Covid-19
Especial Covid-19
Descomplicamos a informação sobre o novo Coronavírus
Marta Maia
Marta Maia
14 Out, 2019 - 17:53

Distúrbios financeiros: quando o dinheiro é um problema sério

Marta Maia

Problemas recorrentes de dinheiro podem, na verdade, esconder distúrbios financeiros mais graves. Aprenda a ler os sinais e a quebrar com o ciclo vicioso.

distúrbios financeiros

É natural que a sua relação com o dinheiro tenha altos e baixos. Haverá meses em que vive de uma forma mais desafogada e outros em que não tem mãos a medir para tantas preocupações. No entanto, quando são recorrentes, os problemas de dinheiro podem ocultar distúrbios financeiros mais graves, para os quais deve estar alerta.

Não se trata de não saber lidar com as suas finanças, nem sequer de ter dificuldade em gerir o dia a dia. Mais ou menos poupados, todos sabemos quais são os nossos limites e dificilmente aceitaríamos passar fome para comprar uma peça de roupa, por muito bonita que fosse.

Os distúrbios financeiros são algo bastante mais sério e traduzem-se numa incapacidade de distinguir comportamentos razoáveis de comportamentos auto-destrutivos. Nestes casos, é importante saber ler os sinais e procurar ajuda especializada o quanto antes.

Problemas de dinheiro ou distúrbios financeiros?

Ter problemas de dinheiro é chegar ao fim do mês com uma conta bancária menos recheada do que planeava, ou, quem sabe, estremecer ao pensar que vai ter uma conta para pagar e não sabe bem como encaixá-la no orçamento familiar. São situações que acontecem pontualmente, mais ou menos fáceis de resolver, mas que não têm um impacto muito grande na sua vida.

Um distúrbio financeiro, por outro lado, “é um padrão crónico de comportamentos auto-destrutivos”, explica Brad Klontz, um psicólogo na Universidade de Creighton, nos Estados Unidos, que se dedica ao estudo e definição destes distúrbios.

Podem manifestar-se de diferentes maneiras, desde uma compulsão para gastar, a uma necessidade incontrolável de guardar o que tem a sete chaves, nem que isso implique parar de comer.

Quem lida com este tipo de desordem vê-se frequentemente em situações muito vulneráveis, com consequências graves para a sua saúde, relações familiares e até para a vida profissional. Os distúrbios financeiros devem por isso ser tratados com recurso a ajuda profissional.

9 Tipos de distúrbios financeiros

Um distúrbio financeiro pode assumir diferentes formas. Percorremos alguns dos mais comuns, lembrando que nunca é demais recorrer a ajuda profissional:

1. Gasto compulsivo

É um dos mais comuns distúrbios financeiros e acontece quando a compra de algo (ou seja, o ato de gastar dinheiro) faz com que o seu cérebro liberte endorfina e lhe traga uma sensação de satisfação e prazer.

Geralmente, os compradores compulsivos arrependem-se dos gastos no momento em que se deparam com o estrago causado no orçamento – mas recuperam desse arrependimento voltando a procurar aquilo que os faz sentir bem: compras.

2. Acumulação

Há quem acumule o próprio dinheiro, por se sentir bem a vê-lo crescer, e há quem acumule objetos. Neste último caso, que é mais fácil de detetar, os objetos tendem a parecer inúteis ou desnecessários a qualquer pessoa menos o detentor.

É também possível que o acumulador junte ao seu distúrbio alguns comportamentos de compra compulsiva, porque quer acumular sempre mais independentemente dos problemas de dinheiro que isso lhe possa trazer.

Como adotar um estilo de vida minimalista em 6 passos
Veja também Como adotar um estilo de vida minimalista em 6 passos

3. Vício do trabalho

Talvez nunca tenha pensado nisto, mas um workaholic pode sê-lo não por gostar de trabalhar, mas porque é ansioso com o dinheiro e acha que nunca tem o suficiente para se sentir seguro – obrigando-se a trabalhar sempre mais para poder juntar mais algum. Nestes casos não há problemas de dinheiro visíveis, mas manifesta-se o desequilíbrio entre a vida profissional e a familiar.

