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Olga Teixeira
Olga Teixeira
26 Out, 2020 - 16:49

Tem um crédito habitação? Saiba como poupar no seguro de vida

Olga Teixeira

Poupar no seguro de vida, sobretudo se associado a um crédito à habitação, é uma forma de reduzir as despesas associadas à compra de casa. Veja o que fazer.

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Sabe como poupar no seguro de vida, mantendo-se protegido caso algo aconteça? Conhecer o tipo de seguro que tem, comparar preços e saber negociar são algumas formas de conseguir alguma poupança. Mas atenção, que quando se fala em seguros de vida, escolher um mais barato nem sempre é a melhor opção.

Os seguros de vida são muitas vezes feitos quando se tem um crédito à habitação, mas podem ser contratados em qualquer altura. No fundo, é uma forma de garantir que, em caso de morte da pessoa segurada, os beneficiários são compensados. E, no caso do crédito à habitação, que a casa fica paga.

Mas não só. Um seguro de vida pode abranger outras coberturas complementares, como risco de invalidez, de acidente ou de desemprego.

No entanto, existem também seguros de vida em que a pessoa recebe um determinado valor se estiver viva no final do contrato. Neste caso, o seguro de vida funciona como uma poupança, ou como uma forma de, atingindo determinada idade, ter como pagar as despesas associadas aos cuidados necessários.

SEGURO DE VIDA CRÉDITO À HABITAÇÃO: É OBRIGATÓRIO?

Por lei, um banco não pode exigir que seja feito um seguro de vida para que se obtenha um crédito à habitação. Mas a verdade é que é muito difícil conseguir um empréstimo para comprar casa sem o fazer. Confuso?

Vejamos: como se trata de um empréstimo de um valor elevado, os bancos querem garantir que, caso algo de grave aconteça, não deixarão de receber as prestações e a casa não ficará por pagar. Por outro lado, quem faz o crédito quer garantir que, em caso de morte, os familiares não herdam uma dívida pesada. Assim, e ao fazer um seguro de vida, estará a assegurar que nenhuma das partes fica a perder.

Além disso, ao subscrever este tipo de seguro pode beneficiar de melhores condições no seu empréstimo. Se este estiver associado aos outros seguros obrigatórios, como o multirriscos, as condições podem ser mais favoráveis.

Por isso, e em alguns casos, compensa fazer estes seguros na seguradora associada ao banco. No entanto, e apesar de esta ser uma forma de poupar no seguro de vida, não pode ser forçada. Ou seja, a entidade bancária não pode impor-lhe um determinado seguro como condição para lhe dar crédito.

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As obrigações da lei

A lei determina também que, caso o seu banco lhe queira propor um seguro de vida, este deve ter um conteúdo mínimo. Deve ser identificado o capital seguro e o valor em dívida à instituição de crédito, sendo que estes dois montantes devem ser atualizados simultaneamente. Isto é, à medida que o valor em dívida diminui, o prémio do seguro deve descer. Uma descida que pode ser anulada pelo fator idade, como veremos mais adiante.

Existem, igualmente, várias informações que devem ser prestadas pelo banco no caso de o seguro de vida ser condição essencial para obter o crédito à habitação. Por exemplo, esclarecer a quem é paga a indemnização em caso de morte ou declarar que os clientes têm o direito de optar pelo seguro de vida que quiserem.

COBERTURAS E EXCLUSÕES

Poupar no seguro de vida não deve significar que fique menos protegido. Ou seja, um seguro mais barato pode querer dizer que, caso algo corra menos bem, poderá não receber a proteção que esperava.

Assim, e ao fazer as contas para poupar no seguro de vida, analise bem as coberturas e exclusões.

Cobertura IAD ou ITP?

No caso do seguro de vida associado ao crédito à habitação, e embora possa não parecer, há uma grande diferença entre a cobertura por Invalidez Total e Permanente (ITP) e a Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD).

Nos seguros com cobertura ITP, o seguro pode ser acionado se de uma doença ou acidente resultar uma incapacidade de 66,6%, que impeça o segurado de exercer uma atividade profissional.

Se tiver uma cobertura IAD, o grau de incapacidade tem de ser superior a 80%. Isto é, tem de receber assistência de terceiros para satisfação das suas necessidades mais básicas.

