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Um guia para tempos complicados
Catarina Reis
Catarina Reis
05 Mar, 2021 - 11:18

Redeployment: o que é e a sua importância em tempos de crise

Catarina Reis

Neste artigo vamos conhecer o conceito de redeployment, e de que forma pode ser uma ferramenta importante no combate à crise.

profissionais de saúde em atendimento telefónico por medida de redeployment

Conhece o conceito de redeployment? Numa altura de crise, este pode ser uma ferramenta crucial para controlar o impacto negativo na economia e no trabalho. Saiba como.

Em tempos de crise económica, o que acontece normalmente é o Estado apoiar as empresas, muitas vezes a fundo perdido. Assistimos também, recentemente, ao recurso ao layoff por parte de um grande número de empresas como forma de mitigar a crise que atravessamos, em que muitas tiveram que fechar portas temporariamente. 

No entanto existem alternativas a esses procedimentos, que quase sempre englobam despedimentos em massa, e que, bem vistas as coisas, são por vezes um pesadelo quer para as empresas quer para os trabalhadores, que se vêm de repente sem trabalho. 

Recorrer ao redeployment pode ser muito importante para a economia, pois ao fazê-lo, as empresas não colocam o fardo todo no Estado quando há uma crise, e garantem que uma parte dos empregos não se percam. Elas próprias saem a ganhar.

Redeployment: o que é

O redeployment consiste na partilha excecional de trabalhadores por parte de empresas que têm excesso de mão de obra para outras que estejam com falta dela. Pode também ser aplicado internamente, no caso de trabalhadores serem mudados de posto dentro da próprio empresa.

Assim, o redeployment é uma forma de evitar despedimentos coletivos, algo muito recorrente sempre que há uma crise económica. Trata-se, por isso, de uma estratégia que as empresas por vezes adotam em tempos de crise, que tem o objetivo de proteger a marca do empregador, auxiliar na retenção dos talentos-chave e salvaguardar a moral do corpo de trabalho. 

Com isto, garante-se que a produtividade não é prejudicada durante momentos delicados de incerteza, criando uma força de trabalho altamente qualificada e pronta para se adaptar aos desafios futuros. Além disso, a partilha permite aos trabalhadores manter-se ativos e ganhar novas competências.

Vantagens associadas

Para as empresas

Recorrendo ao redeployment, as empresas podem, então:

  • Maximizar valor, 
  • Gerar novas receitas;
  • Reduzir o desperdício;
  • Ampliar o seu impacto positivo na sociedade;
  • Evitar as burocracias e o desperdício de recursos do despedimento coletivo.

Para os trabalhadores

  • Salvam-se empregos, 
  • Evita-se a extinção de postos de trabalho; 
  • Minimiza-se o recurso ao layoff e aos apoios do Estado em situações de crise; 
  • Mantém-se os trabalhadores ocupados e ativos, permitindo-lhes adquirir novas experiências de trabalho, ganhar novas competências, alargar os seus horizontes e ter uma perspetiva futura de trabalho durante uma crise económica.
Os trabalhadores não podem ser obrigados a aceitar

Trata-se sempre de um processo voluntário. Assim, se um trabalhador não quiser, não pode ser forçado a fazê-lo. 

Exemplos de redeployment

Assistimos ao recurso ao redeployment durante a pandemia da COVID-19 no nosso país, à semelhança do que aconteceu no resto do mundo.

A falta de profissionais de saúde na linha da frente no combate à pandemia levou a que muitos profissionais de áreas diferentes fossem chamados a prestar auxílio.

O redeployment e a sua aplicabilidade segundo a lei em Portugal

Infelizmente, o redeployment não tem o caminho completamente aberto para a sua implementação no nosso país. Digamos que é possível implementá-lo de forma indireta.

O redeployment pode ser aplicado legalmente em Portugal através de três ações legais diferentes:

  • Cedência ocasional de trabalhadores entre empresas do mesmo grupo empresarial; 
  • Suspensão do contrato na empresa de origem recorrendo a licenças sem vencimento; 
  • Contratação do trabalhador na empresa de destino através de um contrato de cedência ou de um novo contrato de trabalho.

Uma realidade longínqua em Portugal para a generalidade das empresas

Recorrer ao redeployment de uma forma sustentada exige uma mudança de paradigma na mentalidade das empresas, dos sindicatos e associações que as representam e até dos próprios trabalhadores.

No entanto, está ainda muito enraizada a mentalidade de se esperar pelas medidas e apoios que o Estado tem para oferecer às empresas e aos trabalhadores. Assim, as vantagens de recorrer a esta alternativa não está sequer a ser equacionada por muita gente.

Obviamente que nem todas as empresas têm condições estruturais para implementar um processo de redeployment, sendo sempre mais fácil para muitas fechar portas. No entanto, o que é certo é que o redeployment tem vindo a crescer em todo o mundo, havendo já muitos casos de sucesso para contar.

A chave para a mudança de mentalidade poderá estar no foco de como as empresas poderão enfrentar a crise. Ao invés de se criar apenas a ideia de se poupar dinheiro, deve-se instigar que se pense sobretudo em proteger a marca da empresa. Para o fazer, é viável proteger os trabalhadores, retendo e valorizando o seu talento e competências, ao invés de o perder definitivamente.

O redeployment deveria estar presente na estratégia dos departamentos de recursos humanos de qualquer empresa. Os bons trabalhadores são um dos recursos mais valiosos que uma empresa pode ter e são a chave para sustentar o crescimento e o sucesso a longo prazo.

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