Ekonomista
Ekonomista
12 Ago, 2026 - 10:00

Lixo urbano: queixas sobem 10,5% e a fatura fica mais cara

Ekonomista

Reclamações sobre lixo urbano cresceram 10,5% até julho de 2026. Perceba porque paga cada vez mais na fatura da água e o que fazer perante falhas na recolha.

As reclamações relacionadas com lixo urbano aumentaram 10,5% este ano, mostram dados do Portal da Queixa. Até 30 de julho de 2026, foram registadas 220 queixas, mais do que as 199 do mesmo período de 2025.

O crescimento resulta de acumulação de lixo, falhas na recolha, contentores a transbordar e ausência de limpeza regular, sobretudo nos meses de verão: julho concentrou 23,64% das ocorrências e junho 19,55%.

Enquanto o serviço piora aos olhos de quem reclama, a fatura segue o caminho inverso. Em 2026, a gestão de resíduos urbanos custa em média 9,35 euros por mês a cada agregado familiar e o valor só tende a subir até 2030.

Onde o problema é mais grave

A Câmara Municipal de Lisboa lidera as reclamações neste segmento, com 17,73% do total, seguida de Sesimbra e Almada, ambas com 5,45%, e de Odivelas e Loures, com 5% cada.

O que mais preocupa, porém, é a velocidade a que o problema cresce em certos territórios. Moita e Funchal registam subidas de 500% nas reclamações. Torres Vedras aumenta 300% e Odivelas 120%. São números que não se explicam apenas por mais gente a reclamar, no fundo, apontam para uma degradação real do serviço em vários municípios ao mesmo tempo.

Este avanço nas queixas eleva também o peso do lixo urbano no total das reclamações dirigidas às câmaras: de 19,72% em 2025 para 20,79% em 2026. Ou seja, a limpeza urbana ocupa hoje uma fatia maior das insatisfações dos munícipes do que ocupava há um ano.

Veja também Trocar contador de água: empresa pode fazer sem autorização do proprietário?

Quando o lixo deixa de ser só um incómodo

Vários relatos recebidos pelo Portal da Queixa vão além do desconforto estético e apontam para riscos concretos de saúde pública: infestações de ratos e insetos, maus odores persistentes e degradação das condições de salubridade em edifícios habitacionais.

Há ainda casos de pragas que chegam ao interior das casas, entulho acumulado em espaço público e atrasos — ou mesmo ausência total — de intervenção por parte das entidades responsáveis. A Agência Portuguesa do Ambiente já tinha alertado que a produção de resíduos tende a aumentar no verão, apontando agosto como o mês mais crítico. Se a tendência de julho se mantiver, o pico do problema pode ainda não ter passado.

Quanto custa mesmo o lixo em casa

Aqui entra a parte que raramente aparece nas notícias sobre reclamações: o que se paga por este serviço, e porque tende a aumentar independentemente da qualidade prestada.

A taxa de resíduos sólidos urbanos (TRSU) surge na fatura da água, ao lado do abastecimento e do saneamento. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), o encargo tarifário médio de uma família portuguesa para um consumo de referência de 10 m³ soma 34,65 euros por mês em 2026, dos quais 9,35 euros (27% do total) correspondem à gestão de resíduos urbanos. Em termos anuais, são 112,20 euros só nesta componente.

Consulte a fatura da água para confirmar o valor exato pago pelo agregado, já que o encargo varia consoante o município e a entidade gestora.

Este valor tende a subir. A Taxa de Gestão de Resíduos (TGR), cobrada às entidades gestoras e frequentemente repercutida na fatura das famílias, aumenta 5 euros por tonelada a cada ano entre 2026 e 2030, dos atuais 35 euros para 60 euros por tonelada no final do período.

A DECO PROteste já veio alertar que este aumento é justo quando dirigido a quem gere os resíduos, mas problemático quando cai diretamente sobre as famílias, sem qualquer benefício para quem recicla mais e produz menos lixo indiferenciado. Na prática, paga-se mais por um serviço que, segundo os dados do Portal da Queixa, está a piorar em várias zonas do país.

despesas que paga na fatura da água
Veja também Sabe quais são as despesas que paga na fatura da água?

O que fazer perante falhas na recolha

Perante contentores a transbordar ou recolha em atraso, há um caminho a seguir antes de desistir do problema.

O primeiro passo é reportar diretamente à câmara municipal, normalmente através do portal do munícipe ou da linha de atendimento da entidade responsável pela limpeza urbana. Se a resposta não chegar em tempo razoável, a reclamação pode seguir para o Portal da Queixa, que regista precisamente este tipo de ocorrência.

Quando o problema persiste, existe ainda outra via: a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos aceita reclamações sobre a qualidade dos serviços de gestão de resíduos urbanos, com resposta prevista entre um e dois meses. É uma opção relevante para quem sente que continua a pagar o mesmo valor por um serviço que não cumpre o que promete.

Um custo que não para de subir

O aumento de 10,5% nas queixas não é só um sinal de insatisfação. É o retrato de um serviço que cobra mais todos os anos sem garantir que a qualidade acompanha o preço. Reportar falhas tem custo zero e é o único caminho para que a fatura, cada vez mais pesada, corresponda a um serviço à altura.

Mantenha-se atualizado sobre os custos que pesam no seu orçamento doméstico. Subscreva a Newsletter Ekonomista e receba todas as semanas, as taxas, tarifas e mudanças que afetam a sua fatura e as estratégias para as reduzir.

Fontes

Agência Portuguesa do Ambiente. (2026). Alerta sobre produção de resíduos no verão.

DECO PROteste. (2025). Taxa de gestão de resíduos não pode aumentar fatura da água. https://www.deco.proteste.pt/sustentabilidade/artigo/taxa-de-gestao-de-residuos-nao-pode-aumentar-fatura-da-agua

Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos. (2026). Encargo médio mensal dos serviços de águas e resíduos é de 34,65 euros em 2026. https://www.ersar.pt/pt_site-comunicacao_site-noticias_encargo_med_mensal_servicos_agua_residuos_2026.html

Veja também