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Inês Silva
Inês Silva
02 Ago, 2022 - 11:30

Mentiras no currículo: conheça as consequências

Inês Silva

É difícil arranjar emprego e, na ânsia por se destacar, muitos candidatos colocam mentiras no currículo… Conheça as mais frequentes.

mentiras no CV

Num mundo cada vez mais competitivo, há quem faça de tudo, mas mesmo de tudo, para conseguir o emprego dos seus sonhos. Nem que isso passe por distorcer um pouco a realidade. Sim, estamos a falar de mentiras no currículo.

Um estudo de 2015, do CareerBuilder, mostra que a maioria dos empregadores – cerca de 70% – gastam menos de cinco minutos na análise do currículo, e que metade – 48% – não perde nem dois minutos a olhar para o documento.

Talvez seja isso a fazer com que haja candidatos que façam de tudo para prender a atenção do recrutador, mesmo que para isso seja necessário tornar a experiência profissional e formação mais “adequada” à função a que se estão a candidatar.

Essa pode não ser uma boa decisão, até porque é cada vez mais comum que as empresas verifiquem os seus antecedentes, sobretudo para cargos de grande importância. Ou seja, mentir pode fazê-lo perder uma boa oportunidade.

Continue a ler e saiba porque não deve mentir no seu currículo e quais as mentiras mais frequentes.

Mentiras no currículo: o que são e que consequências podem acontecer

currículos criativos

Que tipos de mentira são usados no CV?

Podemos dividir as mentiras em dois tipos: as mentiras declaradas e as mentiras por omissão. Se bem que há quem considere que estas últimas não sejam mentir, mas nem sempre é assim. Principalmente se esta omissão for deliberada para induzir em erro os recrutadores.

As mentiras declaradas, como o nome indica, são as falsas declarações. Ou seja, é quando, por exemplo, coloca uma formação ou curso que não frequentou.

Naturalmente, as mentiras por omissão são as mais comuns. Podemos dizer que se tratam de meias-verdades, ou seja, são informações que não incluem toda a verdade.

Se há algumas que não são graves – por exemplo, usar informação irrelevante numa situação de procura de emprego, mas verdadeira, para tentar omitir períodos de inatividade no CV –, há outras que não são assim tão inocentes.

Por exemplo, indicar formação universitária sem ter terminado o curso ou frequência universitária sem ter passado da matrícula no ensino superior, podem ter contornos mais graves na sua relação com o empregador.

Quais as possíveis consequências de mentir no CV?

Podemos dizer que, grosso modo, as mentiras no currículo não incorrem, tecnicamente, em ilegalidade por não se tratarem de documentos oficiais/legais. No entanto, se estas mentiras estão relacionadas com, por exemplo, habilitações académicas e há falsificação de documentos oficiais, acredite que o mais provável é levar com um processo judicial em cima.

Mas podem existir mais consequências, legais ou não, no decorrer das funções do novo emprego, ora veja:

Perder o emprego

Se a entidade empregadora for confirmar as suas referências e descobrir que mentiu ou verificar que, afinal, não sabe fazer o que afirmou saber no CV, será a quebra total de confiança. O que é considerado uma falha grave de caráter e de ética profissional. Mesmo que seja uma pequena mentira ou omissão, como dizer que tem um diploma académico sem ter terminado o curso, ainda que apenas lhe falte um semestre para acabar.

Danos na sua reputação

Estamos na era digital, além de ser fácil ser apanhado, também é fácil para as empresas partilhar informações entre si. As notícias circulam facilmente, principalmente em áreas de atividade mais específicas e restritas.

Possível ação judicial

Não terá hipótese de defesa se o seu empregador o despedir por causa da mentira, será considerado um despedimento por justa causa. E isto é o mínimo que lhe pode acontecer, se a sua mentira causar danos a terceiros, acredite que poderá incorrer em crime e as consequências vão ser bem piores.

Quais as mentiras no currículo mais frequentes?

