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Paula Landeiro
Paula Landeiro
15 Abr, 2021 - 10:05

Renegociar ou consolidar créditos, escolha a melhor opção para si

Paula Landeiro

O final das moratórias pode trazer alguma pressão financeira sobre o seu orçamento. Pode ser a altura para renegociar ou consolidar os seus créditos.

renegociar o crédito

Para as famílias que perderam rendimento durante a pandemia, as moratórias permitiram, durante o período em que estiveram em vigor, obter mais liquidez disponível ou em casos extremos, não perder a casa.

Mas o final das moratórias poderá significar uma pressão sobre o orçamento familiar. Se pensa que vai ter dificuldade em cumprir os seus compromissos financeiros, então é altura de pensar em renegociar ou consolidar os seus créditos junto do seu banco.

Comece por analisar o seu orçamento

Com as moratórias deixou de ter um gasto mensal com as prestações de crédito. Se optou por deixar de pagar capital e juros tenha em atenção que a prestação mensal irá aumentar, já que os juros que não pagou irão acrescer à dívida. Importa agora conhecer como ficará a sua situação financeira com o fim das moratórias.

Assim, a primeira coisa a fazer é analisar o seu orçamento.

Comece por calcular os rendimentos mensais.  De seguida, adicione todas as prestações com os créditos. Ao dividir o valor obtido pela soma dos seus rendimentos obtém a sua taxa de esforço que não deverá ser superior a 30%.

Ou seja, os gastos com prestações de crédito não deverão representar um encargo superior a 30% do rendimento do agregado familiar. Qualquer valor acima deste patamar poderá significar um potencial futuro incumprimento.

Com o seu rendimento mensal terá de suportar todas as restantes despesas do dia a dia, fixas ou variáveis (como alimentação, eletricidade, gás, telecomunicações), pelo que o valor de 30% para prestações de crédito é o considerado pelos bancos como seguro para que não haja risco de incumprimento.

Se o valor que obteve para a sua taxa de esforço é superior a 30%, chegou a altura de agir.

Renegociar ou consolidar os créditos: qual a melhor opção?

crédito banco

Se a sua taxa de esforço é superior a 30%, então o seu objetivo principal será reduzi-la. Para isso terá de reduzir a prestação mensal dos seus créditos e para o fazer tem duas opções à sua disposição: renegociar ou consolidar os seus créditos.

No entanto, há alguns cuidados a ter conta. O importante é que ao contactar o seu banco apresente o orçamento familiar. Mostre de forma clara os seus rendimentos, despesas gerais e prestações com os créditos. Explique porque quer renegociar crédito (ou consolidar) e reforce que o objetivo é o de continuar a cumprir com as suas obrigações financeiras.

Para o ajudar a decidir qual a melhor opção para si, juntamos uma explicação simples sobre ambas.

Renegociar créditos

Renegociar créditos significa alterar as condições do crédito tendo sempre como objetivo reduzir a sua prestação mensal. Existem várias maneiras de o conseguir, todas com vantagens e desvantagens inerentes. Conheça algumas

1. Prolongar o prazo de reembolso do crédito

Quanto maior o prazo do crédito, menor será a prestação mensal, já que o empréstimo será amortizado em mais meses do que o inicialmente acordado. Mas, a longo prazo, o custo total do empréstimo será maior já que terá de pagar mais juros.

Tenha em atenção o MTIC (Montante Total Imputado ao Crédito) que consta do seu contrato ou da proposta que lhe será feita. Este valor corresponde à soma do capital e de todos os custos associados ao empréstimo, nomeadamente juros, comissões bancárias, impostos e outros encargos.

2. Negociar a taxa de juro

Se o seu crédito tem uma taxa de juro indexada à Euribor, pode negociar o spread, ou seja, o valor que acresce à Euribor. A redução do spread leva a uma redução da prestação mensal, bem como do custo global do financiamento.

A outra opção será a de alterar a sua taxa variável para taxa fixa. Tenha, no entanto, em atenção que uma taxa fixa reduz a incerteza quanto ao montante de juros a pagar, mas se a Euribor baixar pode deixar de ser compensador.

Se, por outro lado, o seu crédito tem uma taxa de juros fixa, e se a considera alta, tente baixar o valor ou mesmo negociar uma taxa de juro variável. Em qualquer dos casos tenha sempre em vista a redução da prestação mensal.

3. Negociar um período de carência

Poderá negociar um período de tempo durante o qual apenas pagará juros, não tendo de pagar capital. Esta opção permitirá reduzir no período acordado a prestação mensal, mas nos seguintes esta será maior.

4. Alterar o plano de pagamento

Os créditos têm por norma amortização de capital durante toda a vida útil do empréstimo. Por forma a reduzir a prestação poderá negociar a alteração desta amortização.

Poderá, por exemplo, propor que no final do empréstimo seja liquidada uma maior parte do capital. Desta forma, o prazo mantém-se, apenas se altera o regime de amortização do capital. A sua prestação baixa, mas no final terá de pagar um valor avultado de capital.

Consolidar créditos

Se tem vários créditos, a sua consolidação pode ser a solução para reduzir a prestação mensal.

Os créditos pessoais, embora de valor mais baixo, por serem de prazo mais curto, são aqueles que têm muitas vezes um peso maior nas responsabilidades financeiras.

Assim, se tiver vários créditos ao consumo, quer pessoais quer de cartões de crédito, considere a hipótese de os juntar num só. Some os valores em dívida e junto do banco proponha a concessão de um crédito que lhe permita liquidar a totalidade de créditos que tem.

Ao fazer esta consolidação ficará a pagar um único crédito a um único banco. Ficará a pagar uma prestação, mais baixa do que o somatório das anteriores, além de ser mais fácil a respetiva gestão, já que mensalmente apenas terá de fazer um pagamento. No entanto, se o crédito consolidado for um crédito pessoal, o prazo não será muito alargado.

Consolidação com hipoteca

Para uma redução mais significativa na prestação, a opção poderá passar por uma consolidação com hipoteca.

Neste caso, a totalidade dos créditos é convertido num único, tendo como garantia um imóvel (habitação própria ou secundária), mas com prazo pagamento e taxa de juro idênticos ao do crédito habitação.

Em termos simples, se atualmente paga uma taxa de cerca de 10% sobre os seus créditos ao consumo, passaria a pagar no crédito hipotecário cerca de 1%. Deste modo, a prestação seria bastante menor quer pelo aumento do prazo quer pela  a redução significativa da taxa de juro a aplicar.

Em suma, se pensa que o fim das moratórias ou a situação económica atual lhe pode trazer problemas em cumprir os seus compromissos financeiros, não adie. Analise o seu orçamento, calcule a taxa de esforço e negoceie junto do seu banco soluções para reduzir as prestações mensais.

Em última instância, se não chegar a acordo com o seu banco quanto à renegociação dos seus créditos, pondere transferir o seu crédito para outro banco. Como muitas entidades bancárias a tentar angariar novos clientes é possível que consiga uma oferta mais competitiva.

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