Share the post "Prémios Nobel 2026: quem ganhou em cada uma das categorias"
Já são conhecidos todos os vencedores dos Prémios Nobel 2026. Entre 5 e 12 de outubro, foram distinguidas dez pessoas em seis categorias: Medicina, Física, Química, Literatura, Paz e Economia.
Este ano, o prémio assinala 125 anos e vale 12 milhões de coroas suecas por categoria, mais 1 milhão do que em 2025. Cada Nobel pode ser partilhado por até três laureados e, em 2026, três categorias tiveram um só vencedor. Este artigo reúne todos os premiados e explica, em poucas palavras, o que cada um descobriu.
Quem ganhou os Prémios Nobel 2026
Medicina: um “interruptor” de luz para o cérebro
O primeiro prémio da semana, a 5 de outubro, foi para Karl Deisseroth, da Universidade de Stanford, Peter Hegemann, da Universidade Humboldt de Berlim, e Georg Nagel, da Universidade de Würzburg, pelas descobertas sobre canais iónicos ativados pela luz e pela optogenética.
Hegemann e Nagel identificaram uma proteína de algas, a canalrodopsina, e Deisseroth introduziu-a em neurónios. A técnica permite hoje ligar e desligar células nervosas individuais num cérebro vivo, e é usada em laboratórios de todo o mundo.
Física: um só vencedor, pela primeira vez desde 1992
A 6 de outubro, o Nobel da Física foi atribuído a Francis Halzen, físico de 82 anos nascido na Bélgica e professor na Universidade de Wisconsin–Madison. Não acontecia desde 1992 que este prémio fosse para uma só pessoa.
Halzen foi distinguido pelas contribuições decisivas para o observatório IceCube, no Polo Sul, e pela descoberta de neutrinos de alta energia vindos do espaço. O observatório ocupa cerca de um quilómetro cúbico de gelo e capta a luz ténue que estas “partículas fantasma” produzem.
Química: moléculas “espelho” e medicamentos
A 7 de outubro, o Nobel da Química distinguiu Henri B. Kagan, da Université Paris-Sud, e Kenso Soai, da Tokyo University of Science, pela descoberta de efeitos não lineares e de autocatálise na síntese orgânica assimétrica.
Muitas moléculas existem em duas versões que são a imagem no espelho uma da outra, mas os seres vivos usam apenas uma. Kagan e Soai mostraram como a química pode escolher uma das versões, uma capacidade que, segundo a Reuters, é muito importante para o fabrico de medicamentos.
Literatura: Anne Carson e os clássicos reinventados
A 8 de outubro, a Academia Sueca atribuiu o Nobel da Literatura à escritora canadiana Anne Carson, “pela sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea“.
Poeta, ensaísta e tradutora, Carson tem formação em estudos clássicos e ensina grego antigo. Entre as obras mais conhecidas estão Autobiography of Red, um romance em verso, o ensaio Eros the Bittersweet e traduções de Safo, Sófocles e Eurípides.
Paz: Navi Pillay e a defesa do direito internacional
A 9 de outubro, o Comité Norueguês do Nobel distinguiu a sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, “pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional“.
Nascida em Durban durante o apartheid, Pillay começou como advogada de opositores ao regime, incluindo Nelson Mandela. Foi juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde contribuiu para que a violação e a violência sexual fossem reconhecidas como crimes contra a humanidade e genocídio, e do Tribunal Penal Internacional. Foi ainda Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e é hoje juíza no Tribunal Internacional de Justiça.
Economia: as bases da estabilização económica
A 12 de outubro, a Academia Real das Ciências da Suécia fechou a semana com o prémio de Economia, atribuído aos norte-americanos Robert E. Hall, da Universidade de Stanford, e Michael Woodford, da Universidade de Columbia, “pelos fundamentos microeconómicos da estabilização macroeconómica“.
Em vez de basearem os modelos em relações estatísticas entre a inflação, a produção e o consumo, os dois economistas construíram-nos a partir das decisões de famílias e empresas, que olham para o futuro quando poupam ou fixam preços. Assim, quando governos e bancos centrais comunicam os seus planos, conseguem influenciar essas expectativas e suavizar os altos e baixos da economia.
