classificação que ajuda a explicar por que razão este troço de litoral se mantém praticamente intacto, sem urbanizações, sem passeio marítimo e sem qualquer tipo de construção à vista.
A vila de Cudillero, com as suas casas coloridas empilhadas em anfiteatro sobre o porto, fica a cerca de 15 quilómetros de distância e costuma ser o ponto de partida ideal para quem organiza a visita.
Praia do Silêncio: concha de calhaus entre falésias
Ao contrário da maioria das praias que associamos ao verão espanhol, esta não é feita de areia fina.
O solo é composto por seixos e calhaus rolados, o que contribui, aliás, para a limpidez incomum das águas, que variam entre tons de turquesa e esmeralda consoante a luz do dia.
A praia tem uma forma de concha, com pouco mais de 300 a 500 metros de comprimento, dependendo da fonte consultada e da maré, e está protegida por altas falésias e por um conjunto de ilhéus que travam o embate direto das ondas do Cantábrico.
É precisamente esse anfiteatro natural de rocha que explica o nome do lugar: o rugido do mar aberto transforma-se, ali dentro, num som mais contido, quase um sussurro.
Nos dias de maré baixa, é possível caminhar junto às falésias e descobrir pequenas grutas e recantos escondidos, sempre com precaução redobrada, já que se trata de um ambiente rochoso e sujeito à queda ocasional de pedras.

Como chegar à Praia do Silêncio
O acesso faz-se a partir da aldeia de Castañeras, seguindo a estrada N-632 e as indicações locais até um parque de estacionamento não vigilado, com um número limitado de lugares.
Dali até à praia, o percurso é feito exclusivamente a pé, ao longo de cerca de 500 metros, parte deles por um trilho com escadas talhadas na encosta. A descida demora, em média, entre dez e quinze minutos, e a subida de regresso exige alguma preparação física, sobretudo em dias de calor.
Vale a pena calçar sapatilhas ou sandálias fechadas e resistentes, tanto para o trilho como para caminhar sobre os calhaus da própria praia.
Como não existe qualquer tipo de infraestrutura no local (nem bares, nem casas de banho, nem nadador-salvado), é essencial levar água, comida e tudo o que possa ser necessário durante a visita.
Cudillero, um pueblo que merece uma visita
A visita à Praia do Silêncio combina-se naturalmente com uma passagem por Cudillero, uma das povoações mais pitorescas das Astúrias, com as suas casas de cores vivas dispostas em socalcos sobre um porto de pescadores ainda em atividade.
É também o local ideal para terminar o dia com um prato de peixe fresco ou de calamares afogados, especialidades da gastronomia local.
Para quem gosta de explorar um pouco mais, o extremo ocidental da praia esconde, em maré baixa, o acesso à Ribeira do Molín, uma pequena enseada onde uma cascata cai diretamente sobre os calhaus.
Também vale a pena procurar os miradouros ao longo da estrada, que oferecem algumas das vistas mais impressionantes de toda a costa ocidental asturiana, mesmo para quem não desce até à praia.

Quando visitar
A época alta, entre julho e agosto, é também a mais concorrida, sobretudo a meio do dia. Quem procura experimentar verdadeiramente o silêncio que dá nome ao lugar deve considerar chegar bem cedo, antes das onze da manhã, ou optar pelo final da tarde, quando a luz dourada transforma as rochas e o mar num cenário quase cinematográfico.
A primavera e o outono, por sua vez, são as estações ideais para quem privilegia a contemplação e a fotografia em vez do banho, já que a temperatura da água costuma ser demasiado fria para a maioria dos visitantes fora do verão.
Um fator a ter sempre em conta é a maré. Com maré alta, a faixa de praia seca reduz-se de forma considerável, o que limita o espaço disponível e pode até condicionar o acesso a alguns recantos.
O recomendável é planear a visita com maré baixa, consultando previamente as tabelas de marés disponibilizadas pelo Governo do Principado das Astúrias.