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Um guia para tempos complicados
Olga Teixeira
Olga Teixeira
06 Mai, 2021 - 18:02

Como traçar um plano financeiro para manter as finanças sob controlo?

Olga Teixeira

Ter um plano financeiro pode ajudar a manter as suas contas equilibradas. Saiba o que considerar no seu.

Plano financeiro

Pode pensar no plano financeiro como o itinerário para uma viagem. Sabe para onde quer ir e quer encontrar a melhor forma de lá chegar, sem sobressaltos ou desvios. Assim, se o objetivo é ter as finanças pessoais sob controlo, há que traçar um caminho para que pagar as contas não seja uma dor de cabeça.

Lembre-se de que não há plano financeiro que escape a esta regra: os rendimentos têm de ser superiores às despesas. E quando isso não acontece, há que refazer as contas, alterar hábitos, decisões de consumo e efetuar os ajustes necessários.

Vejamos, então, algumas dicas para traçar o seu plano financeiro.

A base do plano financeiro: o orçamento

Quando se fala em plano financeiro, nada se faz sem saber de forma precisa quanto recebe e quais são as despesas que tem. Ou seja, para controlar as suas finanças precisa, antes de mais, de criar um orçamento.

Parece fácil? Sabe exatamente o valor do seu ordenado? Consegue descrever, com rigor, quanto gasta por mês? O mais provável é que tenha uma ideia aproximada. Mas, para que as suas finanças se mantenham controladas, é importante saber, quase ao cêntimo, o valor de despesas e receitas.

Pode usar papel e caneta, um folha de cálculo no computador, uma aplicação no telemóvel ou outro método que lhe seja mais conveniente. O único requisito é que o formato lhe permita registar diferentes meses e depois compará-los uns com os outros.

O que deve constar do orçamento

Em qualquer dos casos, tenha sempre em conta todas as despesas, mesmo as mais irrisórias. E não se esqueça daqueles gastos que não ocorrem todos os meses, como o pagamento de impostos ou os seguros que são cobrados uma ou duas vezes por ano.

Ao fazer um orçamento e ao ver a relação entre as receitas e as despesas é fácil perceber se está gastar mais do que deve. Mas percebe também quanto terá de poupar para reequilibrar as contas.

Assim, é igualmente importante saber quanto gasta em cada categoria de despesas (habitação, alimentação, transportes, lazer) e avaliar se algum desses gastos pode ser reduzido. Esta gestão é essencial para que o plano financeiro seja bem-sucedido.

Criar objetivos – que podem passar, por exemplo, por cortar 10% em todas as despesas – ajuda a que perceba qual o caminho a seguir para lá chegar.

A poupança: um pilar fundamental das suas finanças

Mesmo que o orçamento esteja equilibrado, não deve descurar a poupança. E caso esteja a fazê-lo, então, é mesmo aconselhável começar a fazer alguns cortes nas despesas.

Renegociar contratos de serviços (telecomunicações, eletricidade, gás), reduzir despesas supérfluas e encontrar formas alternativas de rendimento pode dar-lhe alguma margem para começar a construir o seu pé-de-meia.

Ao estabelecer o plano financeiro pense nestes reajustes como algo temporário, mas que pode vir a ser definitivo. Ou seja, quando o orçamento melhorar, não caia na tentação de voltar a gastar demais.

Casal a colocar moeda num mealheiro
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A importância de definir metas de poupança

Ao traçar o seu plano financeiro é aconselhável estabelecer metas realistas para a poupança. Isto é, não queira poupar metade do ordenado se o salário mal chega para pagar as despesas essenciais. Mas isto não significa que não possa poupar, nem que seja um euro por dia.

Escolha a fórmula de poupança que mais se ajusta às suas necessidades e foque-se nas metas traçadas. No fim de contas, o mais importante é que a poupança faça parte do seu plano financeiro.

E de “alimentar” um fundo de emergência

É mais uma etapa importante na construção de um plano financeiro. Um fundo de emergência é uma almofada financeira à qual pode recorrer caso surja um imprevisto: uma situação de desemprego, por exemplo.

O valor deste fundo deve corresponder a pelo menos três meses de despesas correntes, ainda que o ideal sejam seis meses. 

Por exemplo, se tem despesas mensais na ordem dos 800 euros, o fundo de emergência deve ser esse valor a multiplicar por seis, ou seja, 4.800€.

Mulher a contabilizar despesas mensais

Pagar as dívidas

Ao estabelecer um plano financeiro, procure partir de uma base sólida e o mais “limpa” possível. Isto é, não faça planos de poupança ou de investimento sem simplificar a vida financeira, libertando-a de tudo o que possa impedir a sua evolução.

Se tem dívidas relacionadas com cartões de crédito, impostos ou até dívidas a amigos e familiares, estabeleça como prioridade o pagamento dessas dívidas. Obviamente que, no caso de um crédito habitação, é impossível pagar a dívida rapidamente, mas há outras situações em que o pode fazer.

Não deixe acumular contas , vá pagando à medida que puder, recorrendo, caso seja necessário a planos de pagamento negociados com os credores. As dívidas não desaparecem, pelo contrário, tendem a acumular-se num efeito de bola de neve.

Assim, ao criar o seu plano financeiro, defina estratégias para saldar as dívidas mais pequenas e, caso consiga, para amortizar as de maior valor, como as de um crédito pessoal.

O que nunca deve fazer é deixar acumular ou, ainda, agravar a sua taxa de esforço, contraindo novas dívidas.

prescrição de dívidas
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Investir e diversificar: coloque o dinheiro a trabalhar para si

Um bom plano financeiro não inclui só a poupança, mas prevê também a possibilidade de investimento. E isto não significa que tenha de ter milhares de euros para comprar imóveis ou para aplicar em produtos financeiros.

Quando se fala em investimento a primeira coisa a saber são as regras do jogo. Onde está a aplicar o seu dinheiro. Quais são os riscos e eventuais benefícios? Qual o seu perfil de investidor?

Outra regra essencial é não aplicar dinheiro numa única aplicação financeira, isto é, não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Ter um património diversificado significa que os seus investimentos estão menos vulneráveis às oscilações dos mercados e, deste modo, mais protegidos financeiramente.

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Nota final: o plano financeiro não é estático

Deve, igualmente, ter em conta que um plano financeiro deve ser flexível e que os objetivos que traçou hoje podem estar desajustados no final do ano.

Por isso, não faça um planeamento demasiado rígido, que não deixe margem para alterações ou, até, para que que possa recuar, se for caso disso. Tal como no itinerário de uma viagem, por vezes surgem obstáculos ou condições mais favoráveis para chegar ao seu destino.

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