Miguel Pinto
Miguel Pinto
16 Set, 2026 - 13:00

Trilho das Levadas e os Moinhos da Barrosa: caminhada de 12 km para fugir à rotina

Miguel Pinto

Trilho das Levadas entre moinhos centenários, ribeiras e paisagens escondidas em Arouca. Passeio a não perder.

trilho das levadas

Num recanto do Geoparque de Arouca, entre carvalhos, castanheiros e o som constante da água a correr, esconde-se o Trilho das Levadas, também conhecido pelos seus icónicos Moinhos da Barrosa.

O Trilho das Levadas, oficialmente identificado como PR11, é um percurso pedestre localizado na freguesia de Mansores, concelho de Arouca.

Trata-se de um percurso circular que atravessa caminhos rurais, antigas veredas e troços de passadiço junto a linhas de água, muitos deles em desuso há cerca de quatro décadas até terem sido recuperados para o pedestrianismo.

O percurso integra a rede de trilhos certificados do Geopark Arouca, território reconhecido pela UNESCO, o que garante sinalização adequada, segurança nos troços mais expostos e um cuidado especial na preservação da paisagem natural e cultural.

Trilho das levadas: passeio começa junto à capela

A caminhada tem início no largo da Capela de Nossa Senhora do Rosário, um local que, por si só, já convida à contemplação.

Deste ponto, é possível avistar parte do percurso que se avizinha, bem como as serras que envolvem o vale de Mansores, sempre presentes no horizonte ao longo de toda a caminhada.

A partir daqui, o trilho conduz o visitante por entre o casario típico da freguesia, atravessando o parque da Serra da Vila antes de seguir por caminhos rurais mais isolados.

Um dos primeiros marcos de interesse é a Casa da Terça, uma casa senhorial oitocentista que ostenta pedra de armas e capela privada, testemunho vivo da história local.

Mais à frente, o caminho estende-se junto a uma longa levada de água construída em calha de de granito, atravessando o sítio dos Reguengos, cujo nome remonta a antigas terras da coroa.

Os Moinhos da Barrosa: o coração do percurso

caminhada no trilho das levadas

Se há um momento que fica gravado na memória de quem percorre este trilho, é sem dúvida a passagem pelos Moinhos da Barrosa.

Escondido num vale profundo e encaixado, rodeado por vegetação densa e socalcos de pedra, este núcleo reúne cerca de uma dezena de antigos moinhos de água, que durante gerações aproveitaram a força da ribeira da Barrosa para moer os cereais da região.

Muitos destes moinhos apresentam já sinais evidentes de abandono, com paredes parcialmente derrubadas e telhados em ruína, mas é precisamente essa autenticidade que confere ao lugar um charme particular.

Caminhar entre eles é como atravessar uma página de história ainda por contar, sentindo o eco do trabalho árduo de quem, antigamente, transportava os cereais ao longo destes acessos.

O ambiente é fresco e sombrio mesmo nos dias mais quentes de verão, com pequenas quedas de água a formar lagoas naturais que convidam a uma pausa e, para os mais aventureiros, até a um mergulho refrescante.

Perto do lugar da Mata existe ainda um segundo núcleo, mais pequeno, com três moinhos adicionais, que vale a pena incluir no roteiro.

Para quem prefere um passeio mais curto e direto, existe também a possibilidade de aceder à zona dos moinhos diretamente pela Barrosa, estacionando junto à entrada do trilho e descendo até ao vale.

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Outros pontos de interesse ao longo do caminho

Para além dos moinhos, o percurso reserva outras paragens que merecem atenção.

  • Cruzeiro dos Centenários: marco religioso que pontua a paisagem rural
  • Monte ou Sítio do Côto do Crasto: ponto de interesse com vestígios de ocupação antiga
  • Calvário: outro elemento do património religioso da freguesia
  • Sobreiro centenário — exemplar de grande porte que testemunha séculos de história
  • Casa da Terça: já mencionada, com o seu valor arquitetónico e histórico

Estes pontos, dispersos ao longo do circuito, tornam a caminhada tanto num exercício físico como numa verdadeira viagem pela identidade rural de Mansores.

Natureza em estado puro

Uma das grandes riquezas do Trilho das Levadas é a vegetação intensa e autóctone que acompanha praticamente todo o percurso.

Bosques fechados de carvalhos, loureiros, castanheiros e amieiros criam um coberto vegetal denso, que proporciona sombra e frescura mesmo nos dias mais quentes.

Os diversos açudes e socalcos de pedra, construídos ao longo de gerações para regular o curso da água, reforçam ainda mais a sensação de estar a atravessar uma paisagem moldada pela relação entre o ser humano e a natureza.

Trilho das Levadas: quando visitar e o que levar

passadiço

O trilho pode ser percorrido durante todo o ano, mas cada estação oferece uma experiência diferente.

  • Primavera e outono: temperaturas amenas e caudal mais generoso nas ribeiras, ideal para fotografia
  • Verão: vegetação frondosa e possibilidade de refrescar em algumas das lagoas naturais junto aos moinhos
  • Inverno: paisagem mais selvagem, com maior volume de água nas cascatas, mas terreno potencialmente mais escorregadio

Recomenda-se o uso de calçado apropriado para caminhada, roupa em camadas, protetor solar, água em quantidade suficiente e, idealmente, um lanche para reforçar energias a meio do percurso.

Como em qualquer trilho de montanha, vale a pena verificar as condições meteorológicas antes de partir e informar alguém do plano da caminhada.

Ficha técnica: o essencial antes de partir

Antes de organizar a caminhada, vale a pena conhecer os principais dados do percurso.

  • Ponto de partida e chegada: Largo da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Mansores
  • Tipologia: circular
  • Extensão: cerca de 12 quilómetros
  • Duração média: aproximadamente 4 horas
  • Dificuldade: média a elevada
  • Altitude mínima: 290 metros
  • Altitude máxima: 422 metros
  • Época aconselhada: todo o ano

A dificuldade média a elevada prende-se sobretudo com a irregularidade do terreno em alguns troços e com a exigência física de subidas e descidas ao longo do vale. Ainda assim, trata-se de um percurso acessível.

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