As secções do CV onde mais se mente são a educação, datas anteriores de emprego, cargos, competências técnicas e pessoais e conhecimento de línguas.

Línguas

A tentação é grande. Entre dizer que o seu inglês é “razoável” ou “excelente”… o “excelente” vai dar-lhe pontos na hora da entrevista. Mas não se esqueça que os seus conhecimentos de línguas estrangeiras que diz dominar são muito fáceis de testar num simples teste oral.

Competências

“Coordenador”, “gestor”, “capacidade de liderança” são palavras muito bonitas que não dizem nada e podem mascarar a pouca experiência que tem. Na realidade o mais certo era ser apenas mais um elemento da equipa.

Cargos

É outra mentira comum: exagerar um bocadinho na hora de falar dos cargos que ocupou nas antigas empresas, dar-lhe nomes pomposos e garantir que lhe deram competências para a função a que se candidata. Mais uma vez, não se esqueça que um simples telefonema para o antigo empregador a pedir referências pode deitar-lhe o esquema “por água abaixo”.

Formação académica

É muito comum que candidatos que ainda não completaram os cursos ou que até desistiram da universidade digam no currículo que são licenciados nessa área. Para manter a mentira teria que falsificar certificações, já que os empregadores pedem, geralmente, comprovativos das habilitações. Talvez seja melhor não ir por aí…

Motivo de despedimento

Quando lhe perguntam porque é que saiu da empresa anterior a tentação é sempre dizer que foi por livre e espontânea vontade, por questões familiares, porque pretende um novo desafio profissional… Quando na maioria das vezes foi despedido, não se esqueça que, hoje em dia, também isso é fácil de verificar.

As mentiras e tolices mais descabidas encontradas em currículos

O CarrerBuilder, há alguns anos, realizou dois estudos sobre o tema. Saiba quais foram algumas das mentiras mais descabidas, e inesquecíveis, elencadas pelos empregadores que responderam ao inquérito.

  • O candidato disse que era um ex-CEO da empresa a que se estava a candidatar;
  • Candidato disse que tinha conquistado um Prémio Nobel;
  • O candidato disse que tinha trabalhado numa prisão quando na realidade esteve a cumprir pena;
  • O candidato disse ter frequentado um colégio que não existiu;
  • Um candidato a motorista disse ter 10 anos de experiência quando só tinha carta de condução há quatro anos;
  • O candidato deu um empregador anterior como referência quando lhe tinha desviado dinheiro e existia um mandado de prisão em seu nome;
  • Histórico de emprego do candidato colocava-o a trabalhar em três empresas diferentes, de três cidades distintas, na mesma data…;
  • O candidato incluiu experiência profissional no seu currículo que era, de fato, do seu pai, já que tinham o mesmo nome;
  • O candidato disse que era assistente do primeiro-ministro de um país em que o cargo nem sequer existia;
  • Dar como exemplo três empresas por onde tinha passado nos últimos anos, mas ao confirmar dados o empregador descobriu que tinha trabalhado numa das empresas apenas dois dias, noutra por um dia e que nunca tinha sido funcionário da terceira;
  • Responder a um anúncio de emprego para ocupar um cargo na empresa da qual tinha sido demitido. No currículo, colocou a mesma empresa como antiga empregadora, mas afirmou que se tinha demitido.
  • O mesmo candidato respondeu duas vezes ao mesmo anúncio, mas com currículos diferentes…

Por que não deve incluir mentiras no currículo

Se ainda não compreendeu as razões, perceba que a mentira tem perna curta e, tem ainda, um efeito bola de neve.

Não só é fácil apanhá-lo na mentira, pois vai ser incapaz de cumprir os seus deveres profissionais, por exemplo, como ainda vai ter que criar mais mentiras para encobrir mentiras.

Além do stress e da ansiedade que uma situação destas acarreta, as mentiras podem sair do controlo rapidamente e as informações falsas prepetuarem-se, mesmo em situações básicas, porque os seus novos colegas vão fazer perguntas sobre o seu histórico profissional e pessoal.

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