Share the post "Vai para a faculdade em 2026? Quanto custa e como poupar no verão"
Em setembro, mais de 60 mil jovens portugueses vão pela primeira vez para a faculdade. A propina máxima mantém-se nos 697 euros este ano, mas quem vai estudar longe de casa sabe que essa é só a fatia mais pequena da despesa.
O alojamento sozinho pode custar entre 400 e 500 euros por mês, consoante a cidade. Junte alimentação, transportes e material, e o primeiro mês de faculdade facilmente ultrapassa os 1.000 euros.
É por isso que o verão conta. Quem começa a poupar em junho, em vez de em agosto, chega a setembro sem sustos e sem ter de recorrer ao cartão de crédito ou pedir emprestado para pagar as primeiras despesas.
Quanto custa realmente o primeiro ano de faculdade
Além da propina de 697 euros, valor que ficou congelado depois de o Orçamento do Estado ter travado o aumento inicialmente anunciado, o maior custo de um estudante deslocado é o alojamento.
Em Lisboa, um quarto ronda os 450 a 500 euros por mês. No Porto, entre 400 e 430 euros. Coimbra, Aveiro ou Bragança oferecem alternativas bastante mais baratas, o que vale a pena pesar na escolha da instituição sempre que o curso esteja disponível em mais do que uma cidade.
A alimentação soma, em média, mais 150 a 200 euros mensais para quem cozinha em casa, e o material do primeiro ano, como computador, livros, calculadora científica, pode representar um custo único de 300 a 600 euros, dependendo do curso.
Há ainda despesas que costumam passar ao lado do orçamento inicial: seguro escolar, cartão de estudante ou taxas de inscrição em associações académicas. Isoladamente são pequenas, mas somadas facilmente chegam aos 80 ou 100 euros logo no primeiro mês.
Faça as contas antes do ano letivo chegar
O erro mais comum é deixar o orçamento para o último mês, quando as vagas em residência já esgotaram e o arrendamento privado sobe com a procura. Sente-se com o seu filho ou filha e some as despesas fixas: propina, renda, alimentação, transportes e material. Se nunca fez este exercício em casa, veja como fazer um orçamento familiar mensal antes de avançar para os números do próximo ano letivo.
Depois, compare esse total com o que a família consegue disponibilizar por mês. Só nessa altura faz sentido decidir entre residência universitária, quarto partilhado ou uma cidade alternativa mais barata.
Manter uma conta só para as despesas do estudante, alimentada com uma verba fixa todos os meses, ajuda a controlar gastos e evita que o dinheiro se dilua entre despesas da família e despesas do curso.
Trabalhar no verão para fazer um pé-de-meia
Um trabalho de verão de dois ou três meses, mesmo que a tempo parcial, pode cobrir facilmente o primeiro mês de renda ou a propina anual. Um estudante a trabalhar 20 horas semanais durante junho, julho e agosto, ao salário mínimo (5,31 euros/hora em 2026), consegue reunir facilmente mais de 1.200 euros líquidos, mais do que o valor da propina inteira.
Se o objetivo é mesmo juntar dinheiro rápido, vale a pena comparar propostas em vez de aceitar a primeira. A diferença entre um trabalho de balcão e um de armazém pode chegar aos 2 euros por hora, em três meses, a 20 horas semanais, isso são mais de 500 euros adicionais.
Pequenas poupanças que fazem diferença no orçamento
Antes de comprar tudo novo, procure grupos de estudantes veteranos nas redes sociais. Livros, computadores e material de laboratório em segunda mão aparecem regularmente a menos de metade do preço, e algumas associações académicas organizam feiras de troca no início do ano letivo.
Nos transportes, a poupança pode ser total: jovens até aos 23 anos têm direito a passe gratuito nos transportes públicos, bastando fazer o registo junto do operador da área de residência e de estudo. Isto pode significar poupar até 40 euros por mês só em deslocações.
Não se esqueça de confirmar o direito a bolsa
A partir deste ano letivo, um novo sistema de ação social eleva o valor médio da bolsa de estudo de 1.734 para 2.660 euros anuais. Quem frequentou o escalão A da ação social escolar no secundário e ingressa agora pela primeira vez no ensino superior tem ainda direito a uma bolsa de incentivo de 1.045 euros, atribuída automaticamente na matrícula.
O novo cálculo passa a considerar o custo real de estudar em cada concelho, cruzado com o rendimento do agregado familiar. Isto significa que famílias que antes ficavam de fora do apoio podem agora qualificar-se, sobretudo se o destino for uma cidade com custo de vida elevado.
Para perceber se o seu caso muda, simule para saber se tem direito a bolsa. Vale sempre a pena simular, mesmo que em anos anteriores o resultado tenha sido negativo. Quinze minutos a preencher um formulário podem valer mais de 2.000 euros por ano. As candidaturas costumam abrir em agosto e fecham normalmente em meados de outubro, mas cada instituição pode ter prazos próprios, por isso, confirme diretamente com os serviços de ação social da faculdade escolhida assim que a matrícula estiver confirmada.
Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Propinas. https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/propinas
Governo de Portugal. (2026). Novo Sistema de Ação Social no Ensino Superior reforça apoios a estudantes a partir de 2026/2027. https://portugal.gov.pt/gc25/comunicacao/comunicados/novo-sistema-de-acao-social-no-ensino-superior-reforca-apoios-a-estudantes-a-partir-de-20262027-