Para o presidente do comité, John Hassler, o trabalho dá “uma base teórica estável aos modelos que hoje são usados por bancos centrais e governos” para enfrentar choques como crises energéticas.
Quanto recebe cada laureado em 2026
Cada categoria vale 12 milhões de coroas suecas, divididos pelos laureados. Ao câmbio de referência do Banco Central Europeu de 9 de outubro de 2026 (11,1675 coroas por euro), os valores ficam assim:
| Categoria | Laureados | Cálculo em coroas | Valor por laureado (euros) |
|---|---|---|---|
| Física, Literatura e Paz | 1 cada | 12 milhões ÷ 1 = 12 milhões | 1 074 547 € |
| Química e Economia | 2 cada | 12 milhões ÷ 2 = 6 milhões | 537 273 € |
| Medicina | 3 | 12 milhões ÷ 3 = 4 milhões | 358 182 € |
Em 2012, a Fundação Nobel cortou o prémio de 10 para 8 milhões de coroas, para reforçar as suas finanças. Desde então, aumentou-o quatro vezes: em 2017, 2020, 2023 e 2026. Em Portugal, os prémios científicos têm outra escala: a L’Oréal e a FCT distinguiram quatro cientistas portuguesas com 60 mil euros em setembro.
Além do dinheiro, cada vencedor recebe uma medalha e um diploma. A entrega decorre a 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel: em Oslo para a Paz e em Estocolmo para as restantes categorias.
Como são escolhidos os vencedores do Nobel
Ninguém se pode candidatar a si próprio. Nas categorias científicas, a nomeação é feita apenas por convite: o comité de cada prémio envia formulários confidenciais a pessoas qualificadas para nomear, como professores universitários e antigos laureados.
No Nobel da Paz não é preciso convite: podem nomear as pessoas previstas nos estatutos da Fundação Nobel, como deputados, ministros e antigos laureados. Este ano, houve 287 nomeados. Em todas as categorias, a informação sobre quem nomeou e quem foi nomeado fica em segredo durante 50 anos.
Portugal tem dois laureados na história do prémio: Egas Moniz, na Medicina, em 1949, e José Saramago, na Literatura, em 1998. Quem acompanha o tema pelo lado fiscal deve saber que os prémios científicos e literários podem estar excluídos de IRS, mas só em condições muito específicas, saiba quais são os rendimentos que não tem de declarar no IRS.
O que fica da semana Nobel
Seis prémios, dez laureados e o mesmo valor dividido de três formas: inteiro na Física, na Literatura e na Paz, a dois na Química e na Economia e a três na Medicina. Uma poeta que reinventa os clássicos, uma juíza que ajudou a mudar o direito internacional e cientistas que estudam do cérebro ao espaço.
Na prática, os Prémios Nobel 2026 premiaram descobertas que vão do laboratório ao dia a dia: dos medicamentos à forma como os bancos centrais tentam travar a inflação.
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Autoridade Tributária e Aduaneira. (s.d.). Artigo 12.º – Delimitação negativa de incidência. Código do IRS. https://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributarios/cirs_rep/Pages/irs12.aspx
Nobel Prize Outreach. (2026f, 12 de outubro). Press release: The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2026. https://www.nobelprize.org/prizes/economic-sciences/2026/press-release/
Norwegian Nobel Committee. (2026, 9 de outubro). Announcement of the Nobel Peace Prize 2026. https://www.nobelpeaceprize.org/articles/announcement-of-the-nobel-peace-prize-2026
Scientific American. (2026, 6 de outubro). 2026 Nobel Prize in Physics awarded to Francis Halzen for discovery of high-energy neutrinos. https://www.scientificamerican.com/article/2026-nobel-prize-in-physics-awarded-to-francis-halzen-for-discovery-of-high-energy-neutrinos/
Stanford Medicine. (2026, outubro). Stanford University professor Karl Deisseroth wins 2026 Nobel Prize in physiology or medicine. https://med.stanford.edu/news/all-news/2026/10/deisseroth-nobel-prize.html