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André Freitas
André Freitas
30 Jan, 2020 - 11:40

Saiba quais são os problemas mais comuns nos carros diesel

André Freitas

Quer comprar um carro a gasóleo? Antes de avançar com o negócio, saiba quais os principais problemas dos carros a gasóleo.

mangueira de gasolina

Optar entre um carro a gasolina ou a gasóleo ainda hoje é um dos principais debates para quem está a pensar comprar um automóvel novo. Porém, apesar das várias análises e pensamentos diferentes, a dúvida permanece.

Ainda assim, a realidade é que os carros a gasóleo, apesar de financeiramente mais atrativos no que ao consumo e gastos em combustível diz respeito (o preço por litro é menor e gastam menos), estão em vias de extinção.

Consequência (ou não) do “Dieselgate”, na Europa, a venda deste tipo de automóveis tem diminuído e diversas cidades já anunciaram que vão proibir a sua circulação nos grandes centros urbanos devido às emissões poluentes dos motores a diesel.

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mostrador diesel

Será que deve mesmo apostar na compra de um carro a gasóleo? Está na altura de fazer “contas à vida”.

1. Filtro de partículas

O tão falado filtro de partículas. Muito provavelmente, o filtro de partículas (FAP ou DFP) vai ser um dos problemas com o qual vai ter que lidar caso tenha um carro diesel fabricado a partir do ano 2000.

Este filtro tem como função reter as partículas nocivas emitidas pelo motor e queimá-las para que estas não sejam expelidas através do tubo de escape.

O problema é que quando os trajetos realizados são na sua maioria urbanos e o filtro não chega a atingir temperaturas que permitam queimar as partículas, ou seja, não consegue efetuar a regeneração passiva das partículas, estas ficam acumuladas no filtro.

A regeneração passiva das partículas acontece quando o veículo circula a mais de 2500/3000 rpm e o filtro consegue atingir temperaturas elevadas que irão queimar a fuligem presente no seu interior.

O que é que acontece se não for realizada a regeneração das partículas?

Se o ciclo de regeneração do filtro de partículas não for finalizado com frequência e as partículas se forem acumulando no filtro, o que vai acontecer é que surgirão outros problemas noutras peças do veículo.

Alguns desses problemas são:

  • avaria no motor ou no turbo: esta é uma avaria muito grave e uma consequência do facto de as partículas ficarem presas na parte cerâmica do filtro e este ficar totalmente obstruído;
  • aumento do consumo de combustível: a centralina aumenta o consumo de combustível para tentar completar o ciclo de regeneração do filtro;
  • modo de segurança: alguns veículos têm um limitador que se ativa quando o filtro se encontra obstruído, quase que “obrigando” o condutor a dirigir-se a uma oficina, uma vez que não consegue utilizar o veículo de forma normal;

Qual a solução para este problema?

A substituição do filtro por um novo é a solução ideal.

Contudo, este procedimento tem custos muito elevados, na ordem dos 1000 ou 2000 euros.

É devido a estes valores que muitas pessoas optam por uma alternativa nada recomendável: removem o filtro de partículas por completo.

Outras das opções passam por fazer a regeneração forçada do filtro, a limpeza do mesmo ou a substituição por um filtro de “marca branca”.

2. Injetores de combustível

Os injetores de combustível têm duas funções: diminuição do consumo de combustível e diminuição da emissão de gases poluentes.

As falhas relacionadas com estes injetores estão  geralmente associadas à fraca qualidade do combustível utilizado.

A baixa qualidade do diesel, nomeadamente o seu poder de lubrificação, potenciará um desgaste acelerado dos injetores, fazendo com que estes não injetem o combustível de forma adequada.

Problemas com os injetores de combustível podem acabar por acarretar vários outros problemas, nomeadamente:

  • diminuição do desempenho do motor: se a injeção de combustível não for realizada da forma correta, o motor perderá potência;
  • aumento do consumo do combustível: se o incorreto funcionamento dos injetores afetar a mistura de ar e combustível que entra no motor, é muito provável que o consumo de diesel seja mais elevado.

3. Válvula EGR

filtro de partículas carro

A válvula EGR (Exhaust Gas Recirculation) tem como propósito reduzir as elevadas temperaturas atingidas na câmara de combustão.

