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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
11 Set, 2019 - 10:47

Diferença entre salário líquido e ilíquido: saiba como calcular

Mónica Carvalho

No cálculo do seu orçamento, deve ter em conta os rendimentos que aufere. Mas sabe realmente quanto é? Atente à diferença entre salário líquido e ilíquido.

calcular salário

A dúvida sobre a diferença entre salário líquido e ilíquido é frequente entre aqueles que iniciam a vida profissional ativa ou até entre aqueles que não percebem muito do tema e ficam surpreendidos com o valor realmente recebido. No entanto, o conhecimento dos termos líquido e ilíquido quando se fala de rendimentos (e até de custos) é fulcral, por exemplo, na altura de discutir o salário que vai auferir mensalmente pelos seus serviços numa determinada empresa.

O desconhecimento pode originar desagradáveis surpresas no final do mês quando receber (substancialmente) menos do que aquilo que tinha previsto. E tal pode estar relacionado com a diferença entre salário líquido e ilíquido, que é importante perceber e saber como calcular.

Diferença entre salário líquido e ilíquido

O salário líquido é a remuneração recebida por trabalho dependente, por norma mensalmente, já sujeita à retenção na fonte, em sede de Segurança Social (taxa social única de 11%) e IRS, de acordo com as tabelas definidas conforme determinados pressupostos, que são:

  • Salário bruto;
  • Residência fiscal – Continente, Açores ou Madeira;
  • Regime Geral ou Deficientes;
  • Estado Civil – Não casado, Casado 1 titular, Casado 2 titulares;
  • Número de dependentes – 1, 2, 3, 4 e 5 ou mais.

Como se define salário líquido?

Assim, o salário líquido é o valor efetivamente recebido por um trabalhador depois de efetuados todos os descontos. Depois do valor com os descontos pode ainda acrescentar-se o subsídio de alimentação, subsídio de férias e subsídio de Natal, quando aplicável, e outras bonificações.

O que é o salário ilíquido?

Quando nos referimos a salário ilíquido, ou bruto, como é muitas vezes denominado, falamos de remuneração recebida por trabalho dependente, ainda sem os descontos ou retenções.

Assim, trata-se do valor total que um trabalhador recebe previamente aos descontos que são aplicados pela entidade empregadora, por consequência das diversas contribuições que tem para cumprir. Deste modo, quando está a negociar o seu ordenado deve saber se os números propostos já incluem os descontos ou se é o salário bruto.

Como saber a diferença entre o que está no contrato e o que efetivamente recebo?

diferença entre salário líquido e ilíquido

Para efeitos práticos, a diferença entre salário líquido e ilíquido é que o primeiro é a remuneração que efetivamente vamos receber após os descontos de impostos, enquanto o segundo é o montante que ainda não conta com as deduções. É, assim, importante, para efeitos de cálculo de orçamento familiar, que as contas sejam feitas com base no salário líquido.

Em suma, pode-se usar a seguinte fórmula:

Salário ilíquido (bruto) – descontos para Segurança Social – descontos para IRS = salário líquido

Exemplo 1

  • Salário bruto de 1000€;
  • Funcionário do setor público, em Lisboa;
  • Casado (2 titulares);
  • Com dois filhos (dependentes);
  • Subsídio de alimentação no valor de 4,77€ (pago em cartão de refeição);
  • Subsídio de férias e de Natal pagos por inteiro.

Utilizando a fórmula, o cálculo é o seguinte: 1000€ – (82€ IRS + 110€ Seg.Social) = 808€

A este valor, acrescenta-se o subsídio de alimentação no valor total de 104,94€ (que não é tributado por ser pago em cartão de refeição), o que dá um salário líquido total de 912,94€.

Exemplo 2

  • Salário bruto de 1.200€;
  • Funcionário do setor privado, no Porto;
  • Solteiro;
  • Sem filhos nem dependentes;
  • Subsídio de alimentação no valor de 6,50€ (pago em cartão de refeição);
  • Subsídio de férias e de Natal pagos por inteiro.

Utilizando a fórmula, o cálculo é o seguinte: 1.200€ – (175,20€ IRS + 132€ Seg.Social) = 892,80€

A este valor, acrescenta-se o subsídio de alimentação no valor total de 143€ (que não é tributado por ser pago em cartão de refeição), o que dá um salário líquido total de 1.035,80€.

Sobre o subsídio de alimentação

Existem 2 formas de pagar o subsídio de alimentação: em dinheiro ou em vale ou cartão refeição.

Se for pago em dinheiro, então, esse valor está isento de IRS desde que não exceda os 4,77€ diários. Se exceder, apenas fica sujeito a IRS o remanescente. Imagine que recebe 6€ de subsídio de alimentação por dia, 4,77€ estão isentos de IRS e 1,23€ pagam IRS e Segurança Social.

Se o subsídio de alimentação for pago de outra forma, nomeadamente, através de vale ou cartão refeição, o limite não tributável sobe para os 7,63€ diários. Nesse caso, se o subsídio diário de refeição for 8€, apenas desconta sobre 0,37€.

Como é afetado o rendimento líquido dos portugueses este ano?

Se nos anos anteriores, os portugueses estavam habituados a cortes salariais impostos pelo Governo, em particular a sobretaxa extraordinária, bem como à atribuição dos subsídios em duodécimos, já desde o ano passado que tal não se verifica.

Mas nem tudo são boas notícias. É certo que os funcionários públicos voltaram ao horário das 35 horas semanais e viram os salários repostos depois de anos de cortes e as carreiras descongeladas. Todavia, a função pública continua sem aumentos gerais, situação que se verifica desde 2009 e que tem motivado descontentamento em muitos setores da sociedade.

Além disso, os trabalhadores com contratos individuais no Estado, e que se regem pelo Código do Trabalho, mantêm as 40 horas de trabalho semanal, na generalidade.

Sem esquecer que, em 2019, as tabelas de IRS sofreram alterações nos primeiros escalões, devido ao aumento do salário mínimo e ao aumento das pensões, o que faz com que possa descontar mais do que em anos anteriores.

Agora que já conhece a diferença entre salário líquido e ilíquido, faça as suas contas.

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