Share the post "PME portuguesas crescem, mas quase metade não atrai talento"
As PME portuguesas estão a vender mais, a exportar mais e a pedir menos crédito. Mas 47,7% admitem ter muita dificuldade em atrair talento, segundo a 1.ª vaga do Barómetro PME Magazine 2026, divulgada a 1 de outubro de 2026.
O estudo, na 6.ª edição, ouviu 388 micro, pequenas e médias empresas entre maio e junho. O retrato é de um tecido empresarial mais resiliente e com vontade de crescer. Só que esse crescimento esbarra num problema que não se resolve com mais vendas: encontrar as pessoas certas.
Para quem procura emprego, isto é um sinal concreto. 44,1% das empresas contam contratar no próximo trimestre e, nas médias empresas, a intenção sobe para 67,8%.
O que mostra o Barómetro PME Magazine 2026
Os números de negócio são os melhores dos últimos anos. 66,8% das empresas aumentaram as vendas, o valor mais alto da série recente do estudo. A exportação também ganhou peso: 37,4% já vendem para fora, mais 6,3 pontos percentuais do que na edição anterior.
O comércio eletrónico chegou a 31,7% das empresas, o melhor resultado desde que o barómetro existe. Atenção, porém, à leitura do dado: só 7,2% das PME fazem mais de metade da faturação online. Para a maioria, a loja digital ainda é um complemento.
Na saúde financeira, a evolução também é positiva. 39,7% classificam a situação da empresa como boa ou muito boa. E a intenção de recorrer a financiamento nos próximos seis meses caiu de 28,7% para 21,9%.
| Indicador | Resultado 2026 |
|---|---|
| Empresas que aumentaram vendas | 66,8% |
| Empresas exportadoras | 37,4% |
| Empresas que vendem online | 31,7% |
| Situação financeira boa ou muito boa | 39,7% |
| Preveem pedir financiamento (6 meses) | 21,9% |
| Admitem contratar no próximo trimestre | 44,1% |
Os resultados deste ano mostram PME mais confiantes na sua capacidade de crescer e competir, mas também evidenciam desafios que continuam a limitar esse crescimento, nomeadamente a dificuldade em atrair talento qualificado – Ana Marisa Vieira, diretora editorial da PME Magazine.
A amostra tem margem de erro de ±4,97% e metade das empresas está sediada na Área Metropolitana de Lisboa. O retrato é útil, mas não substitui as estatísticas oficiais do INE sobre o tecido empresarial.
Onde a falta de talento pesa mais
O emprego manteve-se estável. 63,7% das empresas não mexeram nos quadros, 25,8% reforçaram as equipas e só 10,6% reduziram, o valor mais baixo em seis edições. O saldo líquido é positivo: 25,8% − 10,6% = 15,2 pontos percentuais.
O travão está noutro lado: 47,7% das empresas dão nota 4 ou 5, numa escala de 5, à dificuldade em atrair talento. Nas pequenas empresas, entre 10 e 49 trabalhadores esse valor sobe para 58%. Apenas 19,6% dizem não sentir quase dificuldade nenhuma. E a vontade de contratar depende muito da dimensão:
- Microempresas – 26,8% admitem contratar no próximo trimestre;
- Pequenas empresas – 59,5%;
- Médias empresas – 67,8%.
No total, a intenção recuou ligeiramente, de 46,7% para 44,1%. Ou seja, há menos empresas a querer recrutar do que no ano passado, mas as que querem continuam sem conseguir.
Já agora, o barómetro mede a perceção das empresas sobre a dificuldade, não as causas. O estudo não detalha se o problema está nos salários oferecidos, na localização ou na falta de perfis qualificados em determinadas áreas.
O que isto significa para quem procura emprego
Quando quase metade das empresas tem dificuldade em contratar, o candidato ganha margem. Isto não garante salários mais altos, mas muda o equilíbrio da conversa.
Olhe para as pequenas e médias empresas
São estas que mais querem contratar. Uma média empresa tem até 249 trabalhadores e, em muitos setores, oferece progressão mais rápida do que uma grande organização. Comece por fazer uma lista de PME da sua área de atividade e consulte as empresas que estão a contratar neste momento.
Pergunte pela formação
25,8% das empresas aumentaram o investimento em formação e 71,9% mantiveram-no. É um bom tema para a entrevista. Já agora, o Código do Trabalho garante a cada trabalhador 40 horas de formação contínua por ano, pergunte como a empresa cumpre esse dever.
Negoceie com dados
Se a empresa tem dificuldade em recrutar, a proposta inicial raramente é a final. Prepare um intervalo salarial realista para a função e leia o guia sobre como negociar salário antes da entrevista.
A transparência também ajuda. A diretiva europeia sobre transparência salarial, cujo prazo de transposição terminou a 7 de junho de 2026, prevê que os candidatos conheçam a remuneração inicial, ou o respetivo intervalo, antes da entrevista. Saiba o que está em causa no artigo sobre o fim do segredo salarial.
A dimensão continua a fazer a diferença
O barómetro mostra duas velocidades. Nas médias empresas, 79,7% aumentaram vendas e 54,2% exportam. Nas microempresas, só 23,2% vendem para fora.
O acesso ao capital segue o mesmo padrão. Apenas 13,6% das microempresas preveem pedir financiamento, contra 39% das médias. Para quem gere um pequeno negócio, há medidas de apoio às PME que podem ajudar a dar o salto.
O marketing é o ponto mais contido. 93,3% das empresas destinam até 10% do orçamento a esta área e só 1,8% gastam mais de 20%, contra 8,5% em 2025. O resultado reflete-se na avaliação: apenas 12,9% consideram o retorno bom ou elevado, e 41% classificam-no como baixo ou negativo.
Mais vagas do que candidatos certos
As PME portuguesas estão a crescer, mas o crescimento depende cada vez mais de quem conseguem contratar. Quatro em cada dez querem recrutar já no próximo trimestre.
Não espere que as ofertas apareçam sozinhas. Mas, com quase metade das empresas à procura de talento, este é um bom momento para atualizar o currículo, escolher bem as PME a que se candidata e negociar com números na mão.
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