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Olga Teixeira
Olga Teixeira
28 Mar, 2022 - 10:00

Como enfrentar a subida de custos? Saiba como preparar o orçamento

Olga Teixeira

A subida de custos está a abalar o seu orçamento familiar? Saiba o que fazer para minimizar o impacto do aumento das despesas.

Como enfrentar a subida de custos

A subida de custos já está a ser sentida por muitas famílias. O aumento das despesas é inevitável e, por isso, esta é a altura certa para fazer alguns ajustes no seu orçamento. Quanto mais cedo começar, menor será o impacto.

Basta ir ao supermercado ou abastecer o carro para perceber que está a gastar mais dinheiro. Infelizmente, esta tendência não deve inverter-se nos próximos tempos.

Assim, como os seus rendimentos não devem crescer na mesma proporção das despesas, está na altura de pegar na calculadora e começar a fazer algumas contas.

Veja como pode manter o orçamento familiar equilibrado apesar da subida de custos.

Subida de custos: o que está a aumentar e porquê

O ano de 2020 trouxe uma pandemia e dificuldades financeiras para empresas e famílias. Em 2021, a inflação regressou e, em 2022, os horrores da guerra e a seca criam um cenário igualmente preocupante.

No Boletim Económico, o Banco de Portugal (BdP) explica como esta conjugação de fatores está a ter impacto na economia nacional e mundial: “A invasão da Ucrânia pela Rússia contribui para limitar o dinamismo económico e para intensificar as pressões inflacionistas. O impacto negativo sobre a atividade decorre do agravamento da subida dos preços das matérias-primas, da redução da confiança dos agentes económicos, da turbulência nos mercados financeiros e dos efeitos das sanções comerciais e financeiras impostas à Rússia”. 

As previsões do BdP apontam para uma inflação de 5,9% em 2022 e para uma redução no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) “devido à quinta vaga da pandemia no final de 2021 e primeiras semanas de 2022 e ao conflito militar, a par da redução do poder de compra devido à inflação e às hipóteses externas menos favoráveis”.

Ou seja, em 2022 podemos esperar um cenário de subida de custos (e de alguma incerteza) quanto ao momento da recuperação.

Os aumentos

O aumento no preços dos combustíveis tem sido um dos mais notados e não deve abrandar, pelo menos por enquanto. Com o preço do petróleo a aumentar, a descida no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e uma redução no IVA dos combustíveis (que tem de de ser autorizada por Bruxelas) surgem como medidas para ajudar a reduzir o impacto da subida.

A eletricidade, que já tinha subido em 2021, vai continuar a aumentar. A ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos anunciou um aumento de 3% na fatura dos clientes do mercado regulado. Um aumento que vai também chegar aos consumidores do mercado liberalizado.

As taxas de juro (e por consequência a Euribor) devem aumentar a curto prazo. Portanto, se tem um crédito, pode contar com uma prestação maior ainda este ano.

A inflação, como o próprio BdP indicou, está numa tendência de crescimento. O que significa que muitos preços vão subir ainda mais.

A todos estes fatores, juntam-se a seca e a subida (e escassez) no preço das matérias-primas, fertilizantes e alimentos como cereais.

Ou seja: vai mesmo gastar mais dinheiro em 2022. O seu orçamento familiar consegue suportar uma subida nas despesas?

3 formas de se preparar para a subida de custos

Apesar de ser inevitável, a subida de custos pode ter um impacto menor na sua carteira se souber como lidar com estes aumentos.

A menos que os seus rendimentos aumentem na mesma proporção, está na altura de olhar para a sua vida financeira e fazer algumas mudanças.

1. Analisar despesas e perceber como cortar

Cortar nas despesas pode parecer um lugar comum. No entanto, é a forma mais fácil e imediata de ter mais dinheiro disponível ao longo do mês, mesmo com a subida dos custos.

Analise bem os seus gastos, sem esquecer as despesas fantasma e comece por cortar o que está a a mais. Ou seja, aqueles gastos totalmente dispensáveis, incluindo pagar por serviços que não usa.

Depois, avalie as despesas essenciais e perceba como pode reduzi-las. Baixar o spread do crédito habitação, renegociar seguros ou comparar tarifas de fornecedores de eletricidade ou telecomunicações são algumas formas de baixar os gastos mensais.

E, claro, há pequenos hábitos diários que podem representar uma grande poupança nas contas mensais.

2. Aproveitar benefícios e alternativas low cost

Em tempos de subida de custos qualquer ajuda é bem-vinda. Por isso, é importante conhecer os apoios disponíveis para reduzir despesas, como é o caso do AUTOvoucher.

As famílias mais carenciadas vão receber um apoio no valor de 60 euros. O apoio extraordinário às famílias mais vulneráveis ao aumento dos preços de bens alimentares é uma das medidas do Governo para minimizar o impacto económico da guerra na Ucrânia.

O apoio é pago pela Segurança Social. A atribuição é automática e abrange, numa primeira fase, as famílias que em março de 2022 beneficiavam da tarifa social de eletricidade. Numa segunda fase, em maio, este apoio será pago às famílias beneficiárias de prestações mínimas, uma vez que o Governo decidiu alargar o apoio a mais famílias.

Tal como a tarifa social de eletricidade, a tarifa social da água ou a tarifa social da internet são medidas que as famílias com recursos mais baixos devem aproveitar para fazer face à subida de custos.

Mesmo que os seus rendimentos não permitam aceder a estes apoios, existem soluções low cost para quase tudo: das marcas brancas a contas bancárias de serviços mínimos ou sem comissões, passando por vários produtos e serviços, são muitas as opções para gastar menos.

3. Fundo de emergência

Se ainda não tem um fundo de emergência, aproveite as poupanças que fez em despesas e serviços para criar um.

O fundo de emergência é, como o nome indica, uma poupança que permita fazer face a alguns meses de despesas. Quantos? Comece por pensar em poupar o equivalente aos seus gastos num mês e a partir daí pode pensar em criar um fundo de emergência para 3, 6 ou 12 meses.

Como criar um fundo de emergência
Veja também Como criar um fundo de emergência: guia passo a passo

As 2 regras básicas do fundo de emergência

Há duas regras fundamentais no que respeita ao fundo de emergência. A primeira é que este dinheiro é mesmo para emergências. Por isso, deve resistir à tentação de recorrer a essa poupança para outras despesas.

O mais provável é que não reponha o que tirou e esse pé-de-meia acaba por desaparecer. Esta é uma das razões para não guardar esse fundo em casa, porque estará facilmente acessível.

Outra regra é que o fundo de emergência deve estar disponível caso surja alguma despesa urgente. Assim, e embora possa ser mais rentável aplicar esse dinheiro num PPR, em certificados de aforro ou num depósito a prazo, é preferível tê-lo numa conta poupança, para que possa ter acesso ao montante que precisar de forma quase imediata.

Investir ou poupar?

Embora fazer investimentos seja uma boa forma de fazer render o seu dinheiro, criar um fundo de emergência deve ser o primeiro passo. Pode poupar um pouco todos os meses e reforçar essa poupança com um reembolso do IRS ou subsídio de férias.

Assim, se a subida de custos reduzir o seu orçamento mensal, terá sempre uma poupança para usar em caso de doença, desemprego ou outro imprevisto.

Casal a colocar moeda num mealheiro
Veja também Poupar sim, mas de forma sustentada (e bem informada)

Fontes

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