Márcio Matos
Márcio Matos
03 Nov, 2022 - 15:02

Do Pinhão ao Pocinho pela magnífica linha do Douro

Márcio Matos

Embarque no comboio que faz o troço de Pinhão ao Pocinho e deixe-se maravilhar pelos encantos e paisagens durienses.

Estrada Nacional 222 percurso Régua Pinhão

De Pinhão ao Pocinho são 45 quilómetros de viagem, ao longo do belíssimo rio Douro. Pelo caminho, encontrará as mais deslumbrantes paisagens, compostas por barragens, vinhas e uma Mãe Natureza poderosa e impressionante.

Admire a barragem do Pocinho e usufrua de todo o cenário envolvente. Faça a viagem de regresso e continue a surpreender-se com as maravilhas do que é, para muitos, um dos mais belos percursos ferroviários de todo o mundo: o trajeto de Pinhão ao Pocinho.

Para chegar ao Pinhão, pode começar por apanhar no Porto o comboio MiraDouro, encetando aí uma magnífica viagem que não vai esquecer.

Do Pinhão ao Pocinho: 45 quilómetros de uma viagem incrível

O troço ferroviário existe desde 1887 e é considerado por muitos o mais belo da linha do Douro. A verdade é que a viagem de Pinhão ao Pocinho é cheia de encantos e pontos de interesse.

Com a abertura do troço até ao Pinhão, concluiu-se o principal propósito da Linha do Douro, que era estabelecer uma ligação ferroviária até esta região. No entanto, já nesta altura se planeava a continuação da linha até à fronteira com Espanha em Barca d’Alva, pelo que, em 23 de Julho de 1883, foi decretada a construção deste troço.

A linha foi aberta, assim, até ao Tua em 1 de Setembro de 1883, e até ao Pocinho no dia 10 de Janeiro de 1887. O troço entre esta estação e Côa foi inaugurado em 5 de Maio de 1887 e o troço entre Côa e Barca d’Alva em 9 de Dezembro de 1887, no mesmo dia que o troço internacional Barca d’Alva-La Fregeneda.

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Foz do Tua

Paisagem de vinhas entre o Pinhão e o Pocinho
Os deslumbrantes socalcos do Douro Vinhateiro

Este é o primeiro local de paragem, após a saída de Pinhão. Atualmente, o principal elemento de destaque da zona é mesmo a barragem do Tua. Do Pinhão ao Tua são cerca de 15 minutos. Após este primeiro apeadeiro, a viagem continua, atravessando locais e paisagens fascinantes, onde não pode perder locais como Alegria, Ferradosa, Vargelas, ou a Quinta do Vesúvio.

Se parar na Estação do Tua, não perca uma refeição no restaurante Calça Curta, mesmo ao lado da ferrovia e com uma vista deslumbrante sobre o Douro. as principais especialidades andam em torno dos peixes de rio em escabeche, o ensopado ou a caldeirada de enguias, sendo ainda poiso, na altura certa, dos aficionados de sável e lampreia.

Na ementa encontra ainda o polvo, as carnes de veado e javali, coelho bravo, perdiz e, claro está, a tradicional, e saborosa, feijoada à transmontana. A não perder.

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Freixo de Numão

Ruínas romanas
As ruínas romanas em Freixo de Numão

A paragem seguinte, imediatamente antes de Pocinho, é Freixo de Numão e nesta zona, é impossível não ficar a conhecer a história do Cachão da Valeira. Esta zona tão magnífica quanto perigosa, dificultava a navegação no Douro e foi destruída no século XVIII. Aliás, é ali que perde a vida o famoso Barão de Forrester, num naufrágio que ficou para a história da região.

Em meados do século XX, acabou por ficar em parte submerso pela barragem homónima, mas a garganta da Valeira é, ainda hoje, um símbolo incontestável desta região duriense.

3

Pocinho

Antiga ponte no Pocinho
O património ferroviário no Pocinho é testemunha de tempos passados

A viagem termina em Pocinho, onde além da barragem, pode admirar a paisagem envolvente e deliciar-se com os encantos da localidade. Os socalcos do Douro, de onde brotam vinhos de exceção, são um deleite para a vista.

Esta é uma aldeia do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que fica na margem esquerda do rio Douro. A pequena povoação local desenvolveu-se e cresceu, sobretudo, a partir da construção da estação ferroviária, no século XIX, a qual serviu como entreposto de mercadorias, como o minério e os produtos agrícolas.

Perto da aldeia, fica a Barragem do Pocinho, que liga os distritos de Guarda e Bragança. Além da barragem, vale a pena ficar a conhecer o centro de alto rendimento de remo do Pocinho, assim como a própria Estação Ferroviária do Pocinho, atual terminal da Linha do Douro.

Onde comer?

Posta de carne com alecrim

Falar do Pocinho ou ir ao Pocinho e não visitar a Taberna da Julinha é mesmo como ir a Roma e não ver o Papa. A fama deste local é incontestável – e como onde há fumo, há fogo, que é como quem diz, onde há muitos comentários positivos, é porque é sítio a ser explorado  –, pelo que não se deve dispensar uma ida até lá.

A Taberna da Julinha fica numa das poucas casas habitadas junto à estação de caminhos de ferro do Pocinho, entre a antiga ponte e a Barragem.

Esta é uma viagem pelos sabores da região. Nas entradas, podem encontrar-se um queijo de ovelha e uma chouriça do Bata Alves de Carviçais. Há alheira assada na brasa, omelete de espargos selvagens e cogumelos laminados, fritos em azeite com alho. Findos os saborosos aperitivos, eis o prato principal: Posta Mirandesa.

Cozinhada na brasa e mal passada por dentro, acompanhada por batata cozida também braseada. Finalmente, a sobremesa guarda dois ex-líbris da Taberna: o leite creme queimado (como se quer) e o requeijão com doce de abóbora (que bem sabe pecar assim…).

  • Morada: IP2, Nº 10, Vila Nova de Foz Côa, 5150-502 Pocinho
  • Telefone: +351 965 398 826
  • Preço médio p/ refeição: 20€
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