4. Vício do jogo

Jogadores frequentes que não conseguem saber quando parar acabam quase sempre embrulhados em problemas de dinheiro. Gastam o que têm e o que não têm porque o mistério (será que ganham, será que perdem), misturado com alguma fé (“desta vez é que é!”), os impede de parar.

5. Infidelidade financeira

Casais em que um elemento esconde informação financeira do outro estão a braços com problemas de dinheiro, mas também de confiança. Acontece quando um dos elementos não consegue confiar no outro para gerir as finanças dos dois e, por isso, fica “agarrado” a uma parte do património porque só assim sente que ela está segura.

6. Permissividade financeira

É a incapacidade de dizer “não” quando alguém lhe pede dinheiro. Acontece quando, por exemplo, os pais cedem repetidamente aos pedidos dos filhos ou quando empresta dinheiro a um familiar sempre que este está em apuros.

Este distúrbio prejudica não só quem dá, uma vez que acumula responsabilidades (e muitas vezes dívidas) que não são suas, mas também quem recebe, tornando-se financeiramente dependente e incapaz de aprender a gerir o seu dinheiro de forma autónoma.

7. Dependência financeira

Muitas vezes os problemas de dinheiro das pessoas resumem-se ao facto de dependerem do suporte financeiro de alguém. Esta dependência cria ansiedade e desilusão com uma vida que não sentem estar totalmente em controlo, e pode levar a cenários de depressão.

8. Incesto financeiro

Acontece quando os adultos envolvem crianças nos processos financeiros para escaparem à responsabilização. Um exemplo é quando os pais, sabendo que a chamada que estão a receber é do banco, pedem às crianças para atenderem o telefone.

9. Negação financeira

Este problema surge quando já não consegue sequer enfrentar os seus problemas de dinheiro. Se não atende o telefone aos credores ou não olha para o extrato bancário para não ter de ver o saldo, por exemplo, está em negação financeira e precisa de ajuda.

distúrbios financeiros: QUAIS OS SINAIS?

Distinguir um mero problema de dinheiro de um distúrbio financeiro mais grave nem sempre é fácil e, na maior parte das vezes, são os amigos e familiares os primeiros a darem-se conta da situação. Assim, saber reconhecer os sinais de alerta é o primeiro passo para tomar consciência de que existe um distúrbio financeiro e pedir ajuda.

Perda ou aumento repentino de peso

Engordar ou emagrecer de repente e sem motivo aparente, dificuldade em dormir ou fadiga, são alguns sintomas de stress que podem ser suscitados por um distúrbio financeiro.

Mudança radical de hábitos financeiros

Se nota que um amigo começou a gastar freneticamente ou simplesmente deixou de aceitar qualquer convite que implique gastar uma moeda num café, tome atenção, porque pode haver algo por detrás dessa nova atitude.

Depressão

Os distúrbios financeiros podem manifestar-se como outros problemas de saúde mental, seja ansiedade ou depressão. Se nota em si ou em alguém próximo uma apatia, irritação ou nervosismo fora do habitual, procure perceber a origem.

Quem pode ajudar

Muitas vezes os distúrbios financeiros têm motivações psicológicas, pelo que o mais prudente, é procurar a ajuda de profissionais. Além de aconselhamento médico, o apoio de um consultor financeiro pode ser fundamental para voltar a pôr as contas em ordem através de um plano adequado, com soluções concretas para as dificuldades que terá de enfrentar.

Neste processo, não deixe de fora os amigos e familiares. Mais do que ninguém, saberão ajudá-lo sem julgar, acompanhá-lo e dar-lhe força para resolver a sua vida.

Veja também