Marta Maia
Marta Maia
14 Set, 2018 - 11:55
Taxa de juros negativa: saiba o que pode vir a ganhar

Taxa de juros negativa: saiba o que pode vir a ganhar

Marta Maia

A entrada dos bancos europeus numa taxa de juros negativa mudou tudo nos créditos habitação. Veja se o seu banco está a cumprir a lei.

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É sabido que há já algum tempo que os bancos caíram numa taxa de juros negativa e que estão a conceder empréstimos com prestações reduzidas. No entanto, só em julho de 2018 é que a lei entrou em campo para defender os consumidores – que até aqui pouco tinham sentido nas carteiras.

A taxa de juros negativa reflete-se, sobretudo, nos créditos à habitação. Quando o juro baixa, as mensalidades também descem e os consumidores pagam menos. Se ainda não é o seu caso, comece a ler os extratos com atenção, porque o banco é obrigado a respeitar as regras.

O que é a taxa de juros negativa?

taxa de juros negativa

A taxa de juros negativa acontece quando a Euribor baixa tanto que, somada com o spread dos bancos, resulta numa taxa abaixo de zero.

Vamos explicar melhor: quando contrai um crédito e contrata uma taxa de juros variável, as prestações são a soma do valor em dívida com a taxa de juro – que, por sua vez, é a soma do spread (o lucro do banco) com a Euribor (a taxa de referência europeia). Ora, quando a Euribor desce para valores negativos acentuados, o spread não consegue “cobri-la” e a soma dos dois dá um valor negativo, ou seja, aplica-se uma taxa de juros negativa.

Que impacto tem a taxa de juros negativa para os bancos?

A conta aqui é simples de se fazer, embora não seja agradável para todas as partes: se um juro positivo significa que pagamos ao banco pelo que nos emprestou, uma taxa de juros negativa significa que o banco tem de nos pagar para aceitarmos um empréstimo. Esquisito? Talvez, mas faz sentido.

Que impacto tem a taxa de juros negativa para o cliente?

Uma taxa de juros negativa é o verdadeiro sonho de quem contrai empréstimos, porque faz com que as prestações mensais baixem. No fundo, é o mesmo que dizer que o banco lhe empresta dinheiro de graça. Soa bem, não soa?

Porque é que ainda não recebeu dinheiro?

Claro que os bancos não iam aceitar dar-lhe dinheiro, não é? Quando a Euribor caiu e começaram a aparecer os primeiros casos de taxa de juros negativa, os bancos – com autorização do Banco de Portugal – passaram a considerar uma taxa de juro de 0% para os empréstimos abrangidos pela quebra. Assim, os consumidores não pagavam juros, mas também não estavam a receber o que deviam.

A situação só mudou com a entrada em vigor de uma lei – promovida por Mario Draghi – que obriga os bancos a pagarem os juros negativos tal como cobram os juros positivos. Essa lei só entrou em vigor em julho de 2018.

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Vai receber dinheiro por conta da taxa de juros negativa?

Infelizmente, não é assim tão simples, porque, já se sabe, os bancos nunca aceitam perder na jogada. Assim, o que vai acontecer é que os juros negativos que os bancos deviam pagar aos clientes vão ser “guardados” em forma de crédito para serem descontados quando a Euribor voltar a subir.

De forma mais simples: enquanto tiver uma taxa de juros negativa, o banco vai cobrar-lhe 0% de juros pelo empréstimo e reservar o dinheiro que devia pagar-lhe; quando a Euribor subir e os juros passarem outra vez a ser positivos, esse dinheiro é descontado – ou seja, vai ficar sem pagar juros durante algum tempo mesmo depois de a Euribor subir.

A má notícia

Vamos à parte dolorosa: a lei não é retroativa. Apesar de a taxa de juros negativa estar em vigor há muito tempo, os bancos não têm de pagar aos clientes o que ficou para trás.

Antes de correr para o banco

Lembre-se que a taxa de juro é a soma da Euribor com o spread, ou seja, só é negativa se a Euribor for inversamente mais alta que o spread. Se contratou um spread de 3%, por exemplo (e os créditos mais recentes têm todos spreads a rondar este valor, que os bancos foram rápidos a proteger-se), pode esquecer porque não vai receber nada. Basta fazer as contas: a Euribor a -0,166% mais um spread de 3% dá uma taxa de juro bem positiva de 2,83%.

O nosso conselho

Mantenha não um, mas os dois olhos bem abertos: o banco tem a obrigação de o informar sobre o que está a cobrar, mas também sobre o que está a guardar para depois lhe creditar nas prestações futuras. Exija que tudo venha bem discriminado no extrato mensal e proteja os seus interesses.

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