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Um guia para tempos complicados
Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
20 Jul, 2021 - 10:40

2 mil euros: foi este o gasto de energia médio por família

Mónica Carvalho

INE divulgou hábitos de consumo de energia nas habitações em 2020. Apesar do gasto de energia médio ter diminuído, os portugueses pagaram mais.

gasto de energia

Os resultados preliminares do Inquérito ao Consumo de Energia no Sector Doméstico realizado em 2020 permitem compreender melhor os hábitos de consumo de energia nas habitações face à última edição do inquérito ocorrida em 2010. O dado que mais salta à vista é mesmo o gasto de energia médio, que representa um aumento da despesa por casa: 1.925€, quando em 2010, esse valor foi de 1.843€.

O estudo indica ainda que a eletricidade continua a ser a principal fonte de energia consumida pelos portugueses (46,4% em comparação com 42,6% em 2010), seguida da biomassa que representou 18,4% do total (24,2% em 2010). Também o consumo de gás natural aumentou e teve um peso de 12,4% (9,0% em 2010).

E onde é que estes gastos foram mais representativos?

Na cozinha, onde foi consumida 34,8% da energia, algo que já aconteceu 2010, ainda que os valores tenham diminuído (39,1%)  

Além disso, o peso do sector doméstico no consumo final de energia na última década situou-se entre 16,7% e 18,3%.

Principais resultados por tipo de utilização

lâmpadas económicas

Como indicamos, foi na cozinha que se concentrou a maior parte do consumo global (34,8%), a que se seguiu o aquecimento de águas com 22,0% e os equipamentos elétricos (21,4%), terminando nos sistemas de aquecimento do ambiente (19,1%).

Pode, então, verificar-se que o consumo de eletricidade assume um papel muito relevante no sector residencial, o que mostra uma evidente dependência desta fonte de energia na sociedade atual.

Em consequência, o gasto de energia estará “diretamente associado ao aumento do conforto térmico e ao crescimento do número de equipamentos elétricos disponíveis nas habitações, mas também a uma disponibilidade de equipamentos mais eficientes em termos de consumo.”

Em suma, o que mudou nos hábitos de consumo dos portugueses desde 2010?

Na última década, destacam-se as algumas alterações nos hábitos de consumo de energia dos portugueses significativas. A saber:

  • O consumo médio de energia por casa diminuiu, apesar de ter aumentado a despesa média;
  • A eletricidade continua a ser a principal fonte de energia consumida, mas de forma menos intensa que nos períodos anteriores a 2010;
  • A proporção do consumo de energia nos veículos no sector doméstico diminuiu;
  • O consumo mantém-se como a segunda principal fonte de energia;
  • O gás natural ganhou importância e foi, em 2020, a terceira principal fonte de energia no sector doméstico, ultrapassando gás de garrafa;
  • O consumo de energia solar térmica quase triplicou;
  • A utilização dos Sistemas Solares Térmicos aumentou no aquecimento de águas;
  • O gasóleo continuou a ser o principal combustível utilizado nos veículos, tendo-se reduzido o peso da gasolina.

Sobre o inquérito

O Inquérito ao Consumo de Energia no Sector Doméstico (ICESD), atualmente na 4ª edição, ocorreu anteriormente em 1989, 1996 e 2010. Desde a última recolha de dados, que aconteceu, então em 2010, registaram-se alterações nos hábitos de consumo de energia no sector doméstico em Portugal.

O período de referência para este estudo correspondeu a um ano completo: de outubro de 2019 a setembro de 2020. Como tal, foi um período diferente do habitual, visto que em muitos desses meses, os portugueses se encontravam em confinamento, devido à pandemia por COVID-19.

Assim sendo, “é provável que as condicionantes que a pandemia impôs sobre a vida social e económica do país tenham afetado os comportamentos dos agregados familiares também no que se refere ao consumo doméstico de energia.”

O ICESD 2020 teve, assim, como principal objetivo atualizar o conhecimento do consumo de energia no sector doméstico em Portugal e resultou da colaboração entre o Instituto Nacional de Estatística, I.P. (INE) e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), entidade que financiou o projeto. O projeto beneficiou também da colaboração da ADENE – Agência para a Energia, que permitiu simplificar e tornar mais rápido o preenchimento do ICESD.

Fonte

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