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Catarina Gonçalves
Catarina Gonçalves
18 Mar, 2020 - 10:39

IRS: como e quando declarar os seus investimentos?

Catarina Gonçalves

Aplicou dinheiro em ações ou num PPR? Então veja caso a caso, quais os investimentos que deve declarar no IRS. A entrega vai de 1 de abril a 30 de junho.

como declarar investimentos no IRS

Com a data de entrega do IRS a aproximar-se, surgem também algumas dúvidas sobre o que deve ou não ser incluído na declaração. A maior parte dos proveitos obtidos através dos investimentos mais comuns já foram sujeitos a retenção na fonte, o que significa que já pagaram imposto e por isso não tem de os declarar no IRS.

Há no entanto algumas exceções. Se obteve mais-valias com a venda de ações, ou pretende usufruir dos benefícios fiscais do seu PPR, deve incluir esses rendimentos na sua declaração. Mostramos-lhe neste artigo como são tributados os investimentos, caso a caso, e quais os que há obrigação de declarar no IRS.

Englobamento ou tributação autónoma?

Antes de submeter a sua declaração terá que escolher entre uma destas duas formas de tributação, até porque a decisão que tomar vai determinar os quadros e campos a preencher.

Se optar pela tributação autónoma, será aplicada uma taxa única a cada categoria de rendimentos. Já se escolher o englobamento, todos os rendimentos que tenha obtido no mesmo ano serão somados e é sobre esse bolo que vai recair a taxa de IRS correspondente ao seu escalão de rendimento.

A obrigação de declarar ou não os seus investimentos no IRS vai depender do rendimento em questão, como veremos adiante.

Mas se optar pelo englobamento, todos os rendimentos da mesma natureza, mesmo os que estiverem dispensados, passam a ter de ser declarados detalhadamente, indicando o rendimento recebido e a retenção na fonte já efetuada. 

Em caso de dúvida sobre o que é mais vantajoso, o melhor é simular uma e outra modalidade de tributação e depois comparar os resultados.

Quais os investimentos a Declarar no IRS e porquê

Os investimentos financeiros pertencem à categoria E e chamam-se, para efeitos fiscais, rendimentos de capitais.

Mas no que diz respeito à tributação a que estão sujeitos e, consequentemente, à obrigação ou não de serem declarados no IRS, há várias distinções a fazer.

Depósitos a prazo, Certificados de Aforro e do Tesouro

Os certificados de aforro e do tesouro são produtos de poupança lançados pelo Estado. Normalmente estes produtos são equiparados aos depósitos a prazo em termos de risco, que é baixo. Mas não é só nos níveis de segurança que são idênticos, também para efeitos de IRS são tratados de forma similar.

Os juros destes três produtos são tributados à taxa liberatória de 28%. Como essa tributação ocorre na fonte, já recebe o respetivo juro de modo líquido. Por isso, não tem que declarar no IRS os juros que recebe destes investimentos financeiros.

No entanto, se optar pelo englobamento dos juros provenientes destas aplicações, é necessário que declare o rendimento recebido e a retenção que foi efetuada na fonte. Nesse caso, serão tributados pela sua taxa de IRS tal como os demais rendimentos.

Fundos de investimento

Escolheu aplicar as suas poupanças em unidades de participação de fundos de investimento? Neste caso, a tributação é exatamente igual à da situação anterior.

Os rendimentos que possa obter através destes investimentos, como mais-valias resultantes da venda da sua participação ou distribuição de dividendos, já lhe chegam às mãos “livres de impostos” e nada há a declarar para efeitos de IRS.

Tal como no caso anterior, só terá que declarar esses rendimentos se optar pelo englobamento.

Mas isto aplica-se apenas para os fundos sediados em Portugal. Uma forma de identificar se os fundos são nacionais é através do código ISIN, o qual começa por “PT”. Nos fundos estrangeiros é diferente, sendo que a tributação é idêntica à das ações.

No momento do resgate, os eventuais ganhos não são tributados. Como contrapartida, as operações de resgate efetuadas em cada ano pelo investidor terão de ser inscritas na declaração de IRS. O saldo global das mais e menos-valias de todas as operações realizadas ao longo do ano (ações, obrigações, ETF e fundos estrangeiros) será tributado à taxa autónoma de 28%, exceto se optar pelo englobamento.

Ações

As ações representam parcelas do capital de uma empresa e quando as compra torna-se também dono de uma parte dela. O dinheiro que investir nesses títulos pode depois proporcionar-lhe rendimentos por duas vias: através de mais-valias ou através de dividendos.

Mais-valias

Ao vender as ações por um preço superior ao que as adquiriu vai ganhar dinheiro, ou seja, vai gerar uma mais-valia. E para efeitos de IRS, as mais-valias provenientes da venda de ações devem ser sempre declaradas no quadro 9 do Anexo G. O mesmo anexo serve para declarar ainda as mais-valias obtidas com a venda de imóveis.

No caso da venda de ações, deve indicar o número de títulos vendidos e os respetivos valores de compra e venda. Além disso pode e deve incluir as despesas que teve com essa transação, como por exemplo as comissões de corretagem, que se devem ser subtraídas ao preço de venda. Ao saldo dessa operação é depois aplicada uma taxa de tributação autónoma de 28%.

Dividendos

Outra fonte de rendimento proporcionada pelas ações são os dividendos que algumas empresas pagam. Os dividendos são uma repartição dos lucros pelos acionistas da empresa, sendo que o valor do dividendo é fixado por ação. Assim, cada acionista irá receber dividendos proporcionalmente ao número de ações que tem.

No caso dos dividendos também é aplicada uma taxa de tributação de 28%. A diferença é que essa taxa é retida na fonte pela entidade pagadora e quando o dinheiro chega à sua conta bancária já está livre de impostos. Por esse motivo não tem de os declarar no IRS.

A opção do englobamento

Embora o “caso geral” seja o descrito acima, em que os rendimentos obtidos com ações estão sujeitos a uma tributação autónoma à taxa de 28%, é sempre possível optar pelo seu englobamento.

Nessa situação, às mais-valias e dividendos juntar-se-ão todos os seus restantes rendimentos (pensões, salários, etc.) e o total obtido será tributado de acordo com a taxa correspondente ao seu escalão de IRS. Desta forma, a opção pelo englobamento só compensará se a sua taxa de IRS for inferior a 28%.

PPR – Planos Poupança Reforma

Os PPR são um dos investimentos financeiros mais apreciados pelo seu rendimento a longo prazo e pelos benefícios fiscais em sede de IRS.

Na prática a tributação dos rendimentos provenientes dos PPR, determinados pela diferença entre o montante recebido e o montante aplicado (capital e juros), é efetuada à taxa de 8%, o que é bastante vantajoso.

No entanto, para que possa usufruir desta taxa de tributação é necessário que o resgate do PPR seja efetuado em determinadas condições que estão previstas no artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 158/2002 e desde que decorridos 5 anos a contar da data da aplicação das importâncias.

O montante de investimento anual destinado ao PPR deve ser declarado no Anexo H (quadro 6). Já os benefícios fiscais de que pode usufruir, e que correspondem a deduções do valor anual entregue, variam em função da idade.

  • 400 euros por sujeito passivo com idade inferior a 35 anos;
  • 350 euros por sujeito passivo com idade compreendida entre os 35 e os 50 anos;
  • 300 euros por sujeito passivo com idade superior a 50 anos.
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