Miguel Pinto
Miguel Pinto
30 Jul, 2026 - 13:00

X Money: Elon Musk quer transformar o X num banco de bolso

Miguel Pinto

Elon Musk lançou o X Money, nos Estados Unidos, e ambiciona criar uma plataforma global, como a AliPay. Saiba como funciona este “banco”.

elon Musk lança X Money

O universo digital de Elon Musk ganhou mais uma peça no seu puzzle de “everything app”, o X Money. Depois de meses de testes por convite, a funcionalidade financeira integrada na rede social X foi finalmente lançada de forma alargada nos Estados Unidos, aproximando a plataforma do sonho antigo do empresário sul-africano de transformar o X num super-aplicativo semelhante ao WeChat ou ao Alipay chineses.

O que é o X Money?

O X Money é uma carteira digital e um sistema de pagamentos entre utilizadores (peer-to-peer) integrado diretamente na aplicação X, antiga Twitter.

O serviço funciona através da tecnologia e das licenças bancárias do Cross River Bank, uma instituição financeira parceira que serve de infraestrutura para dezenas de empresas de tecnologia financeira nos EUA.

Na prática, o X Money permite que os utilizadores enviem, recebam ou peçam dinheiro a outras pessoas dentro da própria rede social, sem taxas nem limites associados a essas transferências, segundo a própria empresa.

Principais funcionalidades do X Money

  • Conta de depósito, semelhante a uma conta bancária tradicional, onde o saldo pode gerar juros;
  • Sistema de pagamentos entre utilizadores, permitindo transferências diretas através do identificador (@handle) de cada conta;
  • Cartão de débito Visa físico, apelidado de “X Card”, com acabamento em metal e possibilidade de personalização com o nome de utilizador;
  • Reembolso de até 3% em compras elegíveis feitas com o cartão;
  • Levantamentos sem taxas em caixas automáticos em qualquer parte do mundo;
  • Integração com carteiras digitais, como a Apple Wallet e a Google Pay;
  • Transferências bancárias, envio de cheques por correio e pagamento de contas, funcionalidades típicas de uma conta bancária tradicional;
  • Depósito direto do salário, com possibilidade de acesso antecipado ao dinheiro em alguns casos.

A taxa de rendimento anual (APY) divulgada é de 6%. Os subscritores do plano Premium+ têm acesso imediato a essa taxa, enquanto os utilizadores do plano Premium standard precisam de associar um depósito direto para a alcançar.

Quem pode utilizar o X Money?

X Money

Para já, o acesso está limitado a residentes nos Estados Unidos, maiores de 18 anos, que sejam subscritores dos planos pagos X Premium ou X Premium+.

O lançamento está a ser feito de forma faseada, através de um sistema de pedido e lista de espera dentro da própria aplicação, pelo que nem todos os subscritores elegíveis recebem acesso imediato.

A empresa já assegurou licenças de transmissão de dinheiro em mais de 40 estados norte-americanos, encontrando-se ainda a aguardar aprovação regulatória nos restantes.

É seguro? O que acontece ao dinheiro depositado

Uma das questões mais frequentes sobre este tipo de serviço prende-se com a segurança dos fundos.

Como os depósitos são geridos através do Cross River Bank, uma instituição associada à FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), os saldos beneficiam, em princípio, da mesma proteção federal aplicada às contas bancárias tradicionais nos Estados Unidos, com cobertura até 250 mil dólares por conta.

Segundo alguma imprensa especializada, o X Money recorre ainda a um sistema de distribuição de saldos (“cash sweep”) por vários bancos parceiros, o que permitiria elevar a cobertura total do seguro de depósitos até 10 milhões de dólares por conta.

É um valor bastante superior ao oferecido por ferramentas de fintech populares como a PayPal ou a Venmo, que não possuem, por norma, este tipo de proteção direta.

Importa referir que, no momento do lançamento, o X Money funciona apenas com moeda tradicional (dólares), não incluindo ainda qualquer funcionalidade relacionada com criptomoedas.

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Um projeto antigo de Elon Musk

A ambição de Elon Musk em torno dos pagamentos digitais não é recente. Em 1999, fundou a X.com, uma startup de serviços financeiros que viria mais tarde a fundir-se com outra empresa, dando origem à PayPal.

O lançamento do X Money representa, assim, o regresso do empresário a um terreno que já explorara há mais de duas décadas, desta vez com a escala e a base de utilizadores da rede social X.

Musk já tinha deixado claro pretender que a plataforma cubra “toda a vida financeira” dos utilizadores, integrando pagamentos, poupança, cartões e, no futuro, potencialmente outros serviços financeiros.

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X Money chega à Europa?

Até ao momento, não existe qualquer indicação oficial de que o X Money vá estar disponível em Portugal ou noutros países europeus a curto prazo.

O lançamento está, para já, circunscrito ao mercado norte-americano, também devido à complexidade regulatória associada à obtenção de licenças bancárias e de transmissão de dinheiro em diferentes jurisdições.

Uma eventual expansão internacional dependerá da evolução do serviço nos Estados Unidos e das negociações regulatórias que a empresa venha a estabelecer noutros mercados.

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