Catarina Gonçalves
Catarina Gonçalves
29 Dez, 2022 - 12:25

9 conselhos para pôr as contas em dia em 2023

Catarina Gonçalves

Se pôr as contas em dia é uma das suas resoluções para 2021 está no sítio certo. Saiba como passar o novo ano com o orçamento mais equilibrado.

Comer 12 passas e pedir 12 desejos às primeiras 12 badaladas é um dos clássicos rituais de passagem de ano. A par das promessas de começar a ir ao ginásio ou deixar de fumar, uma das resoluções mais comuns nesta época é a de, finalmente, pôr as contas em dia para começar o ano com o pé direito.

O início de um novo ano é assim uma boa altura para analisar todas as suas contas e adoptar medidas para equilibrar o orçamento familiar. É também o momento de refletir sobre o que pode melhorar em relação ao ano anterior.

Com algum empenho e autocontrolo, na maioria dos casos, pôr as contas em dia, já em 2023, é possível. Para ajudar nessa tarefa, temos nove conselhos que lhe podem ser úteis.

O que é preciso para por as contas em dia para 2023?

Começar o ano com boa saúde financeira não é impossível. Mas como em tudo na vida, também no mundo das finanças pessoais, a disciplina, ponderação e bom senso são a chave.

Não acredita? Então espreite as nossas dicas e torne-se responsável pelo seu sucesso financeiro em 2023.

1

Livre-se das dívidas

Livrar-se de dívidas é o primeiro passo para pôr as contas em dia. Porquê? Porque estas são o inimigo número um da poupança.

Se tiver vários créditos, comece por liquidar os maiores para pagar menos juros.

Deve também esforçar-se por não recorrer ao fracionamento de despesas do cartão de crédito. Deste modo, não só mantém os gastos sob o seu controlo, como evita mais dívidas com os juros.

Se tiver mais do que um, reduza também o número de cartões de crédito (poupa em anuidades e ainda diminui o risco de comprar por impulso) e use-os de forma responsável, só quando for estritamente necessário.

2

Reveja as condições dos seus créditos e seguros

O início do ano pode ser uma boa altura para renegociar as condições dos seus créditos ou mesmo seguros, seja da casa, carro ou saúde. Renegociar os seus créditos e seguros pode ser uma fonte de poupança.

Se já não estiver fidelizado a uma empresa ou esse período estiver prestes a terminar, aproveite também para negociar outros serviços, como as telecomunicações ou eletricidade, para conseguir descontos na mensalidade e economizar algum dinheiro.

Renegociação de créditos: regras em vigor

Não se esqueça que até ao dia 31 de dezembro de 2023, o seu banco deve permitir a renegociação do crédito habitação se a sua taxa de esforço atingir os 36% ou se se verificar um agravamento de cinco pontos percentuais.

Já no caso da sua taxa de esforço ultrapassar os 50%, os bancos têm de apresentar uma proposta de renegociação.

Esta renegociação pode implicar o alargamento do prazo do crédito, a consolidação de créditos, o pedido de um novo crédito ou ainda a redução da taxa de juro durante um determinado período de tempo. O que não pode mesmo acontecer é haver aumento da taxa de juro.

Além disso, esse processo de renegociação não pode estar sujeita a comissões ou outros encargos. A suspensão da comissão por amortização antecipada do empréstimo também está prevista neste diploma.

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Revisão de apólices de seguros

O início do ano é também uma boa altura para rever as condições das apólices dos seus seguros e comparar com outras ofertas do mercado para coberturas semelhantes.

Será que precisa mesmo daquele seguro de saúde? Podem existir coberturas que não utiliza. Não teve acidentes nos últimos tempos e nunca renegociou o valor do seu seguro automóvel? Então, está na hora de o fazer.

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3

Comece a poupar

Nada melhor que um novo ano para lhe dar um incentivo extra para poupar. Poderá utilizar o subsídio de natal que recebeu no mês anterior apenas e só para criar um fundo de emergência.

Se já tiver o seu pé de meia para uma eventualidade, comece a poupar tendo em vista outra meta: uma viagem, pagar as próximas férias de verão, as despesas da Faculdade dos filhos, ou fazer um Plano Poupança Reforma (PPR). Ter um objetivo vai trazer-lhe a motivação necessária para poupar sem esforço e sem voltar atrás.

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4

Invista: gere dinheiro com o seu esforço de poupança

A sua poupança pode crescer um pouco mais se começar a investir nos mercados financeiros para gerar mais dinheiro. Desde os tradicionais depósitos a prazo, Certificados de Aforro e seguros de capitalização até aos fundos de investimento e ações, há vários tipos de produtos em que pode investir.

Tudo depende do risco que queira correr e do tempo pelo qual queria fazer o investimento. Quanto maior for o risco, maior será a rendibilidade que poderá esperar.

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5

Defina prioridades e seja realista

Pôr as contas em dia e mantê-las assim implica um constante controlo orçamental. E é mais fácil fazer esse controlo definindo prioridades financeiras.

Quer trocar de carro para o ano? Mudar de casa? Ou simplesmente aumentar a sua almofada financeira? Não se esqueça que deve ser realista quanto ao valor a alocar a estes objetivos e quanto ao tempo necessário para poder ter o dinheiro que pretende.

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6

Faça uma boa gestão orçamental

Fazer uma boa gestão do orçamento familiar ajuda-o a pôr as contas em dia e alerta-o quando existem desvios. Sugerimos que utilize duas fórmulas práticas para gerir o seu orçamento e limitar o acesso ao crédito.

FÓRMULA 50/30/20

Esta regra sugere que o seu orçamento mensal deve ser dividido em três partes para os seguintes fins:

  • 50% para despesas fixas e essenciais (rendas, alimentação, transportes, água, luz, gás, telecomunicações);
  • 30%, no máximo, para despesas não essenciais (restaurantes, roupa, viagens, espetáculos);
  • 20%, no mínimo, deve ser poupado ou utilizado para pagar dívidas.

FÓRMULA 28/36

O objetivo desta regra é limitar o acesso ao crédito e diz o seguinte:

  • 28% do rendimento é a percentagem máxima para as despesas fixas relacionadas com a casa (o que inclui despesas como rendas, juros, impostos, e seguros);
  • 36% do seu rendimento é o limite para dívidas (por exemplo, crédito habitação, crédito automóvel, cartões de crédito).
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7

Mantenha as suas finanças organizadas

Ser organizado dá-lhe mais tranquilidade e controlo. Para isso, sugerimos que comece por fazer uma lista com todas as suas despesas, valor e respetiva data de vencimento.

Não se esqueça também de escrever a justificação de cada uma. Pode concluir que, afinal, prescindir desta ou daquela despesa é a decisão mais acertada.

8

Ative débitos diretos ou agende transferências

Para as despesas fixas pode ativar débitos diretos, por exemplo, para as contas da água, luz, gás, telecomunicações, ou mesmo para o pagamento de impostos. Não vale a pena correr o o risco de deixar passar a data e ter de pagar juros acrescidos.

Poderá também agendar transferências periódicas para as despesas que convém, igualmente, não esquecer de pagar, como a renda de casa.

9

Faça uso das apps de finanças pessoais

Os lembretes na agenda eletrónica do telemóvel ou no e-mail são excelentes auxiliares de memória para aquele pagamento que não pode mesmo deixar de fazer, como os impostos.

Ainda assim, não se esqueça que há apps de finanças pessoais que podem dar uma boa ajuda na gestão da sua vida financeira.

Artigo originalmente publicado em dezembro de 2020. Última atualização em dezembro de 2022.

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