Em suma, uma cobertura por Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD) pode até representar uma poupança no prémio, mas no caso de sofrer um acidente ou um AVC, mesmo que não possa trabalhar, vai ter de continuar a pagar a casa.

Exclusões e penalizações

Ao analisar o seguro deve ter também atenção às exclusões, ou seja, ao que não está coberto. São comuns exclusões como morte ou invalidez causadas por suicídio, crimes, consumo de álcool ou drogas ou desportos mais perigosos.

Ao contratar um seguro de vida terá de responder a perguntas sobre a sua saúde e, eventualmente, fazer exames médicos. Se, por exemplo, teve uma doença oncológica, poderá ver aumentado o valor do seu prémio.

Por outro lado, e como o valor do prémio deve refletir o risco, situações como a hipertensão, tabagismo ou historial clínico podem agravar o valor a pagar.

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Veja também Discriminação financeira: somos todos iguais para bancos e seguradoras?

FORMAS DE POUPAR NO SEGURO DE VIDA

Supostamente, e à medida que a dívida ao banco vai sendo paga, o valor do seguro também deveria descer. Assim, quanto mais amortizasse ao empréstimo, mais conseguiria poupar no seguro de vida.

A lei diz mesmo que o banco deve informar a seguradora sobre “a evolução do montante em dívida ao abrigo do contrato de crédito à habitação”. Determina, também, que seja feita imediatamente a atualização do capital seguro.

Se tiver pago a mais, o acerto faz-se “creditando ou restituindo ao segurado as quantias entretanto pagas no âmbito do contrato de seguro”.

Assim, e se não sabe se a atualização está a ser feita, analise os documentos ou fale com o seu mediador. É que, muitas vezes, esta obrigação não está a ser cumprida, sobretudo em contratos anteriores a 2009, ano em que a lei foi publicada.

Como esta atualização permite poupar no seguro de vida, é importante garantir que está realmente a ser feita.

No entanto, não se esqueça que, à medida que o tempo passa, não é só o valor do empréstimo que diminui. A sua idade também aumenta, o risco de morte é maior e, por consequência, o valor do prémio também sobe.

Perante isto, será que é mesmo possível poupar no seguro de vida? É, desde que saiba o que fazer.

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Passo 1: saber o seguro que tem

Como vimos, nem sempre conhecemos as coberturas, exclusões e outras alíneas dos contratos de seguros. E, para pode comparar e poupar, é importante saber o que se tem. Só assim estará em condições de perceber se as outras propostas compensam ou se, pelo contrário, vai pagar menos, mas também terá menos benefícios.

Analise bem a sua apólice, converse com o seu mediador e perceba se, dentro das condições que tem, existem outros seguros mais baratos.

Outra dica é saber quanto vai pagar ao longo do empréstimo. Como vimos, o prémio vai aumentar à medida que envelhece. Por isso, pode pedir uma simulação sobre quanto vai pagar em cada ano, até ao final do crédito.

Se achar o valor excessivo, o melhor é começar a procurar uma alternativa.

Passo 2: Negociar

Será possível poupar no seguro de vida, mas ter um aumento na prestação da casa? Pode acontecer, sobretudo se fez o seguro junto do seu banco. É que, para conseguir um spread mais baixo, poderá ter de subscrever vários produtos e serviços. Ao desistir de um deles pode perder esse benefício.

O melhor é fazer as contas e ir ler as tais “letras pequeninas” do contrato. Se não estiver satisfeito com as coberturas, procure uma opção que se adeque às suas necessidades e compare valores.

É possível mudar de seguradora?

Tal como já vimos, e no caso de um seguro ter sido feito na seguradora ligada ao banco, mudar pode significar pagar mais pela prestação.

Ainda assim, se chegar à conclusão que vale a pena, pode vir a deparar-se com a intransigência do banco. Caso este lhe diga que não pode mudar de empresa de seguros, é altura, mais uma vez, de reler os documentos, nomeadamente a escritura.

Veja o que diz relativamente ao spread e, mesmo que fale em penalização, tente negociar. Ainda que não mude de empresa, pode ter, na mesma seguradora, uma opção mais barata do que a atual.

O segredo para poupar no seguro de vida é procurar uma alternativa ou, pelo menos, ficar a pagar menos pelo seguro que já tem.

Fontes

  • Diário da República Eletrónico Decreto-Lei n.º 222/2009 Medidas de protecção do consumidor em contratos de seguro de vida associados ao crédito à habitação
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