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Um guia para tempos complicados
Paula Landeiro
Paula Landeiro
26 Abr, 2021 - 10:11

Pedir diferimento ou carência de capital no crédito habitação para baixar a mensalidade?

Paula Landeiro

A carência de capital no crédito habitação e o diferimento de capital são opções para reduzir a sua prestação. Conheça as suas vantagens e desvantagens.

Carência de capital no crédito habitação

O diferimento e a carência de capital no crédito habitação podem ser formas de reduzir a sua prestação mensal se está a comprar a primeira casa ou a renegociar o empréstimo.  

Ao pagar a prestação mensal do crédito habitação está a pagar capital e juros, ou seja, está a reembolsar o montante que pediu ao banco e os juros sobre esse montante. Para reduzir a prestação pode optar quer pela carência de capital, quer pelo diferimento. Porém, ambas as opções têm vantagens e desvantagens.

Conheça, então, ao detalhe cada uma destas opções para pode decidir qual a melhor para si, e compare-as com a crédito habitação com prestações constantes, nas quais irá amortizar capital e juros até ao final do prazo.

Carência de capital no crédito habitação

A carência de capital permite que, durante um determinado período de tempo (período de carência) apenas liquide os juros associados ao crédito habitação que contratou. Ou seja, não amortiza qualquer montante do capital em dívida.

Assim, uma vez que a prestação é composta por capital e juros, ao não estar a pagar capital, a prestação será mais baixa durante o período de carência.

O período de carência varia de banco para banco, mas, por norma, pode ser de seis a 24 meses, o que poderá aliviar o seu orçamento familiar durante esse período.

Para quem quer comprar a primeira casa e está no início da sua carreira profissional e, por isso, tem um orçamento mais reduzido; ou para quem, por via de uma redução de rendimentos se encontra em dificuldades financeiras e quer renegociar o seu crédito, a carência de capital pode ser uma opção.

contrato de crédito habitação

Vantagens da carência de capital

A principal vantagem é a redução da prestação mensal durante o período da carência já que, durante esse período, só irá pagar juros sobre o capital em dívida.

Desvantagens da carência de capital

A prestação mensal após o período de carência será mais alta do que num crédito habitação sem carência, já que irá amortizar o capital em dívida num período de tempo mais curto.

Por exemplo, se o empréstimo for de 30 anos com carência de capital de 24 meses, então, o capital será reembolsado não em 30 anos, mas em 28 anos. Isto significa que a prestação mensal após o período de carência será mais elevada.

O montante total de juros pagos também é maior, pois como durante o período de carência não vai reduzir o capital em dívida, nesse período irá pagar juros sobre a totalidade do capital.

O custo total do empréstimo será, então, mais elevado. Ou seja, a soma do capital e juros pagos será mais elevada do que se não existisse período de carência.

Diferimento de capital

O diferimento de capital no crédito habitação consiste em deixar para o final do empréstimo o reembolso de uma parte do capital do empréstimo que contratou (normalmente 30%). Ou seja, este valor será pago na última prestação.

Ou seja, se pediu um empréstimo de 100.000 euros com diferimento de capital de 30%, terá de pagar 30.000 euros de capital na última prestação.

Se, por um lado, a prestação durante o tempo do empréstimo é mais baixa, por outro tem de assegurar que no final do empréstimo tem capacidade para pagar o valor que deixou para o fim. No caso de não o ter, não estranhe se o seu banco lhe propuser a contratação de um novo empréstimo para liquidar o valor em falta.

Esta é uma solução a avaliar com muita cautela, principalmente no valor a diferir. Só deverá pedir se está momentaneamente com rendimentos baixos e tem a certeza que terá maiores rendimentos num futuro próximo, que lhe permitam pagar a última prestação sem complicações.

Vantagens do diferimento de capital

Prestação mensal mais baixa até à última prestação já que, ao diferir o capital, será menor a parcela de capital que pagará em cada prestação.

Voltemos ao nosso exemplo. Pediu 100.000 euros com 30% de diferimento de capital. Até à última prestação irá amortizar capital de 70.000 euros, reduzindo assim a parcela de capital na prestação.

Desvantagens do diferimento de capital

O custo total do seu empréstimo é maior do que num crédito à habitação normal ou com carência. Ao amortizar menos capital durante o prazo do empréstimo, irá pagar mais juros pois pagará juros sobre o total do capital, inclusive sobre a porção que deixou para pagar no fim.

O diferimento é, assim, a modalidade mais cara já que pagará sempre juros sobre o valor que diferiu.

Outra desvantagem prende-se com o valor da última prestação, que é muito alto. E poderá não ter fundos para pagar essa quantia e, por isso, é provável que tenha de contratar novo crédito.

Se vai comprar casa eis o que deve saber

Tenha em atenção que a carência de capital e o diferimento de capital apenas são indicadas para situações excecionais, pois o valor total do empréstimo irá ficar mais caro.

Assim, comece por comparar a oferta dos bancos. Opte pelo banco com melhores condições no crédito tradicional: na base, os produtos são iguais.

Para o ajudar vamos dar um exemplo do que pagaria ao contratar um crédito tradicional e se optar por ter carência de capital ou diferir parte do capital.

Quer contratar um crédito à habitação de 100.000 euros, à taxa de 4,5% e com um prazo de 30 anos. Os valores a pagar em cada uma das opções são os seguintes:

  1. Crédito de habitação tradicional: a sua prestação mensal será de 507 euros e total de juros pagos no final do empréstimo será de 82.407 euros.

2. Crédito de habitação com carência de capital de 12 meses: a sua prestação mensal durante a carências será de 375 euros e após a carência será de 515 euros. O total de juros pagos no final do empréstimo será de 83.718 euros.

3. Crédito de habitação com diferimento de capital de 30%: a sua prestação mensal até à última será de 467 euros e a última prestação será de 30.467 euros. O total de juros pagos no final do empréstimo será de 98.185 euros.

Ou seja, na modalidade de reembolso com carência de capital pagará mais 1.311 euros do que no crédito tradicional. Com diferimento de parte do capital, pagará mais 15.788 euros do que no crédito habitação tradicional.

Se quer renegociar o seu crédito à habitação

Se pretende renegociar o seu crédito à habitação tenha em atenção que existem outras opções para reduzir a sua prestação mensal, desde negociar a taxa de juro, a transferir o crédito habitação para outro banco.

Informe-se de todas as opções para poder decidir qual a mais adequada ao seu caso.

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