Estas temperaturas influenciam a produção de óxido de nitrogénio (NOx).

Em 1996 foi emitida uma normativa que tornou obrigatório todos os novos modelos automóveis incluírem a válvula EGR.

Esta peça, localizada entre o coletor de admissão e o de escape, baixa a temperatura da câmara de combustão ao redistribui os gases produzidos. Uma vez que entra menos oxigénio nos cilindros, a explosão é mais suave e, assim, são produzidos menos gases nocivos à saúde.

O funcionamento desta válvula é determinada pela informação recolhida pelos sensores do motor durante a aceleração.

Estes dados são enviados à centralina e é esta que define quando abrir ou fechar a válvula.

O problema?

Os gases estão cheios de cinzas e gorduras que, eventualmente, acabar por entupir a válvula e até mesmo o próprio circuito de admissão.

Se quiser conservar a válvula EGR, deve ter o cuidado de abastecer o automóvel com diesel de qualidade e evitar circular em rotações baixas.

A substituição desta válvula custa, aproximadamente, 350 euros.

Nunca arrisque a reparação desta peça. Se a reparação não for bem feita, podem acabar por surgir problemas ainda mais graves, nomeadamente no motor.

4. Turbo

O turbo, ou turbocompressor, tem como função forçar a entrada de ar na câmara de combustão de um motor com a finalidade de lhe aumentar a potência através do aumento da velocidade máxima e aceleração.

Mesmo fazendo a manutenção correta do turbo e tendo hábitos de condução preventivos, este acaba por se desgastar ao longo do tempo.

Contudo, existem fatores que podem acelerar os seu desgaste: a qualidade do próprio turbo e a qualidade do óleo utilizado.

O óleo tem como propósito evitar a acumulação de depósitos de carbono, que acabam por danificar o turbo. Para além disso, o óleo evita ainda que a temperatura suba acima do recomendável e provoque problemas no turbo.

Existem ainda outros fatores que podem danificar o turbo e que podem sair um pouco do controlo do proprietário do veículo: a entrada de pequenos objetos,  como folhas ou pequenas pedras, através da entrada de ar.

A acumulação destas partículas acabarão por diminuir o desempenho e vida útil do turbo.

Uma limpeza periódica ao sistema do turbo pode ser muito importante.

Retirar a gordura e resíduos acumulados no turbo custará, aproximadamente, entre 150 a 200 euros, no caso de ser necessário desmontar a peça.

Se for necessário, é possível ainda reconstruir o turbo. Este serviço poderá custar entre 300 e 350 euros.

5. AdBlue

AdBlue

O AdBlue é uma marca registada pela Associação Alemã da Indústria Automóvel e trata-se de uma solução aquosa composta por ureia (32,5%) e água desmineralizada.

Quando injetado no tubo de escape, o AdBlue transforma-se em amoníaco. Quando chega a um catalisador de redução seletiva (SCR), tem a função de converter o óxido de nitrogénio (NOx) em nitrogénio (N2) e oxigénio (O2).

Basicamente, a sua função é reduzir as emissões de NOx.

Em 2015, com a nova norma Euro 6, foi introduzido nos veículos diesel. Até essa data era apenas utilizado nos veículos pesados.

O AdBlue encontra-se armazenado na tampa azul que se encontra, geralmente, ao lado da tampa do depósito de combustível e, normalmente, tem um período de duração entre os  6000 e 8000 km em condições de utilização normal.

O seu consumo depende do tipo de condução do veículo, da temperatura do sistema interno e da temperatura ambiente, mas, em média, um automóvel consome entre 1,5 e 2,5 litros de AdBlue a cada 1000 quilómetros.

Qual é então o problema com o AdBlue?

São alguns… e semelhantes ao do filtro de partículas.

Em percursos urbanos e em situações em que o carro tem pouca utilização, o consumo de AdBlue aumenta.

Da mesma forma, se o AdBlue atingir níveis críticos e não for rapidamente reposto, o automóvel poderá limitar automaticamente a sua potência ou até impedir a ignição.

A solução para este problema é bem mais simples que os restantes, pois basta reabastecer o automóvel.

Mas antes de chegar a este ponto aposte na prevenção e nunca deixe este “aditivo” chegar a níveis demasiado baixos.

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