Miguel Pinto
Miguel Pinto
13 Ago, 2026 - 15:00

Entre a lagoa e o mar: o encanto intacto da Praia de Mira

Miguel Pinto

A Praia de Mira é uma das jóias da Costa de Prata, onde a tradição da arte xávega ainda sobrevive entre turistas e banhistas. Venha conhecer.

praia de mira

Entre Aveiro e a Figueira da Foz, a poucos metros de um extenso pinhal e de uma lagoa de água doce, estende-se uma das praias mais autênticas de Portugal, a Praia de Mira.

Não se trata apenas mais um destino de férias. É uma vila piscatória com identidade própria, onde a tradição da arte xávega convive com esplanadas modernas, ciclovias e areais que parecem não ter fim.

Para quem procura sol, mar e uma pitada de cultura local sem as multidões de outros pontos do litoral centro, este é um daqueles lugares que ficam guardados na memória.

O acesso faz-se com facilidade a partir da A17 (Autoestrada do Litoral Centro), com ligação direta à N334, e a estação ferroviária mais próxima é a de Mira-Gândara, na linha do Norte, a partir da qual existe transporte rodoviário até ao areal.

Quem viaja a partir de Lisboa ou do Porto encontra a praia a cerca de duas horas de automóvel, o que a torna uma escapadinha de fim de semana bastante acessível.

Praia de Mira: uma bandeira azul com história

vista da praia de mira

Poucos locais no mundo podem orgulhar-se do que a Praia de Mira ostenta. É a zona balnear com o galardão de Bandeira Azul mais antigo do planeta, distinção que mantém ininterruptamente desde 1987, ano em que este símbolo de qualidade ambiental foi atribuído pela primeira vez.

Ao longo de mais de três décadas e meia, a autarquia tem investido em infraestruturas de apoio ao banhista, nomeadamente balneários, chuveiros de praia, ecopontos, postos de primeiros socorros e nadadores-salvadores, o que faz desta uma praia particularmente segura e bem equipada para famílias.

O areal, largo e de areia fina, é ladeado por dunas e por um denso pinhal que ajuda a fixar o cordão dunar e protege a paisagem envolvente.

Todo este conjunto (dunas, lagoa e mata) está classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, sob a designação “Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas”, pelo valor ecológico reconhecido a nível europeu.

Também a Praia do Poço da Cruz, mais a sul e de carácter mais selvagem, integra o concelho e detém Bandeira Azul desde 2007, sendo uma excelente alternativa para quem procura tranquilidade e boas ondas para a prática de surf e parapente.

Desportos de água e outras atividades no areal

A qualidade constante da ondulação faz da Praia de Mira um ponto de referência para os praticantes de surf, bodyboard e kitesurf, com escolas locais disponíveis tanto para iniciantes como para quem já domina a prancha.

Nos últimos anos, o padel também ganhou terreno junto à zona balnear, somando-se às opções de lazer ativo.

Para além do banho, a marginal oferece um passeio pedonal e ciclável que acompanha o litoral, ideal para caminhadas ao final da tarde ou para pedalar sem pressa, com vista permanente sobre o oceano.

Vista aérea da Foz do Arelho
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A Barrinha de Mira: lagoa que faz a diferença

Um dos elementos que distingue esta praia de tantas outras da costa portuguesa é a proximidade imediata com a Barrinha, uma lagoa de água doce separada do mar apenas por uma faixa de areal e dunas.

É possível caminhar ou pedalar à sua volta pelos passadiços da Avenida da Barrinha, alugar gaivotas para um passeio tranquilo pela água ou simplesmente sentar numa esplanada e apreciar o pôr do sol refletido no espelho de água.

A zona é ainda um ponto privilegiado para a observação de aves, com cerca de duas centenas de espécies já catalogadas na região.

Arte xávega: uma tradição viva na Praia de Mira

barco de arte xávega

Os primeiros registos da arte xávega na Praia de Mira remontam a meados do século XVIII, e esta forma ancestral de pesca continua, ainda hoje, a fazer parte do quotidiano da vila.

Ao amanhecer, os mestres das companhas locais avaliam as condições do mar e, se estas forem favoráveis, dão o sinal de partida: os barcos de madeira em forma de meia-lua lançam-se pela rebentação para largar as redes, que depois são puxadas até à praia com o auxílio de tratores, numa cena que continua a atrair curiosos e fotógrafos.

Quem quiser aprofundar esta história pode visitar o Museu Etnográfico “Palheiros de Mira”, junto à Avenida da Barrinha, onde se recriam as tradições da comunidade piscatória e se pode admirar maquetas dos antigos palheiros.

Gastronomia: sabores que sabem a mar

Depois de um dia inteiro ao ar livre, a oferta gastronómica local recompensa qualquer apetite.

O peixe fresco, vendido praticamente à porta do mar quando as companhas regressam da faina, é o protagonista incontornável das mesas de Mira, com destaque para a caldeirada, preparada segundo receitas transmitidas de geração em geração e já com reconhecimento que ultrapassa as fronteiras do concelho.

Os mariscos, o polvo e os pratos à base de bacalhau completam uma oferta que faz jus à tradição marítima da região.

Arredores a não perder

A poucos minutos de distância, a Costa Nova, com as suas famosas casas às riscas coloridas, e a Ria de Aveiro completam qualquer visita à região.

Também a Praia da Vagueira, mais a sul, e a cidade de Aveiro, com os seus canais e moliceiros, são paragens fáceis de encaixar numa escapadinha mais longa pela Costa de Prata.

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