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Elsa Santos
Elsa Santos
30 Dez, 2020 - 10:03

Desemprego em Portugal: atualidade e previsões para 2021

Elsa Santos

A taxa de desemprego em Portugal deverá ficar nos 8,1% em 2020, abaixo do esperado pelo FMI. Conheça todos os números e previsões para 2021.

pessoas a analisar situação de desemprego em Portugal

A pandemia de COVID-19 provocou grandes alterações no mercado de trabalho, fazendo disparar a taxa de desemprego em Portugal.

Segundo os últimos dados oficiais, em 2020 o número de desempregados aumentou 45% e ultrapassa as 400 mil pessoas, em diferentes setores de atividade ao longo de todo o país.

Conheça os números e as previsões do desemprego em Portugal para o ano que aí vem.

Tudo sobre o desemprego em Portugal

Números de 2020

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao terceiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 7,8%. Este número representa um agravamento relativamente aos 5,6% registados no trimestre anterior.

Mais ainda, o INE destaca que o número de desempregados atingiu as 404,1 mil pessoas. Isto significa um aumento de 45,1% (mais 125,7 mil pessoas) face ao segundo trimestre. Como frisa o INE, é a “taxa de variação trimestral mais elevada da série iniciada em 2011”.

O número de desempregados atingiu, assim, as 404,1 mil pessoas, mais 125,7 mil face ao segundo trimestre deste ano, o que representa um aumento de 45%. Segundo o INE, trata-se da taxa de variação trimestral mais elevada da série iniciada em 2011.

Em comparação com o período homólogo (terceiro trimestre) de 2019, o número de desempregados aumentou 24,9%, ou seja, mais 80,7 mil pessoas ficaram sem trabalho.

Efeitos da pandemia

Apesar do impacto da pandemia de COVID-19 na economia e no mercado de trabalho, a taxa de desemprego até começou por descer, no segundo trimestre, fruto do conceito usado pelo INE, que segue as orientações da Organização Internacional do Trabalho e do Eurostat.

Para ser considerada desempregada, para além de não ter um posto de trabalho, uma pessoa tem de procurar ativamente emprego e estar disponível para aceitar uma oferta. Estas são condições que muitas pessoas não cumpriam durante o período do confinamento, levando ao engrossar das fileiras dos inativos.

Com o desconfinamento progressivo a partir de maio, essa questão acabou por ser ultrapassada. A taxa de desemprego começou a refletir o impacto negativo da pandemia, registando uma subida considerável no terceiro trimestre.

Aqui há um especial destaque para os jovens entre os 15 e os 24 anos. A taxa de desemprego em Portugal nesta faixa etária subiu para 26,4% no terceiro trimestre. Compare-se com os 19,9% registados no trimestre anterior e 17,9% no terceiro trimestre de 2019.

Ao mesmo tempo, o emprego também aumentou no terceiro trimestre face aos três meses anteriores, refletindo o impacto do desconfinamento. Segundo o INE, a população empregada atingiu 4,7999 milhões de pessoas, subindo 1,5% (mais 68,7 mil pessoas) por comparação com o trimestre anterior.

Contudo, na comparação homóloga, em relação a 2019, a população empregada diminuiu 3% (menos 147,9 mil pessoas).

Layoff e horas efetivas de trabalho

O INE refere ainda que a população empregada ausente do trabalho na semana de referência diminuiu 24,4% (menos 263,3 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior. Uma queda que sinaliza um menor número de pessoas abrangidas pelo regime de layoff, já que essas embora mantendo-se empregadas, estavam ausentes do posto de trabalho.

Na comparação com o mesmo período de 2019, a população empregada ausente do trabalho aumentou 6,5%, o que representa mais 49,4 mil pessoas do que no terceiro trimestre do ano anterior.

Observou-se, também, um acréscimo trimestral de 17,4% e uma redução homóloga de 7,2% do volume de horas efetivamente trabalhadas.

trabalhadora com caixa depois de ser despedida

O desemprego em Portugal por concelho

Desemprego acima de 20% em 11 concelhos

De acordo com as previsões do COVID-19 insights, um projeto da NOVA Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa, 11 concelhos de Portugal Continental deverão encerrar 2020 com uma taxa de desemprego superior a 20%. Já em termos globais, a taxa de desemprego poderá atingir os 10,2% no final do ano.

O estudo aponta para uma tendência negativa no emprego. Esta deverá ser mais evidente nas regiões do Algarve, Lisboa e do Norte. A região algarvia poderá mesmo atingir a fasquia dos 11,4%.

Lisboa e Norte deverão chegar aos 10,7% e 10,4%, respetivamente. Em contrapartida, no Alentejo e na região Centro, a taxa de desemprego não deverá ultrapassar a barreira dos 10%.

A investigação aponta para que, em termos de desemprego em Portugal, no desempenho por concelho ocorra uma grande dispersão durante 2020. Significa que há concelhos onde a taxa de desemprego não deverá ultrapassar os 6% (Oleiros, Mêda, Melgaço, Ferreira do Zêzere), enquanto outros poderão ultrapassar os 30% (Albufeira).

Entre os 278 concelhos de Portugal continental, 11 deverão encerrar o ano com uma taxa de desemprego superior a 20%, cinco dos quais situados na região do Alentejo: Albufeira, Mourão, Moura, Sines, Murça, Monforte, Lamego, Moimenta da Beira, Barreiro, Barrancos e Moita.

Restauração e alojamento com mais desempregados

A taxa de desemprego em Portugal encontra a maior parcela nas atividades de alojamento e restauração. Nestas áreas registou-se, em outubro, um aumento de 83,1% de pessoas que perderam o trabalho, comparativamente com o mesmo mês de 2019, de acordo com a análise mensal do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

As áreas de transporte e armazenagem também registaram uma subida expressiva de 63,3% desempregados. Para além disso, nas atividades imobiliárias e de serviços de apoio o aumento de pessoas que ficaram sem trabalho situou-se nos 49,9%.

Mais de 403,5 mil pessoas ficaram inscritas nos centros de emprego à procura de novo trabalho no final de outubro de 2020. No Algarve o aumento foi de 134%, o mais expressivo do país.

Previsões para 2021

Orçamento de Estado 2021

As previsões do Governo associadas ao novo Orçamento do Estado (OE2021), divulgadas em outubro, apontavam para uma taxa de desemprego de 8,7% este ano e 8,2% em 2021.

No relatório que acompanha a proposta de Lei do Governo para o OE2021, pode ler-se:

“A melhoria esperada para o mercado de trabalho deverá levar a um crescimento do emprego em 1% (-3,8% em 2020), assim como, a uma redução da taxa de desemprego, a qual deverá diminuir de 8,7%, em 2020, para 8,2%, em 2021″.

Previsões do FMI

De acordo com a Previsões Económicas Mundiais do Fundo Monetário Internacional (FMI), a taxa de desemprego em Portugal deverá atingir os 8,1% em 2020, baixando para 7,7% em 2021.

Esta previsão corresponde a uma atualização dos números divulgados em abril. Nesta altura, o FMI previu que a taxa de desemprego em Portugal chegasse aos 13,9% este ano e recuperasse para os 8,7% em 2021.

Em 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 2,2% e a taxa de desemprego em Portugal foi de 6,5%.

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